
Portuguese Edition
Literature
A Neta do Arcediago
Portuguese BooksWhale Edition by Camilo Castelo Branco
A Portuguese historical romance of family secrets, social hierarchy, passion, and the reputations that govern provincial life.
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Book introduction
A Neta do Arcediago
A Neta do Arcediago combines romantic intrigue with Camilo’s fascination for lineage, scandal, and social judgment. The novel moves between private desire and the public consequences of family history.
BooksWhale edition
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This edition is based on a public domain text and has been prepared for digital reading by BooksWhale.
Public domain basis
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Camilo Castelo Branco died in 1890 and A Neta do Arcediago was first published in the nineteenth century. This edition uses the public-domain Portuguese original-language text.
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A Neta do Arcediago
Camilo Castelo Branco
A NETA DO ARCEDIAGO.
A NETA DO ARCEDIAGO.
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CAMILLO CASTELLO-BRANCO.
SEGUNDA EDIÇÃO.
PORTO, EM CASA DE CRUZ COUTINHO--EDITOR, Rua dos Caldeireiros, n.os 18 e 20. 1860.
PORTO: 1860--TYP. DE SEBASTIÃO JOSÉ PEREIRA, Rua do Almada, 641.
A NETA DO ARCEDIAGO.
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UM BERÇO BORRIFADO DE SANGUE.
Convém, primeiro, saber quem é este cavalheiro, que salta garbosamente d'uma carruagem com uma dama vestida de branco, defronte do theatro de S. Carlos, em Lisboa, em uma noite de fevereiro de 1838.
Por não apurar impaciencias, diga-se tudo já. Este cavalheiro é Luiz da Cunha e Faro. Aquella dama é... Nem tanta bondade! Não se póde dizer, por ora, quem é a dama. Se o leitor é esperto, como supponho, ha de adivinhal-a logo, e, de certo, fica muito contente da sua penetração.
Luiz da Cunha e Faro tem vinte e cinco annos. É um homem feio, segundo a opinião masculina, que se acha em harmonia com a sua. Não era esta, porém, a opinião das mulheres. Algumas que por capricho, em publico, o desdenhavam como feio, desmentiam-se em particular... Não digo que fossem todas; mas tambem não é preciso o suffragio de todas para a reputação d'um homem feio.
A que chamam v. ex.as feio? Feio é o demonio, dizia minha avó. São e escorreito é o essencial--dizem as velhas, quando as illusões da formosura não tem nada a fazer com ellas, nem, por isso mesmo, ellas teem direito a optar entre o feio e o bonito.
Luiz da Cunha era trigueiro; tinha a pelle bronzeada da cara pegada aos ossos, que lhe sahiam, principalmente os malares, em proeminencias cadavericas. Os bordos das orbitas muito salientes contribuiam muito para que o brilho dos olhos negros e grandes luzisse mais na escuridade das cavernas, debroadas sempre d'um annel bastante escuro para destacar da côr geral de azeitona. O nariz era notavel pela ausencia total do cavalete. A bôca não se lhe via, coberta pelo bigode espêsso, que se não encaracolava nas guias, e cahia em luzentes recurvas sobre ambos os labios. Ora aqui está o que é um homem feio.
Perguntava muita gente a razão physiologica da côr africana de Luiz, tão diversa da alvura ingleza de seu pae João da Cunha e Faro, que, por esse tempo, contava quarenta e cinco annos, e passava ainda por um dos bellos homens de Lisboa.
Pouca gente respondia physiologicamente a tal reparo, porque muito pouca sabia que Luiz da Cunha era filho d'uma mulata.
Agora é que ninguem poderá allegar ignorancia. Eu tenho a honra de responder á curiosidade, que foi longo tempo a mortificação de pessoas muito sizudas.
Sabia-se geralmente que o nascimento de Luiz fôra uma das multiplicadas aventuras amorosas do fidalgo, seu pae; mas a outra metade productora, o complemento da machina, em que o mysterioso artefacto se fabricára, isso é que os amigos intimos de João da Cunha e Faro ignoravam.
O leitor não perderia muito ignorando tambem. Ainda assim, se não quizerem passar ao capitulo segundo, tambem nada perdem, e ficam sabendo tanto como eu.
João da Cunha frequentára a universidade de Coimbra, quando era mania dos fidalgos deixarem medrar seus filhos na seva opulenta d'uma fidalga estupidez. Em quanto seu irmão mais velho estudava veterinaria para se não deixar enganar em compras de cavallos, João da Cunha estudava mathematicas para se distinguir na carreira militar.
Cursava o segundo anno, com admiravel aproveitamento, quando chegou a Coimbra um moço brazileiro, filho de portuguez, casado com uma mulata, filha d'um rico fazendeiro de café, e fabulosamente rica, segundo era fama.
A intenção do brazileiro era formar-se em naturaes para scientificamente explorar os vastos terrenos do Mexico, onde seu sogro desenterrára o mais grosso do seu cabedal.
E, com effeito, matriculou-se, ao mesmo tempo que sua mulher, desejosa de cultivar o espirito, recebia em casa lições de francez, e inglez.
Ricarda chamava-se ella. Não lhes quero dizer que era bonita, porque receio que zombem da minha franca ingenuidade; porém, não chegue este
Table of contents
Inside this edition
- 01Full text
- 02POR
- 03I.
- 04II.
- 05III.
- 06IV.
- 07V.
- 08VI.
- 09VII.
- 10PERDIDO SEM REDEMPÇÃO
- 11«LUIZ DA CUNHA.»
- 12VIII.
- 13IX.
- 14X.
- 15XI.
- 16XII.
- 17XIII.
- 18XIV.
- 19XV.
- 20XVI.
- 21XVII.
- 22XVIII.
- 23XIX.
- 24FIM
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