
ポルトガル語 エディション
文学
A alma encantadora das ruas
ポルトガル語 BooksWhale エディション · João do Rio
Crônicas essenciais do Rio moderno, suas ruas, tipos populares, religiões e espetáculos urbanos.
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本の紹介
A alma encantadora das ruas
A alma encantadora das ruas transforma a cidade em personagem, observando trabalhadores, boêmios, devotos, marginais e multidões com olhar jornalístico e literário. Esta edição serve leitores de crônica brasileira e modernidade urbana.
BooksWhale エディション
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João do Rio died in 1921, and A alma encantadora das ruas was first published in 1908. These dates support the public-domain basis for this original Portuguese edition.
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A alma encantadora das ruas
João do Rio
This is a sensible book. This is a book to improve your mind. I do not tell you all I know, because
I do not want to swamp you with knowledge...
Jerome K. Jerome
プレビュー章Aプレビュー
João Ribeiro
Profunda admiração
プレビュー章A RUAプレビュー
Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se
não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é
partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades,
nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia,
mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e
indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma,
tudo varia — o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia, Os
séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e
fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua.
A rua! Que é a rua? Um cançonetista de Montmartre fá-la dizer:
Je suís la rue, femme êternellement verte,
Je n’ai jamais trouvé d’autre carrière ouverte
Sinon d’être la rue, et, de tout temps, depuis
Que ce pénible monde est monde, je la suis...
A verdade e o trocadilho! Os dicionários dizem: “Rua, do latim ruga, sulco. Espaço entre
as casas e as povoações por onde se anda e passeia”. E Domingos Vieira, citando as
Ordenações: “Estradas e rua pruvicas antiguamente usadas e os rios navegantes se som cabedaes
que correm continuamente e de todo o tempo pero que o uso assy das estradas e ruas pruvicas”.
A obscuridade da gramática e da lei! Os dicionários só são considerados fontes fáceis de
completo saber pelos que nunca os folhearam. Abri o primeiro, abri o segundo, abri dez, vinte
enciclopédias, manuseei in-folios especiais de curiosidade. A rua era para eles apenas um
alinhado de fachadas por onde se anda nas povoações.
Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! Em
Benares ou em Amsterdão, em Londres ou Buenos Aires, sob os céus mais diversos, nos mais
variados climas, a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados não se sentem de todo sem o
auxílio dos deuses enquanto diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua. A rua é o aplauso
dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. Não paga ao Tamagno para ouvir berros
atenorados de leão avaro, nem à velha Patti para admitir um fio de voz velho, fraco e legendário.
Bate, em compensação, palmas aos saltimbancos que, sem voz, rouquejam com fome para
alegrá-la e para comer. A rua é generosa. O crime, o delírio, a miséria não os denuncia ela. A rua
é a transformadora das línguas. Os Cândido de Figueiredo do universo estafam-se em juntar
regrinhas para enclausurar expressões; os prosadores bradam contra os Cândido. A rua continua,
matando substantivos, transformando a significação dos termos, impondo aos dicionários as
palavras que inventa, criando o calão que é o patrimônio clássico dos léxicons futuros. A rua
resume para o animal civilizado todo o conforto humano. Dá-lhe luz, luxo, bem-estar,
comodidade e até impressões selvagens no adejar das árvores e no trinar dos pássaros.
A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do
seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de
ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor,
uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa
目次
このエディションの内容
- 01Full text
- 02A
- 03A RUA
- 04O QUE SE VÊ NAS RUAS
- 05— É.
- 06TRÊS ASPECTOS DA MISÉRIA
- 07— É.
- 08ONDE ÀS VEZES TERMINA A RUA
- 09A MUSA DAS RUAS