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Literatura
Folhas Caídas
Edição BooksWhale em português por Almeida Garrett
Um livro lírico de amor, perda, desejo, intimidade e maturidade poética.
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Introdução do livro
Folhas Caídas
Folhas Caídas reúne poemas de grande intensidade emocional, marcados por amor, confissão e melancolia. Garrett aproxima a poesia portuguesa de uma voz moderna e pessoal.
Edição BooksWhale
Como esta edição foi preparada
Esta edição se baseia em um texto em domínio público e foi preparada pela BooksWhale para leitura digital.
Base de domínio público
Por que pode ser compartilhada
Almeida Garrett morreu em 1854, e Folhas Caídas foi publicado em 1853; essas datas sustentam o domínio público desta edição em português.
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Folhas Caídas
Almeida Garrett
Capítulo de préviaAdvertênciaPrévia
Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.
A outros versos chamei eu já as últimas recordações de minha vida poética. Enganei o público, mas de boa-fé, porque me enganei primeiro a mim. Protestos de poetas que sempre estão a dizer adeus ao mundo, e morrem abraçados com o louro — às vezes imaginário, porque ninguém os coroa.
Eu pouco mais tinha de vinte anos quando publiquei certo poema, e jurei que eram os últimos versos que fazia. Que juramentos!
Se dos meus se rirem, têm razão; mas saibam que eu também primeiro me ri deles. Poeta na Primavera, no Estio e no Outono da vida, hei-de sê-lo no Inverno, se lá chegar, e hei-de sê-lo em tudo. Mas dantes cuidava que não, e nisso ia o erro.
Os cantos que formam esta pequena colecção pertencem todos a uma época de vida íntima e recolhida que nada tem com as minhas outras colecções.
Essas mais ou menos mostram o poeta que canta diante do público. Das Folhas Caídas ninguém tal dirá, ou bem pouco entende de estilos e modos de cantar.
Não sei se são bons ou maus estes versos; sei que gosto mais deles do que nenhuns outros que fizesse. Porquê? É impossível dizê-lo, mas é verdade. E como nada são por ele nem para ele, é provável que o público sinta bem diversamente do autor. Que importa?
Apesar de sempre se dizer e escrever há cem mil anos o contrário, parece-me que o melhor e o mais recto juiz que pode ter um escritor, é ele próprio, quando o não cega o amor-próprio. Eu sei que tenho os olhos abertos, ao menos agora.
Custa-lhe a uma pessoa, como custava ao Tasso, e ainda sem ser Tasso, a queimar os seus versos, que são seus filhos; mas o sentimento paterno não impede de ver os defeitos das crianças.
Enfim, eu não queimo estes. Consagrei-os ignoto deo. E o deus que os inspirou que os aniquile se quiser: não me julgo com direito de o fazer eu.
Ainda assim, no ignoto deo não imaginem alguma divindade meia velada com cendal transparente, que o devoto está morrendo que lhe caia para que todos a vejam bem clara. O meu deus desconhecido é realmente aquele misterioso, oculto e não definido sentimento d’alma que a leva às aspirações de uma felicidade ideal, o sonho de oiro do poeta.
Imaginação que porventura se não realiza nunca. E daí quem sabe? A culpa é talvez da palavra, que é abstracta de mais. Saúde, riqueza, miséria, pobreza, e ainda coisas mais materiais, como o frio e o calor, não são senão estados comparativos, aproximativos. Ao infinito não se chega, porque deixava de o ser em se chegando a ele.
Logo o poeta é louco, porque aspira sempre ao impossível. Não sei. Essa é uma disputação mais longa.
Mas sei que as presentes Folhas Caídas representam o estado d’alma do poeta nas variadas, incertas e vacilantes oscilações do espírito que, tendendo ao seu fim único, a posse do Ideal, ora pensa tê-lo alcançado, ora estar a ponto de chegar a ele — ora ri amargamente porque reconhece o seu engano — ora se desespera de raiva impotente por sua credulidade vã.
Deixai-o passar, gente do mundo, devotos do poder, da riqueza, do mando, ou da glória. Ele não entende bem disso, e vós não entendeis nada dele.
Deixai-o passar, porque ele vai onde vós não ides; vai, ainda que zombeis dele, que o calunieis, que o assassineis. Vai, porque é espírito, e vós sois matéria.
Capítulo de préviaLIVRO PRIMEIROPrévia
LIVRO PRIMEIRO
Sumário
Nesta edição
- 01Full text
- 02Advertência
- 03LIVRO PRIMEIRO
- 04I. Ignoto Deo
- 05II. Adeus!
- 06III. Quando eu sonhava
- 07IV. Aquela noite!
- 08V. O anjo caído
- 09VI. O álbum
- 10VII. Saudades
- 11VIII. Este inferno de amar
- 12IX. Destino
- 13X. Gozo e dor
- 14XI. Perfume da rosa
- 15XII. Rosa sem espinhos
- 16XIII. Rosa pálida
- 17XIV. Flor de ventura
- 18XV. Bela d’amor
- 19XVI. Os cinco sentidos
- 20XVII. Rosa e lírio
- 21XVIII. Coquette dos prados
- 22XIX. Cascais
- 23XX. Estes sítios!
- 24XXI. Não te amo
- 25XXII. Não és tu
- 26XXIII. Beleza
- 27XXIV. Anjo és
- 28XXV. Víbora
- 29LIVRO SEGUNDO
- 30I. Barca bela
- 31II. A coroa
- 32III. Sina
- 33IV. Ai, Helena!
- 34V. The rose — a sigh
- 35V. A rosa — um suspiro
- 36VI. Retrato
- 37VII. Lucinda
- 38VIII. As duas rosas
- 39IX. Voz e aroma
- 40X. Seus olhos
- 41XI. A Délia
- 42XII. A jovem americana
- 43XIII. Adeus, mãe!
- 44XIV. Ave, Maria
- 45XV. Os exilados
- 46XVI. Preito
- 47XVII. No Lumiar
- 48XVIII. A um amigo
- 49XIX. Os Lusíadas
- 50XIX. La Lusiada
- 51XX. O Tejo
- 52XX. Il Tago
- 53XXI. Canção da donzela finlandesa
- 54XXI. Eyton runo suomalaisen
- 55XXI. Carmen fenicae puellae
- 56TRADUÇÕES LITERAIS
- 57I. Alleman
- 58II. Inglesa
- 59III. Latina
- 60IV. Francesa
Disponibilidade de idiomas
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