Portuguese Edition
Literature
Lendas e Narrativas
Portuguese BooksWhale Edition by Alexandre Herculano
Narrativas históricas portuguesas de memória medieval, conflito, crença, honra e imaginação romântica.
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Book introduction
Lendas e Narrativas
Lendas e Narrativas reúne episódios em que Alexandre Herculano transforma a história portuguesa em ficção de atmosfera, honra, fé, ruína e conflito moral. A obra aproxima crónica, lenda e romance histórico, explorando mosteiros, cavaleiros, reis, guerras, devoção e a memória nacional vista pela sensibilidade romântica.
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This edition is based on a public domain text and has been prepared for digital reading by BooksWhale.
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Alexandre Herculano died in 1877, and Lendas e Narrativas was first published in 1851. These dates support the public-domain basis for this original-language edition.
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Lendas e Narrativas
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This e-text is transcribed from the 1858 2nd edition of Lendas e Narrativas (Tomo I).
Preview chapterADVERTENCIAPreview
A Advertência que precedia a anterior edição, e que adiante vae repetida, explica sobejamente porque as primeiras tentativas de um género de escriptos, que só muito tarde foi cultivado em Portugal, se publicaram em volumes, quando talvez não devessem sair das columnas dos jornaes, onde viram a luz publica. Considerámo-los então, e considerâmo-los agora apenas como balisas no campo da nossa historia litteraria, balisas que nos parecem ainda mais toscas actualmente; porque ao passo que a reflexão e o tempo nos amaduram o espirito, os defeitos de composição e de estylo cada vez se vão avolumando mais aos olhos da nossa consciência retrospectiva. Reputando-os, todavia, hoje como ha oito annos, simples marcos milliarios, a presente edição absolve-se pelos mesmos títulos porque devia ser absolvida a edição anterior.
Esperávamos, e dissemo-lo sinceramente, que estas desadornadas tentativas esqueceriam em breve offuscadas pelas brilhantes composições que começavam a avultar no caminho que havíamos aberto. O publico enleodeu de outro modo. Sem deixar de apreciar o melhor, não esqueceu estes mal delineados esboços, que ficaram na sua memória como nos ficam para a saudade os dias do nosso balbuciar infantil.
Quinze a vinte annos são decorridos desde que se deu um passo, bem que débil, decisivo, para quebrar as tradições do Alivio de Tristo e do Feliz Independente, tyrannos que reinavam sem émulos e sem conspirações na provincia do romance português. Nestes quinze ou vinte annos creou-se uma litteratura e póde dizer-se que não ha anno que não lhe traga um progresso. Desde as Lendas e Narrativas até o livro Onde está a Felicidade? que vasto espaço transposto! E todavia, apesar do immenso talento que se revela nas mais recentes composições, quem sabe se entre os nomes que despontam apenas nos horisontes litterarios, não virá em breve algum que offusque os que nos deixaram para nós somente um bem modesto logar?
Oxalá que assim seja. Os que nos venceram n'esta lucta gloriosa saberão resignar-se como nós nos resignámos.
Ajuda, maio de 1858.
Preview chapterADVERTENCIA DA PRIMEIRA EDIÇÃOPreview
Os breves romances e narrativas contidos neste volume foram impressos, em epochas mais ou menos remotas, nas duas publicações periodicas o Panorama e a Illustração, bem como o foram nestes ou em outros jornaes os que tem de formar o segundo volume das Lendas e Narrativas, colleccão que, se trabalhos mais arduos o consentirem, será continuada com alguns outros, apenas esboçados ou ineditos no todo ou em parte, que ainda restam entre os manuscriptos do auctor. Corrigindo-os e publicando-os de novo, para se ajunctarem a composições mais extensas e menos imperfeitas, que já viram a luz publica em volumes separados, elle quiz apenas preservar do esquecimento, a que por via de regra são condemnados mais cedo ou mais tarde os escriptos inseridos nas columnas das publicações periodicas, as primeiras tentativas do romance historico que se fizeram na lingua portuguesa. Monumentos dos esforços do auctor para introduzir na litteratura nacional um genero amplamente cultivado, nestes nossos tempos, em todos os paizes da Europa, é este o principal, ou talvez o unico merecimento delles; o titulo de que podem valer-se para não serem entregues de todo ao esquecimento. À singeleza da invenção, a pouca firmeza nos contornos de alguns caractéres, o menos bem travado do dialogo, imperfeições que nem sempre foi possivel remediar nesta nova edição, revelam a mão inexperiente. Na historia dos progressos litterarios de Portugal, desde que a liberdade politica trouxe a liberdade do pensamento, e que o engenho pôde apparecer á luz do dia sem os anginhos de uma censura tão absurda na sua indole, como estupida na sua applicação e esterilisadora nos seus effeitos; nessa historia, dizemos, esta nova edição deve ser julgada principalmente com attenção ao seu motivo, á prioridade das composições nella insertas, e á precisão em que, ao escreve-las, o auctor se via de crear a substancia e a fórma; porque para o seu trabalho faltavam absolutamente os modelos domesticos.
A critica para ser justa não ha-de, porém, attender só a essas circumstancias: ha-de considerar também os resultados destas tentativas, que, a principio, é licito suppôr inspiraram outras analogas, como por exemplo os "Irmãos Carvajales" e "O que foram Portuguezes" do Sr. Mendes Leal, e gradualmente incitaram a maioria dos grandes talentos da nossa litteratura a emprehenderem composições analogas de mais largas dimensões, e melhor delineadas e vestidas. Todos conhecem o "Arco de Sanct'Anna", cujo ultimo volume acaba de imprimir o primeiro poeta português deste seculo, o "Um ano na Côrte" do Sr. Corvo, cuja publicação se aproxima do seu termo, e o "Odio Velho Não Cansa" do Sr. Rebello da Silva, ensaio que, se as eloquencias parvoas e semsabores dos dicursos academicos não tivessem tornado indecentes as allusões mythologicas, se poderia comparar ao combate com o leão de Citheron, que revelou á Grecia no moço Hercules o futuro semideus; porque no Odio Velho começa a manifestar-se o auctor da "Mocidade de D. João V", romance de que já se imprimiram algumas paginas admiraveis, mas que na parte inedita, que é quasi tudo, nos promete um emulo de Walter-Scott. Emfim o "Conde de Castella" do Sr. Oliveira Marreca, vasta concepção, posto que ainda incompleta, foi porventura inspirado pelo exemplo destas fracas tentativas, e das que, em dimensões maiores, o auctor emprehendeu no Eurico e no Monge de Cister. Caracter grave e austero, dignos dos tempos antigos, e que a providencia collocou em meio de uma sociedade gasta e definhada por muitos generos de corrupções, como uma condemnação muda; homem sobre tudo de sciencia e consciencia, o Sr. Marreca trouxe estes seus dotes eminentes para o campo do romance historico, onde ninguem, talvez, como elle poderia fazer a Portugal o serviço que DuMonteil fez á França, isto é, popularisar o estudo daquela parte da vida publica e privada dos seculos semi-barbaros, que não cabe no quadro da historia social e politica.
Table of contents
Inside this edition
- 01Full text
- 02ADVERTENCIA
- 03ADVERTENCIA DA PRIMEIRA EDIÇÃO
- 04O ALCAIDE DE SANTARÉM (950--961)
- 05ARRHAS POR FORO D'HESPANHA (1371-2)
- 06D. Diniz tinha-se tornado pallido como cera. Não respondeu nada; mas dos olhos rebentaram-lhe duas lagrymas.
- 07D. Fernando voltou-se rapido para a porta do aposento. Fr. Roy estava immovel diante delle.
- 08D. Leonor estendeu a mão para a especie de portada romana, que se erguia solitaria no meio do terreiro deserto:
- 09MIL DOBRAS PÉ-TERRA E TREZENTAS BARBUDAS
- 10D. Leonor lançou para o judeu um olhar d'escarneo, e proseguiu:
- 11MESTRE BARTHOLOMEU CHAMBÃO
- 12UMA BARREGAN RAINHA.
- 13D. Fernando poz-se a olhar fito para seu irmão, enleiado, ao que parecia, em scismar profundo.
- 14D. Leonor levou ambas as mãos ao rosto, e via-se-lhe arquejar o collo formoso por mal contido suspiro.
- 15JURAMENTO--PAGAMENTO.
- 16D. Leonor Telles tinha razão para rir.
- 17D. Leonor trinmphára.
- 18D. Leonor não respondeu.
- 19D. Gonçalo Telles aproximou-se então da cadeira de D. Fernando, e curvou um joelho em terra.
- 20NOTA FINAL.
- 21O CASTELLO DE FARIA (1373)
- 22A ABOBADA (1401)
- 23O CÉGO.
- 24MESTRE OUGUET.
- 25O AUTO.
- 26UM REI CAVALLEIRO.
- 27D. João I, que ouvira a pergunta, respondeu em vez do pagem:
- 28O VOTO FATAL.
- 29D. João I fez um signal de assentimento ao parecer do seu antigo padre espiritual.
- 30FIM DO TOMO I.
- 31O ALCAIDE DE SANTAREM
- 32ARRHAS POR FORO D'HESPANHA
- 33I A Arraya-miuda
- 34II O Beguino
- 35III Um Bulhão e uma Agulha de Alfaiate
- 36IV Mil Dobras Pé-terra e trezentas Barbudas
- 37V Mestre Bartholomeu Chambão
- 38VI Uma Barregan Rainha
- 39VII Juramento--Pagamento
- 40O CASTELLO DE FARIA
- 41A ABOBADA
- 42I O Cégo
- 43II Mestre Ouguet
- 44III O Auto
- 45IV Um Rei Cavalleiro
- 46V O Voto Fatal
- 47A DAMA-PÉ-DE-CABRA
- 48RIMANCE DE UM JOGRAL
- 49SECULO XI
- 50TROVA PRIMEIRA.
- 51TROVA SEGUNDA.
- 52TROVA TERCEIRA
- 53D. Inigo volveu os olhos: um jumento silvestre pascia na orla da clareira juncto de um frondoso carvalho.
- 54O BISPO NEGRO
- 55NOTA
- 56A MORTE DO LIDADOR
- 57O PAROCHO DA ALDEIA
- 58PROLOGO.
- 59A ALDEIA E O PRESBYTERIO.
- 60NOITADAS PAROCHIAES.
- 61UMA ESCORREGADELA.
- 62ALHOS E BUGALHOS.
- 63EXCURSO PATRIOTICO.
- 64BARTHOLOMEU DA VENTOSA.
- 65TANTAENE ANIMIS?
- 66VIII
- 67GLORIA AO PADRE PRIOR.
- 68DE JERSEY A GRANVILLE.
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