
Portuguese Edition
Economics
Cultura e opulência do Brasil
Portuguese BooksWhale Edition by André João Antonil
Um clássico colonial sobre açúcar, mineração, tabaco, pecuária, trabalho, riqueza e economia do Brasil.
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Book introduction
Cultura e opulência do Brasil
Cultura e opulência do Brasil descreve a produção econômica colonial, seus engenhos, minas, lavouras, comércio e relações de trabalho. Esta edição portuguesa interessa a leitores de história econômica, Brasil colonial e formação social atlântica.
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André João Antonil died in 1716, and Cultura e opulência do Brasil was first published in 1711. These dates support the public-domain basis for this Portuguese original edition.
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Cultura e opulência do Brasil
André João Antonil
CULTURA E OPULENCIA
DO BRAZIL,
POR SUAS DROGAS E MINAS.
CULTURA E OPULENCIA
DO BRASIL,
POR SUAS DROGAS E MINAS,
COM VARIAS NOTICIAS CURIOSAS DO MODO DE FAZER O ASSUCAR;
PLANTAR E BENEFICIAR O TABACO; TIRAR OURO DAS MINAS, E
DESCUBRIR AS DA PRATA, E DOS GRANDES EMOLUMENTOS QUE
ESTA CONQUISTA DA AMERICA MERIDIONAL DÁ AO REINO DE
PORTUGAL COM ESTES, E OUTROS GENEROS E CONTRATOS REAES;
Obra de André João Antonil,
OFFERECIDA AOS QUE DESEJÃO VER GLORIFICADO NOS ALTARES
AO VENERAREL PADRE JOSÉ ANCHIETA,
Sacerdote da Companhia de Jezus,
Missionario Apostolico, e novo Thaumaturgo do Brazil.
IMPRESSO EM LISBOA,
EM CASA DE SOUZA E COMP.,
RUA DOS LATOEIROS, N.º 60.
1837.
O EDITOR
AO PUBLICO.
O defunto Conselheiro Diogo de Toledo Lara e Ordonhes possuia hum livro, que estimava tanto, que não o tinha entre os outros na sua estante, mas sim na gaveta pequena de huma commoda. Pedio-se-lhe muitas vezes, que o désse á bibliotheca, hoje publica, ao que nunca se pôde resolver mesmo dando outros, tanto era a estimação em que o tinha.
Procurou-se o livro pois desde o começo do anno de trinta, algum tempo depois da morte do mesmo conselheiro, e não se descobrindo no Rio de Janeiro recorreu-se a seu irmão, e herdeiro, o General Arronches em S. Paulo, o qual contestou que não lhe havia sido remettido.
Ha tres annos pois que, segundo ordens, se fizérão pesquizas em Lisboa, aonde em fins do anno passado se encontrou hum exemplar, declarando o possuidor, que o não venderia por cem mil cruzados, tal he a estimação, em que o tem! mas como homem generozo permittio que se copiasse.
No mesmo tempo destas pesquizas em Lisboa, escreveu-se ao Porto ao celebrado sabio antiquado portuguez João Pedro Ribeiro, o qual depois de varias contestações asseverando o máo resultado das suas indagações, por fim escreveu, e a sua carta chegou com o manuscripto, declarando o nome de quatro pessoas, que possuião exemplares, e entre elles o nome de hum Major, ha pouco chegado alli do Rio de Janeiro; quem sabe se não he o do defunto conselheiro! acrescentando que por sete mil e duzentos réis talvez se obteria hum exemplar, e que o livro fôra prohibido no tempo de El-Rei D. João V pelo governo portuguez.
Brazileiros, que alli acharáõ a certeza de que o seu abençoado paiz já então era a mais rica parte da America em quanto a productos ruraes.
He este rarissimo e interessante livro que se reimprime, contentando-se o editor com a gloria, que lhe toca, de quasi ressuscitar huma joia tão preciosa.
Rio, 1º de Agosto de 1837.
O EDITOR.
CAPITULO III. Da conducção das boiadas do sertão do Brazil: preço
ordinario do gado que se mata, e do que vai para as fabricas 203
CAPITULO IV. Que custa hum couro em cabello, e hum meio de sola
beneficiado até se pôr do Brazil na alfandega de Lisboa 205
CAPITULO V. Resumo de tudo o que vai ordinariamente cada anno
do Brazil para Portugal, e do seu valor 209
CAPITULO ULTIMO. Quanto he justo que se favoreça o Brazil por ser
de tanta utilidade ao reino de Portugal 208
FIM DO INDICE.
AOS SENHORES DE ENGENHOS, E LAVRADORES DO ASSUCAR, E DO TABACO, E AOS
QUE SE OCCUPÃO EM TIRAR OURO DAS MINAS DO ESTADO DO BRAZIL.
Deve tanto o Brazil ao Veneravel Padre José de Anchieta, hum dos primeiros, e mais fervorosos missionarios desta America Meridional;
que a boca cheia o chama seu grande Apostolo, e novo Thaumaturgo, pela luz evangelica, que communicou a tantos milhares de Indios, e pelos innumeraveis milagres, que obrou em vida, e obra continuamente invocado para beneficio de todos. Porém confessar estas obrigações, e não cooperar as glorias de tão insigne bemfeitor, não basta para hum verdadeiro agradecimento, devido justamente, e esperado. Para excitar pois este piedoso affecto nos animos de todos os que mais facilmente podem ajudar como agradecidos obra tão santa, como he a canonisação de hum Varão tão illustre, procurei acompanhar esta justa petição com alguma dadiva, que podesse agradar, e ser de alguma utilidade aos que nos engenhos do assucar, nos partidos, e nas lavouras do tabaco, e nas minas do ouro experimentão favor do Céo com notavel augmento dos bens temporaes. Portanto com esta limitada offerta provoco aquella generosa liberalidade, que não consente ser rogada, por não parecer que dando quer vender beneficios. E ao mesmo Veneravel Padre José de Anchieta peço encarecidamente, que queira alcançar de Deos centuplicada remuneração, na terra e no Céo, a quem se determinar a promover com alguma esmola as suas honras, para que publicadas nos templos, e celebradas nos altares, accrescentem tambem maior gloria áquelle senhor bemfazejo.
Preview chapterCAPITULO PRIMEIRO.Preview
Do cabedal que hade ter o senhor de hum engenho real.
O ser senhor de engenho, he titulo, a que muitos aspirão, porque traz comsigo, o ser servido, obedecido, e respeitado de muitos. E se fôr, qual deve ser, homem de cabedal, e governo; bem se póde estimar no
Brazil o ser senhor de engenho, quanto proporcionadamente se estimão os titulos entre os fidalgos do Reino. Porque engenhos há na Bahia, que dão ao senhor quatro mil pães de assucar, e outros pouco menos, com canna obrigada á moenda, de cujo rendimento logra o engenho ao menos a metade, como de qualquer outra, que nelle livremente se móe: e em algumas partes ainda mais que a metade.
Dos senhores dependem os lavradores, que tem partidos arrendados em terras do mesmo engenho, como os cidadãos dos fidalgos: e quanto os senhores são mais possantes, e bem apparelhados de todo o necessario, affaveis, e verdadeiros; tanto mais são procurados, ainda dos que não tem a canna captiva, ou por antiga obrigação, ou por preço que para isso recebêrão.
Servem ao senhor de engenho em varios officios, além dos escravos de enchada, e fouce, que tem nas fazendas, e na moenda, e fóra os mulatos e mulatas, negros e negras de casa, ou occupados em outras partes; barqueiros, canoeiros, calafates, carapinas, carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores e pescadores. Tem mais cada senhor destes necessariamente hum mestre de assucar, hum banqueiro, e hum contra-banqueiro, hum purgador, hum caixeiro no engenho, e outro na cidade, feitores nos partidos, e roças, hum feitor mór do engenho:
e para o espiritual, hum sacerdote seu capellão; e cada qual destes officiaes tem soldada.
O que tudo bem considerado, assim como obriga a huns homens de bastante cabedal, e de bom juizo, a quererem antes serem lavradores possantes de canna com hum, ou dous partidos de mil pães de assucar, com trinta, ou quarenta escravos de enchada, e fouce; do que senhores de engenhos por poucos annos com a lida, e attenção que pede o governo de toda essa fabrica; assim he para pasmar como hoje se atrevem tantos a levantar engenhocas, tanto que chegárão a ter algum numero de escravos, e achárão quem lhes emprestasse alguma quantidade de dinheiro para começar a tratar de huma obra, de que não são capazes por falta de governo, e diligencia; e muito mais por ficarem logo na primeira safra tão empenhados com dividas, que na segunda, ou terceira já se declarão perdidos: sendo juntamente causa, que os que fiárão delles, dando-lhes fazenda e dinheiro, tambem quebrem, e que outros zombem da sua mal fundada presumpção, que tão depressa converteu em palha seca aquella primeira verdura de huma apparente, mas enganosa esperança.
E ainda que nem todos os engenhos sejão reaes, nem todos puxem por tantos gastos, quantos até aqui temos apontado: comtudo, entenda cada qual, que com as mortes, e com as secas que de improvizo apertão, emirrão a canna, e com os desastres, que a cada passo succedem, crescem os gastos mais do que se cuidava. Entenda tambem, que os pedreiros, e carapinas, e outros officiaes desejosos de ganhar a custa alheia, lhe facilitaráõ tudo de tal sorte, que lhe parecerá o mesmo levantar hum engenho, que huma sanzalla de negros; e quando começar a ajuntar os aviamentos, achará ter já despendido tudo quanto tinha antes de se pôr pedra sobre pedra, e não terá com que pagar as soldadas, crescendo de improvizo os gastos, como se fossem por causa das enxurradas dos rios.
Tambem se não tiver capacidade, modo, e agencia que se requer na boa disposição e governo de tudo, na eleição dos feitores, e officiaes, na boa correspondencia com os lavradores, no trato da gente sujeita na conservação, e lavoura das terras, que possue, e na verdade e pontualidade com os mercadores, e outros seus correspondentes na praça, achará confusão, e ignorancia no titulo de senhor de engenho, donde esperava acrescentamento de estimação, e de credito. Por isso, tendo já fallado do que pertenceu ao cabedal, que ha de ter, tratarei agora de como se ha de haver no governo; e primeiramente da compra, e conservação das terras, e seus arrendamentos aos lavradores que tem; e logo da eleição dos officiaes que hade admittir ao seu serviço, apontando as obrigações, e as soldadas de cada hum delles, conforme o estilo dos engenhos reaes da Bahia, e ultimamente do governo domestico da sua familia, filhos, e escravos; recebimento dos hospedes, e pontualidade em dar satisfação a quem deve; do que depende a conservação do seu credito, que he o melhor cabedal dos que se presão de honrados.
Preview chapterCAPITULO II.Preview
Como se hade haver o senhor de engenho na compra, e na conservação das terras, e nos arrendamentos dellas.
Se o senhor de engenho não conhecer a qualidade das terras, comprará salões por massapés, e apicús por salões. Por isso valha-se das informações dos lavradores mais entendidos, e attente não sómente a barateza do preço, mas tambem a todas as conveniencias, que se hão de buscar para ter fazenda com cannaveaes, pastos, agoas, roças e matos;
e em falta destes, commodidade para ter a lenha mais perto que puder ser, e para escusar outros inconvenientes, que os velhos lhe poderão apontar, que são os mestres a quem ensinou o tempo, e a experiencia, o que os moços ignorão.
Muitos vendem as terras que tem, por cançadas, ou falta de lenha;
outros porque se não atrevem a ouvir tantos recados semelhantes aos que se davão a Job, do partido queimado, dos bois atolados, dos escravos mortos, e do assucar perdido. Outros obrigados a vender contra vontade por causa dos acredores, que os apertão, bem póde ser que offereção terras novas, e fortes; porém o comprador corre então outro risco de comprar demandas eternas pelas obrigações, e hypothecas, a que estão por repetidas vezes sujeitas. Por tanto, nesse caso falle o comprador com os letrados; pergunte aos acredores, que he o que pretendem, e se fôr necessario com autoridade do Juiz, cite a todos para saber o que na verdade se deve, nem conclua a compra, antes de ver com seus olhos, que he o que compra, que titulos de dominio tem o vendedor, e se os ditos bens são vinculados, ou livres; e se tem parte nelles orfãos, mosteiros, ou igrejas, para que se não falte ao fazer da escriptura a alguma condição, ou solemnidade necessaria. Veja tambem as demarcações das terras, se forão medidas por justiça, e se os marcos estão em ser, ou se ha mister avivental-os; que taes são os cohereos, a saber se amigos de justiça, de verdade e de paz, ou pelo contrario trapasseiros, desenquietos, e violentos, porque não ha peior peste que hum máo visinho.
Feita a compra não falte a seu tempo a palavra que deu, pague e seja pontual nesta parte, e se attende a conservação, e melhoramento do que comprou, e principalmente use de toda a diligencia para defender os marcos e as aguas de que necessita para moer o seu engenho; e mostre aos filhos, e aos feitores os ditos marcos para que saibão o que lhes pertence, e possão evitar demandas, e pleitos, que são huma continua desenquietação d’alma, e hum continuo sangrador de rios de dinheiro, que vai a entrar nas casas dos Advogados, Solicitadores, e Escrivães, com pouco proveito de quem promove o pleito, ainda quando alcança, depois de tantos gastos, e desgostos, em seu favor a sentença. Nem deixe os papeis, e as escripturas que tem na caixa da mulher, ou sobre huma mesa exposta ao pó, ao vento, á traça, e ao cupim; para que depois não seja necessario mandar dizer muitas missas a Santo Antonio, para achar algum papel importante que desappareceu, quando houver mister exhibi-lo. Porque lhe acontecerá que a criada, ou serva tire duas, ou tres folhas da caixa da senhora, para embrulhar com ellas o que mais lhe agradar: e o filho mais pequeno tirará tambem algumas da mesa, para pintar carretas, ou para fazer barquinhos de papel, em que naveguem moscas, e grillos, ou finalmente o vento fará que vôem fóra da casa sem pennas.
Para ter lavradores obrigados ao engenho, he necessario passar-lhes arrendamento das terras, em que hão de plantar. Estes costumão fazer-se por nove annos, e hum de despejo, com a obrigação de deixarem plantadas tantas tarefas de canna: ou por desoito annos, e mais, com as obrigações, e numero de tarefas, que assentarem, conforme o costume da terra. Porém ha de se advertir, que os que pedem arrendamento, sejão fazendeiros, e não destruidores da fazenda; de sorte que sejão de proveito, e não de damno. E na escriptura do arrendamento se hão de pôr as condições necessarias: v. g., que não tirem páos reaes, que não admittão outros em seu lugar nas terras, que arrendão, sem consentimento do senhor dellas, e outras que se julgarem necessarias, para que algum delles mais confiado de lavrador, se não faça logo senhor. E para isso seria boa prevenção, ter huma formula, ou nota de arrendamento, feita por algum Letrado dos mais experimentados, com declaração de como se haverão, despejando, ácerca das bemfeitorias;
Table of contents
Inside this edition
- 01Full text
- 02CAPITULO PRIMEIRO.
- 03CAPITULO II.
- 04CAPITULO III.
- 05CAPITULO IV.
- 06CAPITULO V.
- 07CAPITULO VI.
- 08CAPITULO VII.
- 09CAPITULO VIII.
- 10CAPITULO IX.
- 11CAPITULO X.
- 12CAPITULO XI.
- 13CAPITULO XII.
- 14CAPITULO PRIMEIRO.
- 15CAPITULO II.
- 16CAPITULO III.
- 17CAPITULO IV.
- 18CAPITULO V.
- 19CAPITULO VI.
- 20CAPITULO VII.
- 21CAPITULO VIII.
- 22CAPITULO IX.
- 23CAPITULO X.
- 24CAPITULO XI.
- 25CAPITULO XII.
- 26CAPITULO PRIMEIRO.
- 27CAPITULO II.
- 28CAPITULO III.
- 29CAPITULO IV.
- 30CAPITULO V.
- 31CAPITULO VI.
- 32CAPITULO VII.
- 33CAPITULO VIII.
- 34CAPITULO IX.
- 35CAPITULO X.
- 36CAPITULO XI.
- 37CAPITULO XII.
- 38CAPITULO PRIMEIRO.
- 39CAPITULO II.
- 40CAPITULO III.
- 41CAPITULO IV.
- 42CAPITULO V.
- 43CAPITULO VI.
- 44CAPITULO VII.
- 45CAPITULO VIII.
- 46CAPITULO IX.
- 47CAPITULO X.
- 48CAPITULO XI.
- 49CAPITULO XII.
- 50CAPITULO PRIMEIRO.
- 51CAPITULO II.
- 52CAPITULO III.
- 53CAPITULO IV.
- 54CAPITULO V.
- 55CAPITULO VI.
- 56CAPITULO VII.
- 57CAPITULO VIII.
- 58CAPITULO IX.
- 59CAPITULO X.
- 60CAPITULO XI.
- 61CAPITULO XII.
- 62CAPITULO XIII.
- 63CAPITULO XIV.
- 64CAPITULO XV.
- 65CAPITULO XVI.
- 66CAPITULO XVII.
- 67CAPITULO PRIMEIRO.
- 68CAPITULO II.
- 69CAPITULO III.
- 70CAPITULO IV.
- 71CAPITULO V.
- 72CAPITULO ULTIMO.
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