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O Tronco do Ipê

ポルトガル語 BooksWhale エディション · José de Alencar

Um romance brasileiro de memória, amor, família e mistério em ambiente rural.

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O Tronco do Ipê

O Tronco do Ipê combina intriga familiar, lembranças de infância, amor e segredo em uma fazenda brasileira. Alencar trabalha paisagem, sentimento e conflito moral dentro do romance romântico nacional.

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José de Alencar morreu em 1877, e O Tronco do Ipê foi publicado em 1871. Essas datas sustentam o fundamento de domínio público desta edição em português.

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O Tronco do Ipê

José de Alencar

Ipê

José de Alencar

Era linda a situação da fazenda de Nossa Senhora do Boqueirão.

As águas majestosas do Paraíba, regavam aquelas terras fertilíssimas, cobertas de abundantes lavouras e extensas matas virgens.

A casa de habitação chamada pelos pretos Casa Grande, vasto e custoso edifício, estava assentada no cimo de formosa colina, donde se descortinava um soberbo horizonte.

Assomava ao longe, emergindo do azul do céu, o dorso alcantilado da Serra do Mar que ainda o cavalo a vapor não escarvara com a férrea úngula.

Das abas da montanha desciam como sanefas e bambolins de verde brocado, as florestas que ensombravam o leito do rio.

Às vezes tardo e indolente, outras rápido e estrepitoso com a crescente das águas que o entumeciam, assemelhava-se o Paraíba na calma, como na agitação, a uma píton antediluviana coleando através da antiga selva brasileira.

Nas fraldas da colina á esquerda estavam as fábricas e casas de lavoura, a habitação do administrador da fazenda e as senzalas dos escravos. Todos estes edifícios formavam um vasto paralelogramo, com um pátio no centro; para este pátio, fechado por um grande portão de ferro, abríamos cubículos das senzalas.

Mais longe, derramados pelo vale, viam-se o monjolo, a bolandeira, o moinho, a serraria, tocados pela água de um ribeiro que serpejava rumorejando entre as margens pedregosas.

À direita da casa, onde se erguia a alva capelinha da fazenda, sob a invocação de Nossa Senhora, a colina declinando com suave depressão ia morrer às margens do Paraíba. Desse lado encontrava-se o jardim, o pomar, a horta, e vários sítios de recreio arranjados com muito gosto.

Se a natureza brasileira, toucada pela arte europeia, perdia ali a flor nativa e a graça indígena; em compensação tornava-se mais faceira.

Tudo isso desapareceu; a Fazenda de Nossa Senhora do Boqueirão já não existe. Os edifícios arruinaram-se; as plantações em grande parte ao abandono morreram sufocadas pelo mato; e as terras, afinal retalhadas, foram reunidas a outras propriedades.

A gente do lugar, tantos os fazendeiros e ricaços, como os simples roceiros e agregados se preocuparam muito durante algum tempo com o desamparo em que dono deixava uma fazenda tão fértil e aprazível.

Alguns atribuíam o fato singular às seduções da corte; e protestavam interiormente não casar suas filhas com homem habituado às delícias da Babilônia fluminense.

Outros que melhor conheciam o dono da fazenda abandonada, desconfiavam de alguma questão de família, e falavam de certas complicações a respeito da herança do antigo proprietário.

A gente pobre inclinava-se mais à explicação de umas três ou quatro beatas do lugar. Segundo a lição das veneráveis matronas, a causa do desmantelo e ruína da rica propriedade fora o feitiço.

A Fazenda do Boqueirão era mal-assombrada; e em prova do que afirmavam, além de umas historias de almas de outro mundo, cem vezes resmoneadas entre os costumados biocos, mostravam de longe a cabana do pai Benedito.

Esse argumento era peremptório. Assim, nenhum dos moradores passava naquele sitio, que não estugasse o passo ou esporeasse a cavalgadura, lançando um olhar de esguelha à velha cabana de sapé, e sentindo os cabelos se erriçarem com um súbito calafrio.

Os espíritos fortes não faziam caso dessas abusões; mas arranjavam-se de modo que nunca tinham necessidade de passar naqueles sítios depois do lusco-fusco; salvo quando levavam boa e alegre companhia.

É natural que já não exista a cabana do pai Benedito, último vestígio da importante fazenda. Ha seis anos ainda eu a vi, encostada em um alcantil da rocha que avança como um promontório pela margem do Paraíba.

プレビュー章D. Alina porém ali estava para soprar naquelas brasas e levantar a labareda.プレビュー

— Cuida que o barão sabendo que ela foi em busca do filho, ficará com pena e tomará seu partido. Não é? disse a viúva com a voz melíflua, relanceando entre as pestanas um olhar oblíquo à baronesa.

Esta continuava a folhear, mas automaticamente, as folhas do álbum; ouvindo a última observação fechou com força o livro e atirou-o sobre a mesa arrebatadamente.

— Cuida; mas engana-se! Tudo tem um termo, estou cansada. Hoje mesmo vou falar ao barão. É preciso que esta mulher e seu filho deixem a minha casa; do contrário não respondo por mim.

— Está bem, baronesa, não se aflija; deixe de pensar nisto! disse D. Luíza chegando-se para a amiga e tomando-lhe a mão.

A alma de D. Alina se expandira vendo o primeiro fermento da cólera da baronesa. Há naturezas assim, que se deleitam com a destruição; espécie de abutres morais, vivendo da dissolução da família e da sociedade. Aquele caráter pertencia a esta classe; tinha o instinto da intriga; regozijava-se com as recriminações e dissidências.

Vendo a mulher do conselheiro serenar o espírito da baronesa, D. Alina incomodou-se mais do que se a privassem de um teatro ou de um baile; e por isso lançou no coração da dona da casa outra gota de fel.

— Quer meu conselho, senhora baronesa? Guarde para depois; hoje não é bom dia.

— Por quê? perguntou Júlia com altivez.

— Não vê como o barão está carrancudo!

— Que tem isto?

— Pode não lhe fazer a vontade.

— Veremos!... e a baronesa gorjeou um riso orgulhoso.

— Por que será mesmo que o barão está hoje com uma cara tão amarrada? insistiu D. Alina.

— Ora não sabe?... É a história do marido da tal mulher. O que morreu aí na lagoa.

— Ah! já sei!... É verdade! Faz anos hoje; 15 de janeiro!

— A senhora deve lembrar-se bem! Era seu enteado!

プレビュー章D. Alina suspirou:プレビュー

— Se me lembro!... Então era eu senhora aqui!... Seriam onze horas da noite quando vieram correndo dar a notícia. Meu marido ouviu, antes que se pudesse evitar...

As recordações de D. Alina continuariam, se a baronesa evidentemente aborrecida não se erguesse para chegar à janela. Talvez o desejo de ver onde ia a mãe de Mário a impelisse maquinalmente.

O ruído da cadeira arrastada pela baronesa ao levantar-se e o ruge-ruge do vestido arrancaram o barão de seu profundo recolhimento, se, como parece mais natural, o espírito fatigado de tão longa concentração, não veio de si mesmo à superfície, para renovar o fôlego.

Como quer que fosse, o barão percorreu o aposento com os olhos ainda embotados; e passando por diversas vezes a mão na fronte para alisar os cabelos ou desafogar o cérebro, recobrou-se da funda abstração.

Nos homens robustos sucede às grandes contenções do espírito, a necessidade de fortes exercícios do corpo. É o equilíbrio do organismo que reclama essa compensação.

Lembrou-se o barão de dar um passeio; mas o exercício corpóreo não bastava para serenar seu espírito, ainda torvo e sombrio. Para estes momentos aziagos, para essas noites lúgubres de sua alma, ele tinha um sorriso, uma estrela, que vertia em seu coração angustiado os orvalhos celestes.

Era Alice.

Se não fosse o lindo anjo louro, quem sabe quantas vezes sua alma atribulada não se houvera lançado nalguma voragem, aberta para devorá-la, numa dessas paixões indômitas que arrastam o homem, como o corcel de Mazeppa, ou talvez nesse báratro insondável onde se afoga a razão na loucura.

Mas quando o abismo se abria diante de sua carreira desvairada, quando chegara à borda e ia precipitar-se, um elo invisível o prendia. Era o anjo que lhe falava ou lhe sorria; era a mão dessa gentil menina que perpassando-lhe na fronte, dissipava como por encanto as tempestades acumuladas ali dentro; era a lembrança da filha, que iluminava como um raio de esperança a treva espessa da sua alma.

— Alice! disse ele chamando.

E como não visse a menina na varanda, perguntou dirigindo-se ao grupo das senhoras:

— Onde está Alice?

— Foi passear! respondeu a baronesa recostada à janela.

— Onde?

— Por aí.

— Foi visitar a Chica... Não é assim que se chama a preta? disse D. Luíza para a baronesa.

— Foi?... exclamou o barão com sobressalto, e interrogando a baronesa. Foi à cabana de Benedito?

— Parece, respondeu a baronesa tranquilamente.

— Já proibi que Alice fosse a esse lugar, a não ser em nossa companhia. Quem lhe deu licença?

— Eu, e aqui mesmo em sua presença. Não tenho culpa que estivesse distraído.

— Mas, senhora; não se lembra dos desastres que tem havido naquele lugar?

— Ela foi bem acompanhada. Nem vai se meter lá no boqueirão.

— E no dia de hoje, meu Deus! murmurou o barão sem escutar a mulher, e dirigindo os olhos para o lado do rio.

— Não há de acontecer nada, barão, disse o conselheiro aproximando-se. Adélia também foi e eu estou tranquilo.

— Há muito tempo que saíram? perguntou o barão sôfrego.

— Há mais de duas horas. Eu também estou inquieta, disse a mulher do conselheiro. D. Francisca já se foi atrás do filho.

— Mário! murmurou o barão. Ele também?

— Até o meu Lúcio, que chegou tarde, lá anda em busca dos outros.

O barão tocou precipitadamente a campainha:

— Sela meu cavalo, já! disse ao pajem que tinha acudido ao chamado.

— Vai até lá, barão?

— Estou impaciente, contrariado; este passeio me fará bem.

— Aflige-se, porque quer! Não é a primeira vez que Alice tem ido ver a Chica; e ainda não lhe sucedeu cousa alguma. Hoje é que havia de acontecer todas as desgraças porque... porque à onze anos um homem afogou-se na lagoa!

目次

このエディションの内容

  1. 01Full text
  2. 02D. Alina porém ali estava para soprar naquelas brasas e levantar a labareda.
  3. 03D. Alina suspirou:
  4. 04D. Francisca e seu filho seguiram o Martinho, que os introduziu no gabinete do fazendeiro.
  5. 05M
  6. 06O

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