Portugiesisch Ausgabe
Literatur
O Guarani
BooksWhale-Ausgabe auf Portugiesisch von José de Alencar
Um romance indianista brasileiro de aventura, idealização, lealdade e conflito colonial.
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Bucheinführung
O Guarani
O Guarani é um dos romances indianistas centrais de José de Alencar, combinando aventura, paisagem, idealização heroica e formação literária nacional. Esta edição em português apresenta o texto original de domínio público.
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José de Alencar morreu em 1877, e O Guarani foi publicado em 1857. Essas datas sustentam a base de domínio público do texto português usado nesta edição.
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O Guarani
José de Alencar
VorschaukapitelAo leitorVorschau
Publicado este livro em 1857, se disse ser aquela primeira edição uma prova tipográfica, que algum dia talvez o autor se dispusesse a rever.
Esta nova edição devia dar satisfação do empenho, que a extrema benevolência do público ledor, tão minguado ainda, mudou em bem para dívida de reconhecimento.
Mais do que podia fiou de si o autor. Relendo a obra depois de anos, achou ele tão mau e incorreto quanto escrevera, que para bem corrigir, fora mister escrever de novo. Para tanto lhe carece o tempo e sobra o tédio de um labor ingrato.
Cingiu-se pois às pequenas emendas que toleravam o plano da obra e o desalinho de um estilo não castigado.
por José de Alencar Primeira Parte, Capítulo I: Scenario
VorschaukapitelPrimeira Parte, Capítulo I: CenárioVorschau
De um dos cabeços da Serra dos Orgãos deslisa um fio d’água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciaes que recebe no seu curso de dez leguas, torna-se um rio caudal.
É o Paquequer que, saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois espreguiçar-se indolente na varzea e embeber-se no Parahyba, que corre magestosamente no seu vasto leito.
Dir-se-hia que, vassallo e tributario desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do seu suzerano.
Perde então a belleza selvagem; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltão contra os barcos e as canôas que resvalão sobre ellas: escravo submisso, soffre o latego do senhor.
Não é neste lugar que se deve vel-o ; é sim tres ou quatro leguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indomito dessa terra da liberdade.
Ahi, o Paquequer lança-se rapido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como um tapir, espumando, deixando o seo pello esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira.
De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recúa um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a sua presa.
Depois, fatigado do esforço supremo, estende-se sobre a terra, e adormece n’uma linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como em um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes.
A vegetação nessas paragens ostenta todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendem ao longo das margens do rio, que corre no meio das arcarias de verdura, e dos capiteis formados pelos leques das palmeiras.
Tudo é grande e pomposo neste scenario que a natureza, sublime artista, decorou para os dramas magestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa.
No anno da graça de 1604, o lugar que acabamos de descrever estava quasi deserto e inculto; a cidade do Rio de Janeiro tinha-se fundado havia menos de meio seculo, e a civilisação não tivera tempo de penetrar até o interior.
Entretanto, via-se á margem direita do rio uma casa larga e espaçosa, construida sobre uma eminencia, e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique.
A esplanada sobre que estava assentado o edificio, formava um semi-circulo irregular que teria quando muito setenta braças quadradas: do lado do norte havia uma especie de escada de lagedo feita metade pela natureza, e metade pela arte.
Descendo dous ou tres dos largos degráos de pedra da escada, encontrava-se uma ponte de madeira solidamente construida sobre uma fenda larga e profunda que se abria na rochas.
Continuando a descer, chegava-se á beira do rio, que se curvava em um seio gracioso, sombreado pelas grandes gameleiras e angelins que crescião ao longo das margens.
Ahi, ainda a industria do homem tinha aproveitado habilmente a natureza para crear meios de segurança e de defeza.
De um e de outro lado da escada seguião dous renques de arvores, que, alargando-se gradualmente, ião fechar como dous braços o seio do rio; entre o tronco dessas arvores, uma alta cerca de espinheiros tornava aquele pequeno vale impenetravel.
A casa era edificada com essa architectura simples e grosseira, que ainda apresentão as nossas primitivas habitações; tinha cinco janellas de frente, baixas, largas, quasi quadradas.
Do lado direito estava a porta principal do edificio, que dava sobre um pateo cercado por uma estacada, coberta de melões agrestes,
Do lado esquerdo estendia-se até á borda da esplanada uma asa do edificio, que abria duas janellas sobre o desfiladeiro da rocha, cortada quasi perpendicularmente.
No angulo que esta asa fazia com o resto da casa, havia uma cousa que chamaremos jardim, e que de facto era uma imitação graciosa de toda essa natureza rica, vigorosa e esplendida, que a vista abraçava do alto do rochedo.
Inhaltsverzeichnis
In dieser Ausgabe
- 01Full text
- 02Ao leitor
- 03Primeira Parte, Capítulo I: Cenário
- 04Primeira Parte, Capítulo II: Lealdade
- 05Primeira Parte, Capítulo III: A bandeira
- 06Primeira Parte, Capítulo IV: Caçada
- 07Primeira Parte, Capítulo V: Loura e morena
- 08Primeira Parte, Capítulo VI: A volta
- 09Primeira Parte, Capítulo VII: A prece
- 10Primeira Parte, Capítulo VIII: Três linhas
- 11Primeira Parte, Capítulo IX: Amor
- 12Primeira Parte, Capítulo X: Ao alvorecer
- 13Primeira Parte, Capítulo XI: No banho
- 14Primeira Parte, Capítulo XII: A onça
- 15Primeira Parte, Capítulo XIII: Revelação
- 16Primeira Parte, Capítulo XIV: A Índia
- 17Primeira Parte, Capítulo XV: Os três
- 18Segunda Parte, Capítulo I: O carmelita
- 19Segunda Parte, Capítulo II: Iara!
- 20Segunda Parte, Capítulo III: Gênio do mal
- 21Segunda Parte, Capítulo IV: Ceci
- 22Segunda Parte, Capítulo V: Vilania
- 23Segunda Parte, Capítulo VI: Nobreza
- 24Segunda Parte, Capítulo VII: No precipício
- 25Segunda Parte, Capítulo VIII: O bracelete
- 26Segunda Parte, Capítulo IX: Testamento
- 27Segunda Parte, Capítulo X: Despedida
- 28Segunda Parte, Capítulo XI: Travessura
- 29Segunda Parte, Capítulo XII: Pelo ar
- 30Segunda Parte, Capítulo XIII: Trama
- 31Segunda Parte, Capítulo XIV: A xácara
- 32Terceira Parte, Capítulo I: Partida
- 33Terceira Parte, Capítulo II: Preparativos
- 34Terceira Parte, Capítulo III: Verme e flor
- 35Terceira Parte, Capítulo IV: Na treva
- 36Terceira Parte, Capítulo V: Deus dispõe
- 37Terceira Parte, Capítulo VI: Revolta
- 38Terceira Parte, Capítulo VII: Os selvagens
- 39Terceira Parte, Capítulo VIII: Desânimo
- 40Terceira Parte, Capítulo IX: Esperança
- 41Terceira Parte, Capítulo X: Na brecha
- 42Terceira Parte, Capítulo XI: O frade
- 43Terceira Parte, Capítulo XII: Desobediência
- 44Terceira Parte, Capítulo XIII: Combate
- 45Terceira Parte, Capítulo XIV: O prisioneiro
- 46Quarta Parte, Capítulo I: Arrependimento
- 47Quarta Parte, Capítulo II: O sacrifício
- 48Quarta Parte, Capítulo III: Sortida
- 49Quarta Parte, Capítulo IV: Revelação
- 50Quarta Parte, Capítulo V: O paiol
- 51Quarta Parte, Capítulo VI: Trégua
- 52Quarta Parte, Capítulo VII: Peleja
- 53Quarta Parte, Capítulo VIII: Noiva
- 54Quarta Parte, Capítulo IX: O castigo
- 55Quarta Parte, Capítulo X: Cristão
- 56Quarta Parte, Capítulo XI: Epílogo
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