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Littérature
Amor de Perdição
Édition BooksWhale en portugais par Camilo Castelo Branco
Um romance passional sobre amor impossível, família, honra e destino trágico.
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Introduction du livre
Amor de Perdição
Amor de Perdição narra uma história de paixão contrariada, conflito familiar e fatalidade, tornando-se uma das obras centrais do romantismo português.
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Camilo Castelo Branco morreu em 1890, e Amor de Perdição foi publicado em 1862; essas datas sustentam o domínio público desta edição em português.
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Amor de Perdição
Camilo Castelo Branco
Chapitre d'aperçuDedicatóriaAperçu
AO ILLUSTRISSIMO B EXCELLENTISSIMO SENHOR ANTONIO MARIA DE FONTES PEREIRA DE MELLO DEDICA O Author. Ill. mo e Ex. mo Snr. Ha de pensar muita gente que V. Ex. a não dá valor algum a este livro, que a minha gratidão lhe dedica, porque muita gente está persuadida que ministros do estado não lêem novellas. É um engano. Uma vez ouvi eu um collega de V. Ex. a discorrer no parlamento ácerca de caminhos de ferro. Com tanto engenho o fazia, de tantas flôres matizára aquella árida materia, que me deleitou ouvil-o. Na noite d’esse dia encontrei o collega de V. Ex. a a lêr a Fanny, aquella Fanny, que sabia tanto de caminhos de ferro como eu. Que V. Ex.^a tem romances na sua bibliotheca, é convicção minha. Que lá tem alguns, que não leu porque o tempo lhe falece, e outros porque não merecem tempo, também o creio. Dê V. Ex.ª, no lote dos segundos, um logar a este livro, e terá assim V.
Ex.ª significado que o recebe e aprecia, por levar em si o nome do mais agradecido e respeitador criado de V. Ex.ª Na cadêa da Relação do Porto, aos 26 de Setembro de 1861. Camillo Castello Branco.
Chapitre d'aperçuPrefacioAperçu
Folheando os livros de antigos assentamentos, no cartorio das cadêas da Relação do Porto, li, no das entradas dos presos desde 1803 a 1805, a folhas 232, o seguinte: Simão Antonio Botelho, que assim disse chamar-se, ser solteiro, e estudante na Universidade de Coimbra, natural da cidade de Lisboa, e assistente na occasião de sua prisão na cidade de Vizeu, idade de dezoito annos, filho de Domingos José Correia Botelho e de D. Rita Preciosa Caldeirão Castello-Branco, estatura ordinaria, cara redonda, olhos castanhos, cabello e barba preta, vestido com jaqueta de baetão azul, collête de fustão pintado e calça de panno pedrez. E fiz este assento, que assignei. Filippe Moreira Dias. Á margem esquerda d’este assento está escripto: Foi para a India em 17 de Março de 1807. Não será fiar demasiadamente na sensibilidade do leitor, se cuido que o degredo de um moço de dezoito annos lhe havia de fazer do. Dezoito annos!
O arrebol dourado e escarlate da manhã da vida! As louçanias do coração que ainda não sonha em fructos, e todo se embalsama no perfume das flores! Dezoito annos! O amor d’aquella idade! A passagem do seio da familia, dos braços de mãe, dos beijos das irmās para as caricias mais doces da virgem, que se lhe abre ao lado como flor da mesma sazão e dos mesmos aromas, e á mesma hora da vida! Dezoito annos!... E degradado da patria, do amor, e da familia! Nunca mais o ceo de Portugal, nem liberdade, nem irmãos, nem mãe, nem rehabilitação, nem dignidade, nem um amigo!... É triste! O leitor de certo se compungia; e a leitora se lhe dissessem, em menos de uma linha, a historia d’aquelles dezoito annos, choraria! Pois não?
A olhos enchutos poderia ouvil-a a mulher, a creatura mais bem formada das branduras da piedade, a que por vezes traz comsigo do ceo um reflexo da divina misericordia, essa, a minha leitora, a carinhosa amiga de todos os infelizes não choraria se lhe dissessem que o pobre moço perdêra honra, rehabilitação, patria, liberdade, irmãs, mãe, tudo, por amor da primeira mulher que o despertou do seu dormir de innocentes desejos?! Chorava, chorava! Assim eu lhe soubesse dizer o doloroso sobresalto que me causaram aquellas linhas, de proposito procuradas, e lidas com amargura e respeito e, ao mesmo tempo, odio. Odio, sim... A tempo verão se é perdoavel o odio, ou se antes me não fora melhor abrir mão desde já de uma historia que me pode acarear enojos dos frios julgadores do coração, e das sentenças que eu aqui lavrar contra a falsa virtude de homens, feitos barbaros, em nome de sua honra.
Table des matières
Dans cette édition
- 01Full text
- 02Dedicatória
- 03Prefacio
- 04Primeira Parte
- 05Capítulo I
- 06Capítulo II
- 07Capítulo III
- 08Capítulo IV
- 09Capítulo V
- 10Capítulo VI
- 11Capítulo VII
- 12Capítulo VIII
- 13Capítulo IX
- 14Capítulo X
- 15Segunda Parte
- 16Capítulo I
- 17Capítulo II
- 18Capítulo III
- 19Capítulo IV
- 20Capítulo V
- 21Capítulo VI
- 22Capítulo VII
- 23Capítulo VIII
- 24Capítulo IX
- 25Capítulo X
- 26Conclusão
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