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No Bom Jesus do Monte

葡萄牙语 BooksWhale 版本 · Camilo Castelo Branco

Uma narrativa camiliana ligada a Braga, devoção, encontros sociais, paixão e observação de costumes.

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图书简介

No Bom Jesus do Monte

No Bom Jesus do Monte situa a narrativa no espaço simbólico e social do santuário bracarense, onde devoção, passeio, encontros e paixões se cruzam. Camilo combina cenário português reconhecível, ironia de costumes e intensidade sentimental característica de sua ficção.

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Camilo Castelo Branco morreu em 1890, e No Bom Jesus do Monte pertence à sua produção oitocentista. Essas datas sustentam a base de domínio público do texto português usado nesta edição.

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No Bom Jesus do Monte

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POB

CAMILLO CASTELLO BRANCO

AqttcUas florestas sinto ea atado ainda o cora-

ção por mui tragadoras lembranças. Em diversas

estações da minha vida lá fui a conversar com o

passado que ahi me florira, ou a inflorar esperan-

ças, que reverdeceram no pó d'outras que se des-

fizeram.

iO author — Memorias do Cárcere, T. i.% Pref),

PORTO

EM CASA DE VIUVA MORE - EDITORA

PRAÇA DE D. PEDBO.

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41)3789

TTP06RAPHIA DE SBBASTiXO JOSA PEHBIBA^

RittdoAImadi.64i.

A FRANCISCO HABTINS DE fiOMA lOBAES SABIERIO

DE GUIMARÃES

Meu amigo

Se \ossê, hoje, por volta de duas horas da

tarde, subisse á espinha das serras que sobran-

ceiam o seu magestoso palácio de verdura, e

apontasse de lá o seu oculo para estas eminên-

cias do sul, via-me n'um cabeço de outeiro, que

chamam aqui o castello de Vermoin. No pe-

nhasco mais a pico me assentei, olhando por essas

pradarias fora, até onde a corda de serros me

abalisava o horisonte, para além do qual se trans-

montava o meu espirito a visitar Francisco Mar-

tins entre os seus milhares d'amigos — milha-

res de livros, quero dizer.

— VI

Eu bem sabia que vossê, dobrando a pagina

da brochura, e accendendo o quinquagesimo ci-

garro, acolheria o hospede desenfastiadamente,

perguntando-lhe:

— Que faz no castello de Verraoin a maté- ria que te cá mandou, espirito?

— A matéria que me cá mandou — respon-

deria o êu com ambições de graça — desde que

o amor das christans lhe desmiolou a cavidade

craneana, anda em cata de moiras encantadas,

no Ímpio propósito de moirisar-se, se alguma

o involver nas madeixas negras, destrançadas

com pente d'oiro e pérolas. N'este ruim fadário,

aquella pobre matéria, onde me acho transmi-

grado por efifeito de nSo sei que malfeitorias da

— VII —

minha vida anterior, vagamundeia por castellos

velhos, pardieiros insílveirados, e toda a espécie

de minarias. Eu vou n^aquelle corpo onde me

elle leva; porém assim que sinto latejar-lbe no

coração alguma saudade de amigo, aperto com

elle, estampo-lhe painéis de bem tristes memo-

rias em tudo que possa lisongear-lbe os sentidos

grosseiros, e consigo assim desatar-me da ma-

téria, e avoejar ao amigo, que lhe deu no cora-

ção o rebate da saudade. Por isso aqui estou.

Isto dito, entrava o meu Francisco Martins,

com alçada de amigo e irmão, a syndicar do meu

delegado coisas meramente do foro d'elle, e ha-

via d€ sorrir ás respostas, que o fariam enter-

necer ka dez annos. O meu espirito, porém, con-

— VIU —

tente do seu ridente agasalho, viria diz6r-me:

« Ouviu-me; soffireou em quanto pôde os impul-

sos do riso; mas a final desafogou na mais sensata

das casquinadas, e fallou assim em conclusão :

— Vai-te ao castello de Vermoin, e dizá in-

fausta matéria, cuja és, que se não desçi de lá

sem que a fome e a sede a atormentem.

— Ha ideia philosophica em semelhaite avi-

so ? — perguntaria a minha matéria ao laeu es-

pirito.

— Ha, bruta ! — responderia elle — Quer

dizer que, no estado a que te reduziste, uma só

sensação — fome e sede — te podem aligar agra-

davelmente á realeza plástica. Vem a dizer que

te desças d'esses mundos fumarentos, que :e aze-

— IX —

dam as lagrimas nos olhos e te empeçonham o

ar dos pulmões. Quer dizer que, de espiriluali-

sares em demasia a tua animalidade, tocaste o

extremo da brulificação. Quer dizer que cuides

mais de ti do que de mim, e aqui do coração,

meu néscio \isinho, que tem abusado do meu

nome em vilissimas negociações com a matéria

alheia, fazendo-me perder no\enta e nove por

cento dos meus créditos, grangeados em tanto

lavor de livros, nos quaes eu quiz mostrar que

o conhecia a elle e aos outros. Quer dizer...

— Basta! — interromperia eu — Caro has de

pagar a audácia com que me vens commentar as

palavras do Francisco Martins. Eu te farei aba-

far nas intumecencias da baixa viscera...

— X —

— Do estômago? — ha\ia de elle atalhar —

Relamboría bravata, minha pobre sandia ! To-

mara-te eu mais atuxada de fibra san, e regada

de meandros de bom sangue, que eu me remon-

目录

本版本内容

  1. 01Full text
  2. 02NO BOM JESUS DO MONTE
  3. 031864.
  4. 04NO BOM JESUS DO MONTE
  5. 05D. João d'Azevedo emparelhava comigo na sorte;
  6. 06D. João amava uma mulher rebelde. Imprimiu
  7. 07D. João d' Azevedo deixou Braga em 1851, e foi
  8. 08D. João morreu de uma sobreexcitação moral.
  9. 09D. Miguel de Bragança.
  10. 10D. João de Azevedo e Jacintho Navarro de An-
  11. 11D. Anna de Barros, encostada ao braço da velha ama
  12. 12D. Anna fitou-o, e disse-lhe:
  13. 13D. Anna parecia não entender, e não desfitava
  14. 14D. Maria Rita, quando encarou em sua filha, decor-

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