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Menina e Moça
葡萄牙语 BooksWhale 版本 · Bernardim Ribeiro
Uma narrativa pastoril portuguesa de saudade, amor, perda e voz feminina melancólica.
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图书简介
Menina e Moça
Menina e Moça é uma obra clássica da literatura portuguesa, associada ao romance pastoril e à expressão da saudade. A narrativa combina amor, perda, memória e melancolia em prosa poética.
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Bernardim Ribeiro morreu no século XVI, e Menina e Moça foi publicado em 1554. Essas datas sustentam o domínio público desta edição original portuguesa.
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SAUDADES: HISTÓRIA DE MENINA E MOÇA
Bernardim Ribeiro
预览章节CAPITULO I预览
CAPITULO I
预览章节Em que a donzela começa a sua historia预览
Menina e moça, me levaram de casa de meu pae para longes terras. Qual fosse então a causa d'aquela minha levada,--era eu pequena,--não na soube. Agora, não lhe ponho outra, senão que já então, parece, havia de ser o que depois foi.
Vivi ali tanto tempo, quanto foi necessario para não poder viver em outra parte.
Muito contente fui eu n'aquela terra; mas, coitada de mim, em breve espaço se mudou tudo aquilo que em longo tempo se buscou, e para longo tempo se buscava! Grande desventura foi a que me fez ser triste, ou a que, porventura, me fez ser leda!
Mas depois que vi tantas cousas trocadas por outras, e o prazer feito mágoa maior, a tanta tristeza cheguei que mais me pesava do bem que tive, que do mal que tinha.
Escolhi para meu contentamento (se em tristezas e saudades ha algum) vir viver para este monte, onde o lugar, e mingoa da conversação da gente, fosse como para meu cuidado cumpria: porque grande erro fôra, depois de tantos desgostos, quantos eu com estes meus olhos vi, aventurar-me ainda a esperar do mundo o descanso que êle nunca deu a ninguem!--Estando eu aqui só, tam longe de toda a outra gente, e de mim ainda mais longe; d'onde não vejo senão serras, de um lado, que se não mudam nunca, e do outro agoas do mar, que nunca estão quedas, cuidava eu já que esquecia á desventura, porque éla, e depois eu, com todo o poder que ambas pudemos, não deixámos em mim nada em que pudesse nova mágoa ter lugar,--antes havia muito tempo que tudo era povoado de tristezas, e com razão. Mas parece que, em desventuras, ha mudanças para outras desventuras; porque, no bem, não as havia para outro bem; e foi assim que, por caso estranho, fui levada a um lugar onde me foram ante os meus olhos apresentadas, em cousas alheias, todas as minhas angustias; e o meu sentido d'ouvir não ficou sem sua parte da dôr.
Ali vi então, na piedade que tive d'outrem, quam grande a devêra ter de mim, se não fôra tam demasiadamente mais amiga de minha dôr do que parece que foi de mim quem me é a causa d'éla; mas tamanha é a razão porque sou triste que nunca me veio mal nenhum que eu não andasse em busca d'êle.
D'aqui me vem a mim a parecer que esta mudança, em que me eu vi, já então começava a buscar, quando esta terra, onde me éla aconteceu, me aprouve mais que outra nenhuma, para vir aqui acabar os poucos dias de vida que eu cuidei que me sobejavam. Mas n'isto, como em outras cousas muitas, me enganei eu. Agora, ha já dous anos que estou aqui, e não sei ainda tam sómente determinar para quando me aguarda a derradeira hora! Não póde já vir longe!
Isto me pôs em duvida de começar a escrever as cousas que vi e ouvi.
Mas, depois, cuidando comigo, disse eu que recear de não acabar de escrever o que vi, não era causa para o deixar de fazer; pois não havia de escrever para ninguem, senão para mim só. Quanto mais que, em cousas não acabadas, não havia de ser esta a primeira: pois quando vi eu prazer acabado, ou mal que tivesse fim?! Antes me pareceu que este tempo que hei de estar aqui n'este ermo (como a meu mal aprouve) não o podia empregar em cousa que mais de minha vontade fosse:--pois Deus quis que assim minha vontade seja.
Se em algum tempo se achar este livrinho na mão de pessoas alegres, não o leiam, que, porventura, parecendo-lhe que seus casos serão mudaveis, como os aqui contados, o seu prazer lhe será menos prazer. Isto, onde eu estivesse, me doeria, porque assaz bastava eu nascer para minhas mágoas, quanto mais ainda para as d'outrem. Os tristes o poderão lêr: mas ahi não os houve mais, homens, depois que nas mulheres houve piedade; mulheres, sim, porque sempre nos homens houve desamor: mas para élas não o faço eu, pois que o seu mal é tamanho que se não póde confortar com outro nenhum. Para as mais entristecer, sem-razão seria querer eu que o lessem élas; antes lhes peço muito que fujam d'êle e de todas as cousas de tristeza, que, ainda com isto, poucos serão os dias que hão de poder ser ledas,--porque assim está ordenado pela desventura com que élas nascem.
目录
本版本内容
- 01Full text
- 02CAPITULO I
- 03Em que a donzela começa a sua historia
- 04CAPITULO II
- 05Em que a donzela vae prosseguindo a sua historia
- 06CAPITULO III
- 07Da conta que a dona dá á donzela de sua vinda áquela terra
- 08CAPITULO IV
- 09Das palavras que a dona com a donzela passou
- 10CAPITULO V
- 11Do que Lamentor passou n'aquela parte onde foi aportar com a sua nau, e da batalha que teve com o cavaleiro da ponte e do que mais lhe sucedeu
- 12CAPITULO VI
- 13Em que se diz a razão por que o cavaleiro da ponte sustinha aquele passo, e de como sua irman ali veio ter
- 14CAPITULO VII
- 15Como, depois de partida a irman do cavaleiro da ponte, por aprazer aquele lugar a Lamentor, ordenára fazer ali seu assento
- 16CAPITULO VIII
- 17De como a Belisa vieram em crescimento as dores do parto, e, parindo uma criança, faleceu
- 18CAPITULO IX
- 19Do pranto que Aonia fez pela morte de sua irman Belisa
- 20CAPITULO X
- 21De como Narbindel, vindo a combater com o cavaleiro da ponte, vendo o pranto que se fazia na tenda de Lamentor, entrou dentro para o consolar
- 22CAPITULO XI
- 23De como se deu sepultura ao corpo de Belisa, e do pranto que com êle fez Lamentor
- 24CAPITULO XII
- 25Do que sucedeu ao cavaleiro, que saiu da tenda, vencido do parecer e formosura da senhora Aonia
- 26CAPITULO XIII
- 27Em que se diz quem fosse Cruelcia e do que o cavaleiro passou com seu escudeiro
- 28CAPITULO XIV
- 29De como, partido o escudeiro do cavaleiro da tenda, entrou em pensamentos de como se separaria d'êle, e mudaria o nome
- 30CAPITULO XV
- 31De como Bimnarder soube de um servidor de Lamentor que este ordenava fazer ali uns paços e do mais que lhe aconteceu com a sombra que lhe apareceu
- 32CAPITULO XVI
- 33De como, estando Bimnarder muito pensativo no que faria, viu de subito vir o seu cavalo fugindo d'uns lobos que o queriam matar
- 34CAPITULO XVII
- 35De como Bimnarder assentou vivenda com o maioral do gado, e do que a donzela passou com a dona em sua historia
- 36CAPITULO XVIII
- 37Em que a ama dá razão á donzela da cantiga de Bimnarder
- 38CAPITULO XIX
- 39De como conta a ama á senhora Aonia o que vira fazer ao pastor acabada a cantiga
- 40CAPITULO XX
- 41Da peleja que o touro do pastor teve com outro alheio e de como o matou; a qual Aonia estava vendo do eirado
- 42CAPITULO XXI
- 43De que maneira Bimnarder se viu com Aonia
- 44CAPITULO XXII
- 45De como Bimnarder, estando na fresta da camara de Aonia, se pôs devagar a ouvir a ama
- 46CAPITULO XXIII
- 47Do singular conselho que deu a ama á senhora Aonia pelo que suspeitou dos seus amores
- 48CAPITULO XXIV
- 49Em que se conta o mais que a ama passou com a senhora Aonia ácerca de Bimnarder
- 50CAPITULO XXV
- 51De como Bimnarder, pela fresta do aposento de Aonia, lhe falou
- 52CAPITULO XXVI
- 53De como Bimnarder, estando na fresta de Aonia, adormeceu, e se lhe foram, por sonho, os pès, e caiu
- 54CAPITULO XXVII
- 55De como a ama, sentindo de noite o estrondo da queda, o que sobre isto fez quando foi manhan
- 56CAPITULO XXVIII
- 57De como, estando da queda Bimnarder muito doente, Aonia buscou maneira por onde o fosse visitar
- 58CAPITULO XXIX
- 59De como Lamentor casou Aonia com o filho de um cavaleiro seu comarcão, e do que Enis aconselhou a Aonia que fizesse
- 60CAPITULO XXX
- 61De como Fileno, o marido de Aonia, desejoso de a ter em seu poder, a levou de casa de Lamentor muito acompanhada
- 62CAPITULO XXXI
- 63Em que se diz a grande dor que sentiu Aonia em seu casamento