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Literatura
Iracema
Edición BooksWhale en portugués de José de Alencar
Um romance indianista brasileiro sobre origem, amor, natureza e mito nacional.
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Introducción del libro
Iracema
Iracema narra uma história de amor e perda ligada à formação simbólica do Brasil. José de Alencar combina paisagem, mito, linguagem poética e imaginação histórica.
Edición BooksWhale
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Por qué puede compartirse
José de Alencar morreu em 1877, e Iracema foi publicado em 1865; essas datas sustentam o domínio público desta edição em português.
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Iracema
José de Alencar
Á TERRA NATAL
UM FILHO AUSENTE
Capítulo de vista previaMEU AMIGOVista previa
Este livro vae naturalmente encontral-o no seu pittoresco sitio da varzea, no doce lar, que povoa a numerosa prole, alegria e esperança do casal.
Imagino que é a hora mais ardente da sesta.
O sol a pino dardeja raios de fogo sobre as areias nataes: as aves emmudecem; as plantas languem. A natureza soffre a influencia da poderosa irradiação tropical, que produz o diamante e o genio, as duas mais sublimes expressões do poder creador.
Os meninos brincam na sombra do outão, com pequenos ossos de rezes, que figuram a boiada. Era assim que eu brincava, ha quantos annos, em outro sitio, não muito distante do seu. A dona da casa terna e incansavel manda abrir o côco verde, ou prepara o saboroso creme do burity para refrigerar o esposo, que pouco ha recolheu de sua excursão pelo sitio, e agora repousa embalando-se na macia e commoda rêde.
Abra então este livrinho, que lhe chega da côrte imprevisto. Percorra suas paginas para desenfastiar o espirito das cousas graves que o trazem occupado.
Talvez me desvaneça amor do ninho, ou se illudam as reminiscencias da infancia avivadas recentemente. Senão, creio que ao abrir o pequeno volume, sentirá uma onda do mesmo aroma silvestre e bravio que lhe vem da varzea. Derrama-o a briza que perpassou os espathos da carnauba e a ramagem das aroeiras em flôr.
Essa onda é a inspiração da patria que volve a ella, agora e sempre, como volve de continuo o olhar do infante para o materno semblante que lhe sorri.
O livro é cearense. Foi imaginado ahi, na limpidez d'esse céo de cristallino azul, e depois vasado no coração cheio das recordações vivaces de uma imaginação virgem. Escrevi-o para ser lido lá, na varanda da casa rustica ou na fresca sombra do pomar, ao doce embalo da rêde, entre os murmures do vento que crepita na arêa ou farfalha nas palmas dos coqueiros.
Para lá, pois, que é o berço seu, o envio.
Mas assim mandado por um filho ausente, para muitos extranho, esquecido talvez dos poucos amigos, e só lembrado pela incessante desaffeição, qual sorte será a do livro?
Que lhe falte hospitalidade, não ha temer. As auras de nossos campos parecem tão impregnadas d'essa virtude primitiva, que quantas raças habitem ahi a inspiram com o halito vital. Receio sim que seja recebido como extrangeiro e hospede na terra dos meus.
Se, porém, ao abordar ás plagas do Mocoribe, fôr acolhido pelo bom cearense, presado de seus irmãos ainda mais na adversidade do que nos tempos prosperos, estou certo que o filho de minha alma achará na terra de seu pae, a intimidade e conchego da familia.
O nome de outros filhos ennobrece nossa provincia na politica e na sciencia; entre elles o meu, hoje apagado, quando o trazia brilhantemente aquelle que primeiro o creou. N'este momento mesmo a espada heroica de muito bravo cearense vae ceifando no campo da batalha ampla messe de gloria.
Quem não pode illustrar a terra natal canta as lendas suas, sem metro, na rude toada de seus antigos filhos.
Acolha pois a primeira mostra e offereça-a a nossos patricios a quem é dedicada.
Este pedido foi um dos motivos de lhe endereçar o livro: o outro lhe direi depois que o tenha lido.
Muita cousa me occorre dizer sobre o assumpto, que talvez devera anticipar á leitura da obra, para prevenir a surpreza de alguns e responder ás observações ou reparos de outros.
Mas sempre fui avêsso aos prologos; em meu conceito elles fazem á obra, o mesmo que o passaro á fructa antes de colhida; roubam as primicias do sabor litterario. Por isso me reservo para depois.
Na ultima pagina me encontrará de novo; então conversaremos a gosto, em mais liberdade do que teriamos n'este portico do livro, onde as etiquetas mandam receber o publico com a gravidade e reverencia devida a tão alto senhor.
Capítulo de vista previaIRACEMAVista previa
IRACEMA
Índice
Dentro de esta edición
- 01Full text
- 02MEU AMIGO
- 03IRACEMA
- 04I
- 05II
- 06III
- 07IV
- 08V
- 09VI
- 10VII
- 11VIII
- 12IX
- 13X
- 14XI
- 15XII
- 16XIII
- 17XIV
- 18XV
- 19XVI
- 20XVII
- 21XVIII
- 22XIX
- 23XX
- 24XXI
- 25XXII
- 26XXIII
- 27XXIV
- 28XXV
- 29XXVI
- 30XXVII
- 31XXVIII
- 32XXIX
- 33XXX
- 34XXXI
- 35XXXII
- 36XXXIII
- 37CARTA AO DR. JAGUARIBE
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