ポルトガル語 エディション
文学
A Moreninha
ポルトガル語 BooksWhale エディション · Joaquim Manuel de Macedo
Um romance brasileiro de juventude, promessa, amor, humor e costumes.
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本の紹介
A Moreninha
A Moreninha acompanha encontros, jogos sentimentais e lembranças de uma promessa antiga. O romance tornou-se um marco inicial da ficção romântica brasileira.
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Joaquim Manuel de Macedo morreu em 1882, e A Moreninha foi publicado em 1844; essas datas sustentam o domínio público desta edição em português.
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A Moreninha
Joaquim Manuel de Macedo
Trop occupc pour corrigec,
Je vous Jivre mcs rèveries.
.... .. .....
J'en fais pour me désennuyer.
(GRESSET.)
プレビュー章Duas Palavrasプレビュー
Eis ahi vão algumas paginas escriptas, ás quaes me atrevi dar o nome de — ROMANCE. — Não foi elle movido por nenhuma dessas tres poderosas inspirações, que tantas vezes soem aparar as pennas dos authores: — gloria, amor e interesse —: d’este ultimo estou eu bem a coberto com meus vinte e tres annos de idade; que não é na juventude que póde elle dirigir o homem: a gloria, só se andasse ella cahida de suas alturas, rojando as azas quebradas, me lembraria eu, tão pela terra que rastejo, de pretender ir apanhal-a: a respeito do amor não fallemos; pois, se me estivesse o buliçoso a fazer cocegas no coração, bem sabia eu que mais proveitoso me seria gastar meia duzia de semanas aprendendo n’uma sala de dança, do que velar trinta noites garatujando o que por ahi vai. Este pequeno romance deve sua existencia sómente aos dias de desenfado e folga, que passei no bello Itaborahi, durante as férias do anno passado. Longe do bolicio da Côrte, e quasi em ocio, a minha imaginação assentou lá com sigo que bom ensejo era esse de fazer travessuras, e em resultado dellas sahio — a Moreninha. —
Dir-me-hão que o ser a minha imaginação traquinas não é um motivo plausivel para vir eu maçar a paciencia dos leitores com uma composição balda de merecimento, e cheia de irregularidades e defeitos; mas o que querem? quem escreve olha a sua obra como seu filho, e todo o mundo sabe que o pai acha sempre graças e bondades na querida prole.
Do que vem dito concluir-se-há que a Moreninha é minha filha: exactamente assim penso eu. Póde ser que me accusem por não tel-a conservado debaixo de minhas vistas por mais tempo, para corrigir suas imperfeições: esse era o meu primeiro intento: a Moreninha não é a unica filha que possuo; tem tres irmãos, que pretendo educar com esmero; o mesmo faria a ella; poém esta menina sahio tão travessa, tão impertinente, que não pude mais soffrel-a no seu berço de carteira, e para ver-me livre d’ella venho deposital-a nas mãos do Publico, de cuja benignidade e paciencia tenho ouvido grandes elogios.
Eu pois conto que, não esquecendo a fama antiga, o Publico a receba, e lhe perdôe seus senões, máos modos, e leviandades. É uma criança, que terá, quando muito, seis mezes de idade; merece a compaixão que por ella imploro: mas, se lhe notarem graves defeitos de educação, que provenhão da ignorancia do pai, rogo que não os deixem passar por alto, accusem-os; que d’ahi tirarei eu muito proveito, criando e educando melhor os irmãoszinhos, que a Moreninha tem cá.
E tu, filha minha, vai com a benção paterna, e queira o Céo que ditosa sejas: nem por seres traquinas te estimo menos: e como prova vou em despedida dar-te um precioso conselho: — Recebe, filha, com gratidão a critica do homem instruido; não chores, se com a unha marcarem o lugar em que tiveres mais notavel senão; e quando te dicerem que por este erro ou aquella falta não és bôa menina, jamais te arrepies antes agradece, e anima-te sempre com as palavras do velho poeta:
« Deixa-te reprehender de quem bem te ama,
«Que ou te aproveita, ou quer aproveitar-te.»
プレビュー章Capítulo I: Aposta imprudenteプレビュー
—Bravo! exclamou Fillippe, entrando, e despindo a casaca, que pendurou em um cabide velho; bravo!.... interessante scena! mas certo que deshonrosa fôra para caza de um estudante de medicina, o já do sexto anno, a não valer-lhe o adagio antigo: O hábito não faz o monge.
—Temos discurso!.... attenção!... ordem!... gritárão a um tempo trez vozes.
—Cousa celebre! accrescentou Leopoldo, Fillippe sempre se torna orador depois do jantar.
—E dá-lhe para fazer epigramas, disse Fabricio.
—Naturalmente, acudiu Leopoldo, que, por dono da casa, maior quinhão houvera no cumprimento do recem-chegado; naturalmente: Bocage, quando tomava carraspanas, descompunha os medicos.
— C'est trop fort! bocejou Augusto, espreguiçando-se no canapé em que se achava deitado.
— Como quiserem, continuou Filipe, pondo-se em hábitos menores; mas por minha vida que a carraspana de hoje ainda me concede apreciar devidamente aqui o meu amigo Fabrício, que talvez acaba de chegar de alguma visita diplomática, vestido com esmero e alinho, porém tendo a cabeça encapuçada com a vermelha e velha carapuça do Leopoldo; este, ali escondido dentro de seu robe de chambre cor de burro quando foge, e sentado em uma cadeira tão desconjuntada que, para não cair com ela, põe em ação todas as leis de equilíbrio, que estudou em Pouillet; acolá, enfim, o meu romântico Augusto, em ceroulas, com as fraldas à mostra, estirado em um canapé em tão bom uso, que ainda agora mesmo fez com que Leopoldo se lembrasse de Bocage. Oh! V.S.as tomam café!
Ali o senhor descansa a xícara azul em um pires de porcelana... aquele de porcelana.... aquelle tem uma chávana com bellos lavôres dourados, mas o pires é côr de rosa... aquelle outro nem porcelana, nem lavôres, nem côr azul ou de roza, nem chicara... nem pires...; aquillo é uma tigella n'um prato......
— Carraspana!... carraspana!... gritárão os tres.
— Oh moleque! proseguio Fellippe, voltando-se para o corredor, traze-me café, ainda que seja no pucaro em que o côas; pois creio que, a não ser a falta de louça, já teu senhor m'o teria offerecido.
— Carraspana!.... Carraspana!.....
— Sim, continuou elle, eu vejo que vocês...
— Carraspana!.... Carraspana!.....
— Não sei de nós quem mostra,....
— Carraspana!.... carraspana!....
Seguirão-se alguns momentos de silencio: ficárão os quatro estudantes assim a modo de moças quando jogão o siso. Fellippe não fallava por conhecer o proposito em que estavão os tres de lhe não deixar concluir uma só proposição; e estes, porque esperavão vel-o abrir a boca para gritar-lhe: carraspana!
Enfim, foi ainda Filipe o primeiro que falou, exclamando de repente:
— Paz! Paz!...
— Ah! já?... disse Leopoldo, que era o mais influído.
— Filipe é como o galego, disse um outro; perderia tudo para não guardar silêncio durante uma hora.
— Está bem, o passado, passado: protesto não falar mais nunca na carapuça, nem nas cadeiras,
nem na louça do Leopoldo... Estão no caso... sim...
— Hein?... olha a carraspana...
— Basta! Vamos a negócio mais sério. Onde vão vocês passar o dia de Sant’Ana?
— Por quê?... Temos patuscada?... acudiu Leopoldo.
— Minha avó chama-se Ana.
— Ergo!...
Estou habilitado para convidá-los a vir passar a véspera e dia de Sant'Ana conosco, na ilha de...
— Eu vou, disse prontamente Leopoldo.
— E dois, acudiu logo Fabrício.
Augusto só guardou silêncio.
— E tu, Augusto?... perguntou Filipe.
— Eu?... Eu não conheço tua avó.
— Ora, sou seu criado; também eu não a conheço, disse Fabrício.
— Nem eu, acrescentou Leopoldo.
— Não conhecem a avó, mas conhecem o neto, disse Filipe.
— E ademais, tornou Fabrício, palavra de honra que nenhum de nós tomará o trabalho de lá ir por causa da velha.
目次
このエディションの内容
- 01Full text
- 02Duas Palavras
- 03Capítulo I: Aposta imprudente
- 04Capítulo II: Fabrício em apuros
- 05Capítulo III: Manhã de sábado
- 06Capítulo IV: Falta de condescendência
- 07Capítulo V: Jantar Conversado
- 08Capítulo VI: Augusto com seus amores
- 09Capítulo VII: Os dois breves, branco e verde
- 10Capítulo VIII: Augusto prosseguindo
- 11Capítulo IX: A Srª D. Ana com suas histórias
- 12Capítulo X: A balada do rochedo
- 13Capítulo XI: Travessuras de d. Carolina
- 14Capítulo XII: Meia hora embaixo da cama
- 15Capítulo XIII: Os quatro em conferência
- 16Capítulo XIV: Pedilúvio sentimental
- 17Capítulo XV: Um dia em quatro palavras
- 18Capítulo XVI: O sarau
- 19Capítulo XVII: Foram buscar lã e saíram tosquiadas
- 20Capítulo XVIII: Achou quem o tosquiasse
- 21Capítulo XIX: Entremos nos corações
- 22Capítulo XX: 1º Domingo: ele marca
- 23Capítulo XXI: 2º Domingo: brincando com bonecas
- 24Capítulo XXII: Mau tempo
- 25Capítulo XXIII: A esmeralda e o camafeu
- 26Epílogo