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O Arco de Sant’Ana
葡萄牙语 BooksWhale 版本 · Almeida Garrett
Um romance histórico português de cidade, conflito popular, poder religioso e imaginação romântica.
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图书简介
O Arco de Sant’Ana
O Arco de Sant’Ana recria o Porto medieval em uma narrativa de intriga, povo, autoridade e paixão romântica. Almeida Garrett combina história nacional, crítica social e energia teatral em um dos romances importantes do romantismo português.
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Almeida Garrett morreu em 1854, e O Arco de Sant’Ana foi publicado em 1845; essas datas sustentam a base de domínio público desta edição portuguesa original.
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O Arco de Sant’Ana
Almeida Garrett
预览章节I – Introdução预览
Mal pensa o voluntário acadêmico, quando descendo rua de Sant’Ana
abaixo, o braço no armão da peça, e os olhos na alta
janela donde, entre o festivo azul e branco, lhe sorri constitucional beldade;
e ele vai misturando, no alvoroçado pensamento, conquistas bélicas
e amorosas, as damas que há de render e as guerrilhas que há
de espatifar, – e mais que tudo, as histórias que sobre isso se hão
de contar à noite no refeitório dos Grilos hoje, oh impiedade!
Convertido em casa de tripudio e bambochata de maganos estudantes –
mal pensa ele que terreno clássico vai pisando, por que veneráveis
padrões históricos vai passando sem os conhecer, que interessantíssima
预览章节cena romântica é essa em que, depois de tantos séculos,预览
novo e não menos interessante ator, lhe coube vir figurar.
Falte-te, é verdade, ó nobre e histórica rua de Sant’Ana,
falta-te já aquele teu respeitável e devoto arco, precioso monumento
da religião de nossos antepassados, e que, certo é, mais te
vedava a pouca luz do céu “material” que tuas augustas
dimensões deixam penetrar, mas era ele em sim mesmo, foco da espiritual
luz de devoção que ardia no bendito nicho consagrado à
gloriosa santa do teu nome.
Caíste pois tu, ó arco de Sant’Ana, como, em nossos tristes
e minguados dias, vai caindo quando aí há nobre e antigo às
mãos de inovadores plebeus, para quem nobiliarquias são quimeras,
e os veneráveis caracteres heráldicos de rei-d’armas-Portugal
língua morta e esquecida que nossa ignorância despreza, hieroglíficos
da terra dos Faraós antes de descoberta a inscrição Damieta!
– Assentaram os miseráveis reformadores que uma pouca de luz
mais e uma pouca de imundície menos, em rua já de si tão
escura e mal enxuta, era preferível à conservação
daquele monumento em todos os sentidos respeitável!
Com que “desapontamento” deste meu coração, depois
de tantos anos de ausência, não andei eu procurando, em vão!…
Na rua de Sant’Ana, uma das primeiras que a minha infância conheceu,
as góticas feições daquele arco?… E a alâmpada
que lhe ardia contínua, e os milagres de cera que lhe pendiam à
roda, e toda aquela associação de coisas que me trazia à
memória os felizes dias de minha descuidada meninice! – Meninice
que passou, sem mocidade, a esta tão trabalhosa, tão árida,
tão despegada virilidade, em que não tardam as cãs e
as rugas a visitar-me com mais precoce velhice ainda!
Ai, rua de Sant’Ana! Que é do teu arco e da tua festa, quando
se lhe armava aquele palanque com que ficava uma igreja improvisada, e um
coreto e um púlpito, aonde grasnava a música, berrava o frade,
e toda a vizinhança tinha um dia de folgar?… E muito se rezava e
muito se namorava e muito se comia, e todos iam para o céu –
Ora que o façam hoje!
Foi o célebre fracasso de José U que acabou com a devota festa
e com o meu querido arco também.
José U, para ilustração da presente história
seja dito, era um curioso figurão da minha terra, uma das notabilidades,
– como se dizia em França, e hoje por cá se diz também
já nos botequins – umas das notabilidades desta nobre e sempre
leal cidade. Insigne mestre de capela, trazia arrematadas todas as festas
e oragos menores do Porto e seus subúrbios, sem excetuar os três
São Joões rivais; a saber, São João o velho ou
o republicano, de Cedofeita, – São João o malhado, da Lapa –
São João o realista, do Bonfim.
Com efeito, São João que da fama de pedreiro se não
livra!… Não me faltava ver mais nada.
Era o Sr. José U homem bem apessoado, e de tal capacidade e rotundidade
nas formas posteriores, que, por elegante e popular metonímia, lhe
chamaram a parte pelo todo, e foi apelidado José U, ou José
outra coisa que a gravidade da minha história me não deixa por
aqui mais clara.
Andava, entre outras, de imemorial posse, na sua correição
e jurisdição harmônica, a parte música instrumental
e vocal da festa de Sant’Ana do arco. Corria o ano de 182…, Chegou
o dia da santa, armou-se o palanque, treparam os menestréis ao coreto,
saíram os padres detrás duma janela, principiou a missa cantada,
sobre garraio capucho ao púlpito, começa José U com a
目录
本版本内容
- 01Full text
- 02I – Introdução
- 03cena romântica é essa em que, depois de tantos séculos,
- 04U!
- 05II – A Conversa das Vizinhas
- 06III – O Senhor Estudante
- 07IV – Os Paços do Bispo
- 08V – Vasco
- 09VI – Palestra de Moral
- 10VII – O Alazão
- 11VIII – Parlamento, Discussão
- 12IX – Motim e Assuada
- 13X – Os Legítimos Representantes
- 14XI – Votos! Votos!
- 15XII – Os Cônegos
- 16XIII – Frade e Soldado
- 17XIV – O Gabinete de sua Excelência
- 18XV – “ Ecce Sacerdos Magnus”
- 19XVI – As Ladainhas
- 20XVII – A Procissão
- 21XVIII – Coalização
- 22XIX – Tornemos ao Arco
- 23XX – A Bruxa de Gaia
- 24XXI – E Meu Pai?
- 25XXII – Conspiração e Programa
- 26XXIII – Gertrudes
- 27XXIV – Briolanja
- 28XXV – Revolução
- 29XXVI – E ANINHAS?
- 30XXVII – PECADOS VELHOS
- 31XXVIII – MAIS PECADOS
- 32XXIX – POBBE ANINHAS
- 33XXX – O DITO POR NÃO DITO
- 34XXXI – “SENATUS POPULUSQUE PORTUCALLENSIS”
- 35XXXII – BIL DE INDENIDADE
- 36XXXIII – GUERRA CIVIL
- 37XXXIV – ARMISTICIO
- 38XXXV – ESTA ABERTA A SESSÃO
- 39XXXVI – INTERVENÇÃO
- 40XXXVII – AS TRÊS MULHERES
- 41XXXVIII – CONCLUSÃO
- 42FIM