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Literatura

O Olho de Vidro

Edición BooksWhale en portugués de Camilo Castelo Branco

Um romance de intriga, observação e segredo em torno de uma presença inquietante.

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Introducción del libro

O Olho de Vidro

Camilo usa o motivo do olho de vidro para criar uma narrativa de suspeita e aparência, em que a curiosidade expõe paixões, ressentimentos e relações de poder.

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O Olho de Vidro

Camilo Castelo Branco

Capítulo de vista previaXXIIIVista previa

O OLHO DE VIDRO

TYPOGRAPHIA DA PARCERIA ANTONIO MARIA PEREIRA —RUA AUGUSTA, 44, 46 E 48— LISBOA

OBRAS DE CAMILLO CASTELLO BRANCO

Edição popular das suas principaes obras em 80 volumes in-8.º, de 200 a 300 paginas Impressa em bom papel, typo elzevir

250 réis em brochura e 400 réis encadernado

1—Coisas espantosas. 2—As tres irmans. 3—A engeitada. 4—Doze casamentos felizes. 5—O esqueleto. 6—O bem e o mal. 7—O senhor do Paço de Ninães. 8—Anathema. 9—A mulher fatal. 10—Cavar em ruinas. 11 e 12—Correspondencia epistolar. 13—Divindade de Jesus. 14—A doida do Candal. 15—Duas horas de leitura. 16—Fanny. 17, 18 e 19—Novellas do Minho. 20 e 21—Horas de paz. 22—Agulha em palheiro. 23—O olho de vidro. 24—Annos de prosa. 25—Os brilhantes do brasileiro. 26—A bruxa do Monte-Cordova. 27—Carlota Angela. 28—Quatro horas innocentes. 29—As virtudes antigas. 30—A filha do Doutor Negro. 31—Estrellas propicias. 32—A filha do regicida. 33 e 34—O demonio do ouro. 35—O regicida. 36—A filha do arcediago. 37—A neta do arcediago. 38—Delictos da mocidade. 39—Onde está a felicidade? 40—Um homem de brios. 41—Memorias de Guilherme do Amaral. 42, 43 e 44—Mysterios de Lisboa. 45 e 46—Livro negro do padre Dinis. 47 e 48—O judeu. 49—Duas épocas da vida. 50—Estrellas funestas. 51—Lagrimas abençoadas. 52—Lucta de gigantes. 53 e 54—Memorias do carcere. 55—Mysterios de Fafe. 56—Coração, cabeça e estomago. 57—O que fazem mulheres. 58—O retrato de Ricardina. 59—O sangue. 60—O santo da montanha. 61—Vingança. 62—Vinte horas de liteira. 63—A queda d'um anjo. 64—Scenas da Foz. 65—Scenas contemporaneas. 66—O romance d'um rapaz pobre. 67—Aventuras de Bazilio Fernandes Enxertado. 68—Noites de Lamego. 69—Scenas innocentes da comedia humana. 70 e 71—Os Martyres. 72—Um livro. 73—A Sereia. 74—Esboços de apreciações litterarias. 75—Cousas leves e pesadas. 76— Theatro : I—Agostinho de Ceuta.—O marquez de Torres-Novas. 77— Theatro : II—Poesia ou dinheiro?—Justiça.—Espinhos e flôres.—Purgatorio e Paraizo. 78— Theatro : III—O Morgado de Fafe em Lisboa.—O Morgado de Fafe amoroso.—O ultimo acto.—Abençoadas lagrimas! 79— Theatro : IV—O condemnado.—Como os anjos se vingam.—Entre a flauta e a viola. 80— Theatro : V—O Lobis-Homem.—A Morgadinha de Val-d'Amores.

1—Coisas espantosas.

2—As tres irmans.

3—A engeitada.

4—Doze casamentos felizes.

5—O esqueleto.

6—O bem e o mal.

7—O senhor do Paço de Ninães.

8—Anathema.

9—A mulher fatal.

10—Cavar em ruinas.

11 e 12—Correspondencia epistolar.

13—Divindade de Jesus.

14—A doida do Candal.

15—Duas horas de leitura.

16—Fanny.

17, 18 e 19—Novellas do Minho.

20 e 21—Horas de paz.

22—Agulha em palheiro.

23—O olho de vidro.

24—Annos de prosa.

25—Os brilhantes do brasileiro.

26—A bruxa do Monte-Cordova.

27—Carlota Angela.

28—Quatro horas innocentes.

29—As virtudes antigas.

30—A filha do Doutor Negro.

31—Estrellas propicias.

32—A filha do regicida.

33 e 34—O demonio do ouro.

35—O regicida.

36—A filha do arcediago.

37—A neta do arcediago.

38—Delictos da mocidade.

39—Onde está a felicidade?

40—Um homem de brios.

41—Memorias de Guilherme do Amaral.

42, 43 e 44—Mysterios de Lisboa.

45 e 46—Livro negro do padre Dinis.

47 e 48—O judeu.

49—Duas épocas da vida.

50—Estrellas funestas.

51—Lagrimas abençoadas.

52—Lucta de gigantes.

53 e 54—Memorias do carcere.

55—Mysterios de Fafe.

56—Coração, cabeça e estomago.

57—O que fazem mulheres.

58—O retrato de Ricardina.

Capítulo de vista previaPROLOGOVista previa

(DA 1.ª EDIÇÃO)

O eminente bibliographo e meu prezado amigo Innocencio Francisco da Silva, historiando em breves linhas a vida quasi obscura de Braz Luiz d'Abreu, conclue com estas palavras: Se algum dos nossos romancistas actuaes se resolvesse a tratar o assumpto, affigura-se-me que a vida d'este nosso medico, com os curiosissimos incidentes que ficam apontados, lhe dariam sobeja materia para a fabrica de uma composição, onde mediante a lição dos escriptos, que nos restam de Braz Luiz, poderiam fundir-se habilmente especies mui interessantes para d'ahi resultar obra de cunho verdadeiramente nacional .

Os termos em que o convite é feito animam e ao mesmo tempo assustam. Comecei temerariamente a composição d'este romance: máo foi principial-o, que eu sou tão pouco cioso de aprimorar escriptos d'esta ordem, que não me fórro ao perigo de concluil-os e imprimil-os, ainda quando me desagradam.

Não direi o que penso d'este: assevero, porém, que não está de certo realisada a esperança do meu amigo Innocencio Francisco da Silva. Se a biographia do author do Portugal-medico é mina para locupletar romancistas, vão lá todos, que eu não toquei nos veios mais ricos.

Porto, 3 de março de 1866.

Camillo Castello Branco.

INTRODUCÇÃO

Francisco Luiz d'Abreu, estudante do segundo anno medico na universidade de Coimbra, estava, por volta das onze horas da noite de 28 de janeiro de 1692, estudando, no seu Vila Corta , as theorias de Galeno ácerca das purgas— de purgatione .—Embebecido e pasmado nas virtudes drasticas dos olhos de caranguejo, apenas tinha um todo-nada de espanto para celebrar os não menos miraculosos effeitos da pelle de cobra, quando, tão a deshoras, duas aldrabadas na porta o roubaram ao seu enlevo. Francisco encapuzou-se no gabão, e abriu as portadas da janella que dava sobre o Becco das Flores , becco assim denominado por antiphrase, figura de rethorica tolerantissima que permitte denominar-se flores o adubo de que ellas tiram a seiva putrida, mais tarde evaporada em aromas.

—Quem é—perguntou o estudante, apertando as azas nasaes, com ingrato despreso das boninas da sua rua.—Quem é o vadio?

—Sou eu!—respondeu quem quer que era, abrindo pequeno respiraculo por sobre o ferragoulo, que lhe envolvia todo rosto.

—Tu!...—exclamou Abreu com alvoroço.—Vou abrir! Pois és tu?!

Algum motivo mysterioso tinha o academico para descer ás escuras a precipitosa escada, contando as escaleiras e raspando com o pé cauteloso sobre cada degrau. Aberta a porta recebeu nos braços com ardente vehemencia o interruptor de seus estudos, e tão alheado ficou das suas considerações therapeuticas sobre a pelle de cobra, que nem já os olhos de caranguejo lhe lembravam.

—Tu aqui, Antonio de Sá!—tornou Francisco.—Eu fazia-te na India!... Sobe, meu desventurado rapaz, que não ha ainda duas horas que os teus condiscipulos te lamentaram, especialmente José de Barredo se arrepellava por ter sido teu confidente n'esses funestissimos amores que te perderam...

—Com razão!...—murmurou o outro—com razão me lamentaste, que eu sou desgraçado, quanto póde sel-o n'este mundo um rapaz de vinte annos.

—E que magro estás!... atalhou Francisco Luiz, achegando-lhe do rosto a candeia de lata, que despregou do velador.—Como estás acabado!...

—Se te parece!... um anno quasi sem ar, nem sol; passado de terrores... Como não queres que eu esteja pallido e descarnado?! São assim todos os rostos que se lavam com lagrimas...

—Pobre Antonio!...—atalhou o outro muito consternado—Se, ao menos, tivesses fugido de Portugal, como nós suppunhamos, terias céo e ar... Senta-te, homem!... Queres tu comer?

—Quero.

—Ainda bem! A desgraça não te quebrantou o antigo estomago... Aqui tens queijos, figos e bolos de Santa Clara... Olha que ainda duram os amores da freira... Aqui tens o coração da freira n'estas trouxas d'ovos. Carne não na ha, e não sei onde vá procural-a a esta hora... Queres tu uma sôrda? Essa faço-t'a eu: estão alli os alhos; e, á mingoa de azeite, cosinha-se com o da candeia, e depois conversaremos ás escuras.

Índice

Dentro de esta edición

  1. 01Full text
  2. 02XXIII
  3. 03PROLOGO
  4. 04I Informações
  5. 05II Não era mãe!...
  6. 06III O faro das bestas-feras
  7. 07IV Resposta
  8. 08V A piedosa eloquencia do frade
  9. 09VI Braz Luiz
  10. 10VII Exemplo de honestidade aos medicos
  11. 11VIII Má sina de poetas
  12. 12IX Poeta e moralista
  13. 13X Os expatriados
  14. 14XI Treze annos depois
  15. 15XII Historia de Antonio de Sá
  16. 16XIII Seguimento da historia
  17. 17XIV O segredo horrivel
  18. 18XV Angustias que existiram
  19. 19XVI O padre Braz
  20. 20XVII O inferno, como elle é possivel
  21. 21XVIII Catequeze
  22. 22XIX O velho da ermida
  23. 23XX Parecia christão na morte!
  24. 24XXI Como se póde viver!
  25. 25I (Pag. 23)
  26. 26III (Pag. 39)
  27. 27XI (Pag. 112)

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