BooksWhaleBooksWhale
A Falência cover

葡萄牙语 版本

文学

A Falência

葡萄牙语 BooksWhale 版本 · Júlia Lopes de Almeida

Um romance brasileiro sobre casamento, dinheiro, desejo, comércio e queda social.

预览
文本节选
格式
在线阅读, EPUB, PDF
访问
Library 获取

图书简介

A Falência

A Falência acompanha uma família diante de crises econômicas e afetivas, revelando os limites do casamento, da reputação e do mundo dos negócios. Júlia Lopes de Almeida oferece um retrato vigoroso da sociedade urbana brasileira.

BooksWhale 版本

此版本如何整理

此版本基于公版文本,并由 BooksWhale 整理为适合数字阅读的版本。

公版依据

为什么此版本可以分享

Júlia Lopes de Almeida morreu em 1934, e A Falência foi publicado pela primeira vez em 1901; essas datas sustentam a base de domínio público desta edição no idioma original.

阅读预览

文本节选

预览选自整理后的阅读文本。

预览章节Full text阅读预览

A Falência

Júlia Lopes de Almeida

O Rio de Janeiro ardia sob o sol de dezembro, que escaldava as pedras, bafejando um ar de fornalha na atmosphera. Toda a rua de S. Bento, atravancada por vehiculos pesadões e estrepitosos, cheirava a café cru. Era hora de trabalho.

Entre o fragor das ferragens sacudidas, o gyro ameaçador das rodas e os corcovos de animaes contidos por mãos brutas, o povo negrejava suando, compacto e esbaforido.

A' porta do armazém de Francisco Theodoro era nesse dia grande o movimento. Um carroceiro, em pé dentro do caminhão, onde ageitava as saccas, gritava zangado, voltando-se para o fundo negro da casa:

— Andem com isso, que ás onze horas tenho de estar nas Docas!

E os carregadores vinham, succedendo-se

uma pressa fantástica, atirar as sacas para o fundo do caminhão, levantando no baque nuvens de pó que os envolvia. Uns eram brancos, de peitos cabeludos mal cobertos pela camisa de meia enrugada de algodão sujo: outros negros, nus da cintura para cima, reluzentes de suor, com olhos esbugalhados.

Ao cheiro do café misturava-se o do suor daqueles corpos agitados, cujo sangue se via palpitar nas veias entumescidas do pescoço e dos braços.

No desespero da pressa, o carroceiro soltava imprecações, aos berros, furioso contra os outros carroceiros, que passavam raspando-lhe a caixa do caminhão, todo derreado para a aniagem das sacas, respirando a poeirada que se levantava delas. Os outros respondiam com iguais impropérios, que os cocheiros dos tílburis, em esperas forçadas, ouviam rindo, mastigando o cigarro.

Os carregadores serpeavam por meio de tudo aquilo, como formigas em correição, com a cabeça vergada ao peso da saca, roçando o corpo latejante nas ancas lustrosas dos burros.

Transeuntes recolhiam-se apressados, de vez em quando, para dentro de uma ou outra porta aberta, no pavor de serem esmagados pelas rodas que invadiam as calçadas, resvalando

depois com estrondo para os paralelepípedos da rua.

Aqui, ali e acolá, pretinhas velhas, com um lenço branco amarrado em forma de touca sobre a carapinha, varriam lépidas com uma vassoura de piaçava os grãos de café espalhados no chão. Com o mesmo açodamento peneiravam-nos logo em uma bacia pequena, de folha, com o fundo crivado a prego. Era o seu negócio, que aqueles dias de abundância tornavam próspero. Enriqueciam-se com os sobejos.

Assim, em toda a rua só se viam braços a gesticular, pernas a moverem-se, vozes a confundirem-se, chocando nas pragas, rindo com o mesmo triunfo, gemendo com o mesmo esforço, em uma orquestra barulhenta e desarmônica.

A não serem as africanas do café e uma ou outra italiana que se atrevia a sair de alguma fábrica de sacos com dúzias deles à cabeça, nenhuma outra mulher pisava aquelas pedras, só afeitas ao peso bruto.

Dominava ali o trabalho viril, a força física, movida por músculos de aço e peitos decididos a ganhar duramente a vida. E esses corpos de atletas, e essas vozes que soavam alto num estridor de clarins de guerra, davam à velha rua a

pulsação que o sangue vivo e moço dá a uma artéria, correndo sempre com vigor e com ímpeto.

Já de outras ruas descia aquela onda quente, arfante de trabalho, vinha da rua dos Beneditinos e vinha dos armazéns da rua Municipal, todos atulhados de café, que esvaziavam em profusão para os trapiches e as Docas, tornando-se logo a encher famintamente.

Em uma ou outra soleira de porta trabalhadores sentavam-se descansando um momento, com os cotovelos fincados nos joelhos erguidos, salivando o sarro dos cigarros, a saborear uma fumaça, olhando com indiferença para aquela multidão que passava aos trancos e barrancos, na ânsia da vida, num torvelinho de pó e gritaria.

预览章节— É...预览

— Se meu marido sabe! Olhe... se ele perguntar, você responda que Mário entrou com exaqueca, e que por isso não foi à sala. Ouviu? Diga que ele está dormindo.

— E se ele amanhã perguntar a Dionísio?

— Você previna primeiro o rapaz.

— Também não sei pra que seu Mário faz assim; só pra meter a gente em embrulhos.. -

— Tem paciência, Noca... ele é criança... Amanhã eu lhe darei conselhos...

— Hum... Lia entornou o óleo da lamparina no chão, e eu já fico esperando aborrecimentos. É sabido: azeite entornado, desgosto em casa!

— Cala a boca; lá vem seu Teodoro. Boa noite, Noca!

Francisco Teodoro girou pela casa, verificou se estava tudo bem fechado e fez à mulata as perguntas previstas pela mulher. Depois, já a caminho do dormitório, voltou-se e foi dizer-lhe:

— Olhe, Noca, se a enxaqueca do Mário aumentar, sempre será bom dar-lhe uma pastilha de antipirina...

— Sim, senhor, eu vou ver...

Francisco Teodoro saiu, e a criada suspirou, vexada, abaixando a cabeça.

Era meio-dia, quando o dr. Gervásio saltou do bonde e encaminhou os seus pés bem calçados para a rua dos Beneditinos.

Já o trabalho descia torrencialmente por toda a larga rua. Carroções fragorosos abalavam os paralelepípedos, ameaçando esmagar tudo que topassem adiante, numa chocalhada, aos arrancos dos burros alanhados pelas correias dos chicotes. Carroceiros vermelhos, de grenha suja e pés gretados, esbofavam-se agarrados aos grilhões dos varais, saltando diante das rodas, na bruteza selvagem da sua lida.

Ao alarido das vozes confundidas, misturavam-se o cheiro do café cru e a morrinha do suor de tantos corpos em movimento, como que enchendo a atmosfera de uma substância gordurosa e fétida, sensível à pele pouco afeita a penetrar naquele ambiente.

Através dos cristais da sua luneta de míope, o dr. Gervásio olhava para tudo com o

seu ar curioso, de cabeça erguida e narinas dilatadas, como se o olfato o ajudasse também um pouco a conhecer o porquê e o destino de todas aquelas coisas.

Com a bengala suspensa, os dedos das luvas irrompendo-lhe do bolsinho do veston, a cartola luzidia, a gravata clara, picada pelo brilho faulante de um rubi, ele atravessava como um estrangeiro aquelas ruas, só habituadas aos chapéus de coco, às roupas do trabalho diário, alpacas e brins burgueses, ou aos trapos imundos dos carregadores boçais.

Como tivesse perdido o endereço do velho Mota, teve o dr. Gervásio de subir ao escritório de Francisco Teodoro. No armazém, em baixo, a grita do negócio tocava à loucura: pareciam todos impelidos por molas flexíveis de movimentos rápidos; eram máquinas, não eram homens, aquelas criaturas nunca dobradas ao peso do cansaço...

O dr. Gervásio, presumindo-se de forte pela sua ducha fria e a sua ginástica de quarto, espantava-se da maneira lépida por que aqueles homens tiravam as sacas do alto das pilhas e as punham aos ombros. O seu braço fino, mas valente, sentia-se humilhado diante daqueles bíceps de atletas.

Francisco Teodoro sorria-se do seu espanto,

e para que ele não perdesse de novo o endereço, chamou um rapaz do armazém, o Ribas, e mandou-o acompanhar o médico até a casa do enfermo.

— Será melhor assim; disse ele, não haverá perigo de errar o caminho, porque, conquanto você seja carioca, nesta parte da cidade, olhe que é mais estrangeiro do que eu!

O Ribas sacudiu a poeira do chapéu, enterrou-o até as orelhas enormes, e, balançando os longos braços sem punhos, dentro dum casaco enfiado à pressa, caminhou adiante, todo vergado, como um velho...

E por toda a rua de S. Bento, ele guardou aquela compostura, sem relentar os passos nem voltar a cabeça. Entrado na da Prainha, modificou a atitude de caixeiro em serviço, foi-se deixando ficar atrás, até marchar ao lado do médico, morto por lhe pedir um cigarrinho.

预览章节— É...预览

— Inda bem. Você não parecia português, homem; você parecia inglês!

— Por que?

— Por não querer sócios. Um casão destes pode enriquecer muita gente. Olhe que é um erro isto de querer tudo para si.

Sim, pensou Francisco Teodoro, a vida é curta, e uma fonte cavada com tanto esforço é justo que dê água com abundância para muitas sedes...

Já o Isidoro recolhia as xícaras quando entrou o João Ramos, a bufar de calor. Pediu notícias da saúde de todos e mesmo antes de ouvir as respostas vasou quanto sabia acerca dos negócios. Vinha da casa do Lessa, que auferira lucros extraordinários de uma especulação de café. Ele também se metera em grandes empresas; sacou papelada que lhe enchia os bolsos e representava muitos contos de, réis.

Inocêncio Braga citava nomes de pobretões tornados em milionários, com a alta, quando João Ramos o interrompeu, consultando os amigos se deveria aceitar a presidência de um banco. Ele hesitava...

Inocêncio aconselhou-o a que acedesse. O cargo era de prestígio. Depois, o tempo efervescente do jogo tinha passado. As transações agora faziam-se com mais segurança. Também ele tinha em formação um grande projeto...

Teodoro sufocava; não ouvia falar noutra coisa. O seu vizinho da esquerda e o seu vizinho da direita passavam quantidades fabulosas de libras para a Europa, ganhas no azar do momento. E ele?

As suas reflexões tomaram um curso tristonho. Trabalhara tanto, para afinal alcançar o que os outros adquiriam com um gesto!

A pouco e pouco os seus amigos mais circunspectos iam-se atirando à voragem da Bolsa. Afortunados, como se mão invisível os guiasse, ganhavam quase sempre. Só ele resistira, firme nos seus princípios de moral e de economia. Mas o contágio da febre manifestava-se já nos primeiros arrepios da tentação.

Francisco Teodoro refletia...

Quando os amigos saíram, ele caminhou maquinalmente para a janela.,

Olhou: embaixo a pretinha velha varria pressurosa a calçada, ajuntando o café da rua. Carregadores saíam-lhe da porta, vergados ao peso das sacas. Os carroções passavam cheíssimos, com estardalhaço, chocalhando ferragens, e um rumor compacto de vozes levantava-se no ar espesso, engrossado de pó.

Era o trabalho, que passava, ardente e esbaforido.

Daquele esforço surgiria a redenção do povo. E com suor e lágrimas que se fertilizam os melhores campos.

Da enxada, que fatiga o braço e rasga o seio do barro, é que deriva o bem da humanidade, a água que mata a sede e a árvore que dá sombra e se desmancha em flores.

Abençoados os que não fraquejam e podem no fim da existência erguer bem alto a cabeça sem respingos de vício. Esses não terão patinhado na enxurrada enganadora, esses dirão aos filhos:

— Olhem para a minha vida e façam como eu fiz.

Era 6 que pensava Francisco Teodoro, querendo agarrar-se à sua fé antiga, que temia caísse agora, abalada pela ventania daqueles dias de loucura.

Na saleta de engomar, Noca, com o ferro na mão, sabia do que se passava em toda a casa. Nesse dia ela trouxera uma braçada de roupas para cima de uma cadeira junto da tábua. Lia e Rachel interromperam-na depressa.

— Noca, você corta um vestido para a minha boneca? pediu Lia.

— E outro para a minha, Noca?

— Vão-se embora. Hoje não tenho tempo para conversas.

— Um só, Noca, sim?

— Não faço nada! Amanhã seu pai está a5 gritando que não tem roupa!

Mas as meninas ficaram, trouxeram a rastos uma esteira, sentaram-se nela e a Noca não teve remédio senão cortar os vestidos das bonecas e ainda dar-lhes agulhas, linhas e retalhos. Distribuído o serviço, levantou-se. Nina passava a caminho da despensa e sorriu-lhe; mas a mulata mal correspondeu ao cumprimento,

目录

本版本内容

  1. 01Full text
  2. 02— É...
  3. 03— É...
  4. 04livre, quando, relanceando o olhar pelas paredes estacou surpreendida.

语言版本

其他语言

其他语言版本尚未发布。相关版本上线后,会在这里显示链接。

请求其他语言版本

A Falência

会员 $9.99 / 年 · 获取权益

预览加入