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ポルトガル語 エディション

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Prosas Bárbaras

ポルトガル語 BooksWhale エディション · Eça de Queirós

Textos de juventude de Eça de Queirós, cheios de imaginação, crítica e experimentação estilística.

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Prosas Bárbaras

Prosas Bárbaras mostra um Eça ainda em formação, atraído pelo fantástico, pela ironia, pela observação social e pela exuberância verbal. A coletânea ajuda a acompanhar a passagem do romantismo tardio à prosa moderna portuguesa.

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Prosas Bárbaras

プレビュー章NOTAS MARGINAES...... d'este lado do rio...... o namorado, E a moça dos olhos pretos...... do outro lado.プレビュー

Mas o rio era profundo, Não se podiam juntar. Nunca o sol encontra a lua. Tal andava aquelle par.............. flores..... á agua iam dar;........ os beijos Ficavam todos no ar.

A moça............... Disse adeus ao namorado; E foi...................... bandas do povoado.

Elle ficou amarello, Como a vela d'um altar. Mas se o rio.......... Não se podiam juntar.

Anoiteceu.............. Por alli andou penando: E por fim lançou-se ao rio, E o rio................................................................. Mas as flores foram prender-se Nas suas mãos côr de cera.

Na margem do papel marcado, onde se viam ainda estes restos d'uma velha cantiga, alguem escreveu estas notas desordenadas e extranhas:

I

Ó dôce cantiga dos namorados da beira do rio, tu és uma verdade sempre nova! Ainda hoje o triste anda penando nas aguas escuras; e os teus olhos, ó serena rapariga, são eternamente falsos!

Não era assim que eu pensava no tempo d'aquelles nossos amores, ó nome que eu não escrevo! d'aquelles amores tão dôces como a suavidade das nossas noites d'outomno--tão coloridos e vagos como aquellas nuvens, que sempre no ar andavamos formando e desmanchando!

II

Ó voluptuosidade! tu és a imagem do Oceano nos teus caprichos. Agora embalas-te, dôcemente doirada com os ultimos raios do sol: depois dormes tranquilla, aos calores silenciosos: por fim agitas-te, cheia de tempestades.

III

E, quando eu te via, não via mais as flôres, nem as pombas, nem as estrellas: mas, quando pensava em ti, via-te delicada como todas as flores, voluptuosa como todas as pombas, luminosa como todas as estrellas.

IV

Ás vezes, solitario e silencioso, via passar na sombra, diante de mim, como uma legião d'inspirações rhapsodicas, os teus olhos humidos, como violetas debaixo d'agua--depois os teus braços da côr do marmore--depois os teus cabellos negros e fluctuantes... Em fim, sobre um fundo maravilhoso, tu apparecias superiormente serena, perfeita e luminosa!

V

プレビュー章De cada um dos teus desejos nascia uma flôr.プレビュー

E os meus suspiros, como a aragem serena da tarde, embalavam dôcemente aquellas flôres marginaes.

E as flôres cresciam, cresciam até se tornarem magnolias grandes; o vento tomava-as preguiçosamente pela haste; e ellas, inclinando os seus rostos pallidos, contavam-lhe os perfumes de mais segredo.

E as magnolias iam crescendo até se tornarem n'uma arvore immensa. Então o vento enroscava-se no tronco, insinuava-se nos ramos, e fazia palpitar as folhas sonoras.

E então a arvore estremecia, como n'um sonho agitado; depois adormecia--e dava em redor uma sombra serena e consoladora.

VI

Quando te vejo, despertam no meu pobre coração as melodias e as dôces melancolias d'amor, como na primavera se reanimam as aves e desabrocham as violetas.

Quando me fallas, tudo se alumia com constellações apaixonadas, e parece que passam dentro de mim todos os aromas das magnolias.

Mas se me dizes que _me queres muito_, sinto que vem logo um estranho inverno descorar-me as faces, desfolhar-me a alma de todas as emoções, e cobrir de geada todos os loucos desejos.

Oh! nunca me digas que _me queres muito_!

VII

Tua irmã é carinhosa, e dôce, e meiga, e casta, e consoladora.

Tu és altiva, inquieta, e desdenhosa.

Tua irmã!... Mas se ella não tem o timbre suave da tua voz, o luminoso fulgor dos teus olhos, a côr mimosa dos teus cabellos! Mas se ninguem tem a santa, a purificadora brancura da tua fronte!

VIII

Os teus olhos negros são como duas flores do mal. Os seus olhos azues são como duas dôces elegias.

E a flor do lotus, a apaixonada flor do lotus, sómente se abre á doçura immensa da lua!

IX

Oh! minha bem amada! eu já vi os teus olhos brilharem dolorosamente, como duas estrellas negras de melancolia: tinhas tu então rasgado um veu côr de papoula, que te cobria.

X

Tu estavas na egreja, curvada e perdida nas tuas orações, como uma fidalga hespanhola.

Tinhas um olhar velado e piedoso, um olhar que só dizia--_Jesus!_

Mas nos labios tinhas um colorido avelludado e luminoso, como o das flores vermelhas mettidas na agua; e na linha de sombra dos teus labios corria um sorriso, que só dizia--_amor!_

Talvez um dia ainda te encontre na egreja. Sómente, então, os teus labios estarão descorados como a fadiga e timidos como o arrependimento. Sómente, então, os teus olhos estarão fixos como os dos esfomeados, e terão aquella luz desejosa e ávida, que têm as estrellas.

XI

Foi debaixo das arvores. Voavam as pombas brancas. Morriam aromas de violetas. Os castanheiros, grandes e concentrados, ouviam subir a seiva.

Foi lá que me disseste aquellas palavras, que me pareceram uma blasphemia que te vinha do coração. Eu fiquei hirto e nullo, como um sacerdote esbofeteado pelo seu Deus!

XII

Eu tinha o rosto coberto de lagrimas: e ella compunha as prégas do seu vestido!

Ás vezes o grande mar embalava-se preguiçoso, emquanto as ondas pequenas--as pobres ondas!--soluçando, choravam sobre a areia.

XIII

Houve um tempo em que andavam exiladas dos logares humanos as estatuas, que tinham feito a lenda da belleza antiga. Eram de marmore pallido, e a sua nudez era doce e melodiosa.

Outr'ora, no tempo dos idyllios divinos, quando ainda vivia o grande Pan, e havia deuses debaixo das estrellas, ellas viviam entre os jogos, as choreias, a luz e as flores: brancas, como as espumas ionias; serenas, como a lua de Delos; melodiosas, como a voz das sereias.

Agora andavam perseguidas e errantes pelas florestas sonoras, e envolvidas na consolação immensa, que sáe do canto das aves, e da frescura das plantas.

Ás vezes um cavalleiro, batalhador escuro, que voltava das cidades de oiro e de coral, encontrava uma das brancas peregrinas, como uma apparição de languidez e de tristeza, evocada pela musica das ramagens. E se elle por acaso deixava mergulhar nos seus olhos os raios brancos e avelludados dos olhos de marmore, ao outro dia os caminheiros, os que vão de noite cantando á molle claridade das estrellas, encontravam, junto das grandes arvores pensadoras, um corpo inanimado e livido, como aquellas creanças das lendas, a quem as bruxas chupam o sangue!

目次

このエディションの内容

  1. 01Full text
  2. 02NOTAS MARGINAES...... d'este lado do rio...... o namorado, E a moça dos olhos pretos...... do outro lado.
  3. 03De cada um dos teus desejos nascia uma flôr.
  4. 04MACBETH
  5. 05A LADAINHA DA DOR
  6. 06(AO SNR. A. A. TEIXEIRA DE VASCONCELLOS)
  7. 07ENTRE A NEVE
  8. 08(A ANSELMO D'ANDRADE)
  9. 09OS MORTOS
  10. 10A PENINSULA
  11. 11O «MIAUTONOMAH»
  12. 12MYSTICISMO HUMORISTICO
  13. 13O MILHAFRE
  14. 14LISBOA
  15. 15O SENHOR DIABO
  16. 16UMA CARTA
  17. 17(A CARLOS MAYER)
  18. 18Aqui, em Portugal, tambem ha uma grande doença. Fallaria n'isso agora, se não estivesse fatigado de escrever.
  19. 19MEPHISTOPHELES
  20. 20MEMORIAS D'UMA FORCA
  21. 21A MORTE DE JESUS
  22. 22A MORTE DE JESUS

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