ポルトガル語 エディション
文学
Pátria
ポルトガル語 BooksWhale エディション · Guerra Junqueiro
Poema cívico e satírico sobre Portugal, decadência nacional, crítica política e consciência pública.
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本の紹介
Pátria
Pátria é uma obra combativa de Guerra Junqueiro, na qual poesia, sátira e intervenção cívica se unem para pensar Portugal, a monarquia, a decadência e o destino nacional. É um texto expressivo da literatura política portuguesa.
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Guerra Junqueiro morreu em 1923 e Pátria foi publicado em 1896; estas datas sustentam o domínio público desta edição portuguesa.
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Pátria
Guerra Junqueiro
_Contos_, 1 vol. $60 _Cartas de Inglaterra_, 1 vol. $50 _Ecos de Paris_, 1 vol. $50 _Cartas familiares e bilhetes postais de Paris_, 1 vol. $50 _As Minas de Salomão_ (tradução) $60 _Notas Contemporâneas_ (ideias sôbre literatura e arte), 1 vol. 1$00 _Ultimas páginas_, 1 vol 1$00
*COELHO NETO*
_Sertão_, 1 vol. $60 _A Bico de Pena_, 1 vol. $70 _Agua de Juventa_, 1 vol. $70 _Romanceiro_, 1 vol. $50 _Teatro_, vol. I $80 _Teatro_, vol. II $40 _Teatro_ vol. IV $50 _Fabulário_, 1 vol. $50 _Jardim das Oliveiras_, 1 vol. $50 _Esfinge_, 1 vol. $60 gravuras, 1 vol. $50 _Inverno em Flor_. 1 vol. $70 _Mistérios do Natal_, contos para crianças, 1 vol. $50 _Morto (O)_, memórias de um fuzilado $60 _Rei Negro (O)_, 1 vol. $80 _Miragem_, 1 vol. $60 _Capital Federal_, 1 vol. $60 _Apólogos_, contos para crianças, com _A Conquista_, 1 vol. $70 _A Tormenta_, 1 vol. $60 _Tréva_, 1 vol. $70 _Banzo_, 1 vol. $50 _Teatro_, vol. V. $50 _O Turbilhão_ $70
[Figura: _Guerra Junqueiro_]
GUERRA JUNQUEIRO
_PÁTRIA_
_Esta é a ditosa pátria minha amada_.
Camões.
TERCEIRA EDIÇÃO
PORTO Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, editores--Rua das Carmelitas, 144
Todos os direitos reservados
DO MESMO AUTOR
(Edições de LÉLO & IRMÃO)
_A Velhice do Padre Eterno_ (edição profusamente ilustrada por Leal da Câmara), 1 vol. br. 1$00 _A Vitória da França_ $10 _Pátria_, 3.^a edição, 1 vol. br. $80 _Finis Patriae_ $30 _O Crime_ $20 _Lágrima_ $10 _Oração ao Pão_ $12 _Oração à Luz_ $20 _Marcha do ódio_ $30
A ENTRAR NO PRÉLO:
_Oração à Flor_.--_Oração ao Homem_.
A SAIR BREVEMENTE:
_Unidade do Sêr_ (estudo filosófico e scientífico).
PROPRIEDADE DOS EDITORES
_A propriedade literária e artística está garantida em todos os países que aderiram á Convenção de Berne--(Em Portugal, pela lei de 18 de Março de 1911. No Brasil, pela lei n.^o 2577 de 17 de Janeiro de 1912)_.
Porto--Imprensa Moderna
_Á alma do meu amigo
Dr. José Falcão_
_Aos meus amigos
Basílio Teles
José Pereira de Sampaio_
ACTORES
Um doido. O rei. Magnus, duque de S. Vicente de Fóra. Opiparus, príncipe d'Oiro Alegre. Ciganus, marquês de Saltamontes. Astrologus, cronista-mór de el-rei. Iago, antigo cão de fila, dentes pôdres, obeso, gordura flácida. Judas, cão mestiço de lôbo, carcunda, sarnento, olhar falso, injectado de bílis. Veneno, fraldiqueirito anão, ladrinchador e lambareiro.
*PÁTRIA*
Noite de tormenta. Céu caliginoso, mar em fúria, ventanias trágicas, relâmpagos distantes. O castelo do rei à beira-mar. Sala de armas. Nos muros, entre panóplias, os retratos em pé da dinastia de Bragança. Agachados ao lume, os três cães familiares de el-rei,--Iago, Judas, Veneno. Entram Opiparus, Magnus e Ciganus. Sentam-se, afagando os cães. Magnus poisa na mesa um pergaminho com o sêlo rial. É o tratado com a Inglaterra.
SCENA I
CIGANUS, _apontando o pergaminho e rindo_:
Necrológio a assinar pelo defunto!
MAGNUS, _com gravidade_:
É urgente: Salvamo-nos...
OPIPARUS, _acendendo um charuto_:
Perdendo a honra... felizmente! Inda bem! inda bem! vai-se a _ária das Quinas_...
MAGNUS, _convicto_:
Glorioso pendão sôbre um castelo em ruínas...
OPIPARUS:
O pendão! o pendão!... um trapo bicolor, A que hoje o mundo limpa o nariz... por favor.
CIGANUS:
Emquanto a mim, que levem tudo, o reino em massa, Pouco importa; o demónio é que o levem de graça. Mas agora acabou-se!... e, em logar de protesto, Vejamos antes se o ladrão nos compra o resto... Um bom negócio... hein?!... manobrado com arte...
OPIPARUS, _soprando o fumo do charuto_:
プレビュー章Part 2プレビュー
CIGANUS:
Meu caro duque, muito bem... Vamos agora, Resolvida a questão, assinar sem demora O pergaminho...
O REI:
Assinarei... Deixem ficar.
CIGANUS:
E emquanto às convulsões do leão popular, Como diria o nobre duque, afoitamente Respondo pelo bicho: um cão ladrando à gente: Dobrei guardas, minei as pontes à cautela, E fica a artilharia em volta à cidadela. Não há p'rigo nenhum. Durma El-rei sem temor. Boa noite, Senhor...
MAGNUS, _curvando-se até ao chão_:
Meu Senhor!
OPIPARUS:
Meu Senhor...
Saem os três.
MAGNUS, _vai pensando_:
Ora, se o filho do alfaiate qualquer dia Inaugurava ainda a quinta dinastia!... Eu sentado no trono!... Eu rei de Portugal!!... Que, rei ou presidente, emfim é tudo igual... Muita finura agora e muita vigilância, Observando e aguardando as coisas a distância!... Magnus! lume no ôlho e não te prejudiques... Eu suceder, caramba! a D. Afonso Henriques!!...
SCENA III
*O rei, só*
O temporal aumenta. Relâmpagos e trovões.
O REI:
Não me lembra de ver uma tormenta assim!... Que demónio de noite!... Ando fora de mim, Desvairado... Um veneno oculto me afogueia, Que há três dias que trago uma cabeça alheia Nestes ombros... Que inferno!... É esquisito... é esquisito!... Foi beberagem má... droga horrenda... acredito! Uns vágados de louco, um frenesim medonho... Sonharei, porventura, e será tudo um sonho?!... Acordado ando eu, acordado a valer, Que há três noites não pude ainda adormecer!... Peçonha?... não!... A causa disto... a causa é o doido O raio do fantasma, êsse maldito doido Que me persegue!... tenho mêdo... e vergonha em dizê-lo!... E depois o cronista-mór, um pesadelo Ambulante, um maluco agoireiro e scismático, Com aquelas visões estranhas de lunático, Faz-me mal... faz-me mal... Que o leve o diabo... O certo É que há dentro de mim desarranjo encoberto... Uma insónia danada... um nervoso... um fastio... Misantropia tal que não bebo, nem rio, Nem de toiros me lembro emfim, nem de ir à caça! Mau sangue... Árvore má... Podre... podre... É de raça!...
UMA VOZ TRAGICA, _na escuridão_:
Ai, na batalha destroçado, Ai, na batalha destroçado, Rôta a armadura, ensangùentado, Debaixo duma árvore funesta Fui-me deitar, fui-me deitar... dormir a sésta... Fui-me deitar... dormi... dormi... Endoudeci, enlouqueci Debaixo duma árvore funesta!...
Uivam os cães, espavoridos e furiosos.
O REI:
O doido! o doido! o doido!... Há três noites a fio Que êste vélho alienado, horroroso e sombrio, À volta do palácio, ave negra d'azar, Anda a cantar!... anda a cantar!... anda a cantar!...
Indo ao balcão:
Ei-lo!
(Ao clarão dum relâmpago, destaca-se, de súbito, fronteiro ào castelo o vulto trágico do doido. Um gigante. Rôto, cadavérico, longa barba esquálida, olhos profundos de alucinado, agitando no ar um bordão em círculos de agoiro, cabalísticos. O manto esvoaça-lhe tumultuoso, restos duma bandeira vélha ou dum sudário).
Morro de mêdo!... Há não sei que de extravagante, De inquietador, na voz, nas feições, no semblante Dêste doido... Será um doido porventura?... Mal a sua voz acorda, rouca, a noite escura, Logo os cães a ladrar, a ladrar e a gemer, Como se entrasse a morte aqui sem eu a ver!... Que raio de fantasma!... É coisa de bruxedo... Não ando em mim... não ando bom, tremo de mêdo... Esquisito!...
Sentando-se ao fogão:
Ora adeus! É do tempo... é da lua... Nervoso... Passa... Mas, se o diabo continua Com as trovas de agoiro, eu forneço-lhe o mote, Mandando-o escorraçar a cacete e a chicote.
Vendo o pergaminho sôbre a mesa:
O tratado... Uma léria... Enfastia-me já... Mais preto menos preto, a mim que se me dá?! Por via agora duma horrenda pretalhada Mil barafundas e alvorotos... Que massada! Que massada!... Fazem-me doido, não resisto...
プレビュー章Part 3プレビュー
O REI:
Há muito?
ASTROLOGUS:
Vai fazer três séculos...
CIGANUS:
A vista Do espantalho endojou a mioleira ao cronista...
O REI:
Três séculos!... caramba! então que idade tem? Mil anos?...
ASTROLOGUS:
Quási...
OPIPARUS:
Pronto! endoideceu tambêm!
ASTROLOGUS:
A mil não chega ainda; oitocentos...
CIGANUS:
Coitado! Endoideceu! doido varrido e confirmado!
O REI:
Gracejas?
ASTROLOGUS:
Não perdi a razão, nem gracejo... Acaso, meu Senhor, não vedes, como eu vejo, Neste gigante, em seu aspecto e seu fadário, O quer que seja de extra-humano e de lendário? Maior que nós, simples mortais, êste gigante Foi da glória dum povo o semideus radiante. Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado, Seu torrão dilatou, inóspito montado, Numa pátria... E que pátria! a mais formosa e linda Que ondas do mar e luz do luar viram ainda! Campos claros de milho moço e trigo loiro, Hortas a rir, vergeis noivando em frutos d'oiro, Trilos de rouxinóis, revoadas de andorinhas, Nos vinhedos pombais, nos montes ermidinhas, Gados nédios, colinas brancas, olorosas, Cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas, Selvas fundas, nevados píncaros, outeiros D'olivais, por nogais frautas de pegureiros, Rios, noras gemendo, azenhas nas levadas, Eiras de sonho, grutas de génios e de fadas, Riso, abundância, amor, concórdia, juventude, E entre a harmonia virgiliana um povo rude, Um povo montanhês e heróico à beira-mar, Sob a graça de Deus, a cantar e a lavrar! Pátria feita lavrando e batalhando: Aldeias Conchegadinhas sempre ao torreão de ameias. Cada vila um castelo. As cidades defesas Por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas. E a dar a fé, a dar vigor, a dar o alento, Grimpas de catedrais, zimbórios de convento, Campanários de igreja humilde, erguendo à luz, Num abraço infinito, os dois braços da cruz! E êle, o herói imortal duma empresa tamanha, Em seu tuguriosinho alegre na montanha Simples vivia,--paz grandiosa, augusta e mansa, Sob o burel o arnês, junto do arado a lança. Ao pálido esplendor do ocaso na arribana, Di-lo-íeis, sentado à porta da choupana, Ermitão misterioso, extático vidente, Olhos no mar, a olhar sonambólicamente... --«Águas sem fim! ondas sem fim!... Que mundos novos De estranhas plantas e animais, de estranhos povos, Ilhas verdes alêm... para alêm dessa bruma, Diademadas de aurora, embaladas de espuma!... Oh, quem fôra, através de ventos e procelas, Numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas, A demandar as ilhas d'oiro fulgurantes, Onde sonham anões, onde vivem gigantes, Onde há topázios e esmeraldas a granel, Noites de Olimpo e beijos d'âmbar e de mel!» E scismava e scismava... As nuvens eram frotas Navegando em silêncio a paragens ignotas... --«Ir com elas... fugir... fugir!...»--[~U]a manhã, Louco, machado em punho, a golpes de titã Abateu impiedoso o roble familiar, Há mil anos guardando o colmo do seu lar. Fez do tronco num dia uma barca veleira, Um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira... Manhã d'heróis... levantou ferro... e, visionário, Sôbre as águas de Deus foi cumprir seu fadário. Multidões acudindo ululavam de espanto. Vélhos de barbas centenárias, rosto em pranto, Braços hirtos de dor, chamavam-no... Jàmais! Não voltaria mais!... oh, jàmais... nunca mais!... E a barquinha, galgando a vastidão imensa, Ia como encantada e levada suspensa Para a quimera astral, a músicas de Orfeus... O seu rumo era a luz, seu piloto era Deus! Anos depois volvia à mesma praia emfim Uma galera d'oiro e ébano e marfim, Atulhando, a estoirar, o profundo porão Diamantes de Golconda e rubins de Ceilão. Naiades e tritões e ninfas, ao de leve, Moviam-na a cantar sôbre espáduas de neve. No estandarte uma cruz esquartelando a esfera; E Vénus, voluptuosa, à proa da galera
目次
このエディションの内容
- 01Part 1
- 02Part 2
- 03Part 3
- 04Part 4
- 05Part 5
- 06Part 6
- 07Part 7
- 08Part 8
- 09Part 9
- 10Part 10
- 11Part 11
- 12Part 12