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Littérature
Contos Fluminenses
Édition BooksWhale en portugais par Machado de Assis
Um clássico de domínio público sobre contos urbanos, sociedade, ironia e observação psicológica, em uma edição limpa de leitura.
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Introduction du livre
Contos Fluminenses
Contos Fluminenses de Machado de Assis é um clássico de domínio público sobre contos urbanos, sociedade, ironia e observação psicológica. Esta edição portuguesa apresenta o texto em formato claro e legível.
Édition BooksWhale
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Cette édition repose sur un texte du domaine public et a été préparée par BooksWhale pour la lecture numérique.
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Machado de Assis morreu em 1908, e Contos Fluminenses foi publicado pela primeira vez por volta de 1870. Essas datas sustentam a base de domínio público do texto usado nesta edição.
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Contos Fluminenses
Machado de Assis
Chapitre d'aperçuMiss DollarAperçu
Era conveniente ao romance que o leitor ficasse
muito tempo sem saber quem era Miss Dollar. Mas
por outro lado, sem a apresentação de Miss Dollar,
seria o autor obrigado a longas digressões, que encherião o papel sem adiantar a acção. Não ha hesitação possivel:
vou apresentar-lhe Miss Dollar.
Se o leitor é rapaz e dado ao genio melancolico,
imagina que Miss Dollar é uma Ingleza pallida e
delgada, escassa de carnes e de sangue, abrindo á
flôr do rosto dous grandes olhos azues e sacudindo
ao vento umas longas tranças louras. A moça em
questão deve ser vaporosa e ideal como uma creação de Shakespeare; deve ser o contraste do roatsbeef britannico, com que se alimenta a liberdade do
Reino-Unido. Uma tal Miss Dollar deve ter o
poeta Tennyson de cór e ler Lamartine no original;
se souber o portuguez deve deliciar-se com a
leitura dos sonetos de Camões ou os Cantos de Gonçalves
Dias. O chá e o leite devem ser a alimentação
de semelhante creatura, addicionando-se-lhe
alguns confeitos e biscoutos para acudir ás urgencias
do estomago. A sua falla deve ser um murmurio
de harpa eolea; o seu amor um desmaio, a sua
vida uma contemplação, a sua morte um suspiro.
A figura é poetica, mas não é a da heroina do
romance.
Supponhamos que o leitor não é dado a estes
devaneios e melancolias; n’esse caso imagina uma
Miss Dollar totalmente differente da outra. D’esta
vez será uma robusta Americana, vertendo sangue
pelas faces, fórmas arredondadas, olhos vivos e ardentes,
mulher feita, refeita e perfeita. Amiga da
boa mesa e do bom copo, esta Miss Dollar preferirá
um quarto de carneiro a uma pagina de Longfellow,
cousa naturalissima quando o estomago reclama,
e nunca chegará a comprehender a poesia
do pôr do sol. Será uma boa mãi de familia segundo
a doutrina de alguns padres-mestres da civilisação,
isto é, fecunda e ignorante.
Já não será do mesmo sentir o leitor que tiver passado a segunda mocidade e vir diante de si uma velhice sem recurso. Para esse, a Miss Dollar verdadeiramente digna de ser contada em algumas paginas, seria uma boa Ingleza de cincoenta annos, dotada com algumas mil libras esterlinas, e que, aportando ao Brasil em procura de assumpto para escrever um romance, realisasse um romance verdadeiro, casando com o leitor alludido. Uma tal Miss Dollar seria incompleta se não tivesse oculos verdes e um grande cacho de cabello grisalho em cada fonte. Luvas de renda branca e chapéo de linho em fórma de cuia, serião a ultima demão d’este magnifico typo de ultra-mar.
Mais experto que os outros, acode um leitor dizendo que a heroina do romance não é nem foi Ingleza, mas Brasileira dos quatro costados, e que o nome de Miss Dollar quer dizer simplesmente que a rapariga é rica.
A descoberta seria excellente, se fosse exacta; infelizmente nem esta nem as outras são exactas. A Miss Dollar do romance não é a menina romantica, nem a mulher robusta, nem a velha litterata, nem a Brasileira rica. Falha d’esta vez a proverbial perspicacia dos leitores; Miss Dollar é uma cadellinha galga.
Para algumas pessoas a qualidade da heroina fará perder o interesse do romance. Erro manifesto. Miss Dollar, apezar de não ser mais que uma cadellinha galga, teve as honras de ver o seu nome nos papeis publicos, antes de entrar para este livro. O Jornal do Commercio e o Correio Mercantil publicárão nas columnas dos annuncios as seguintes linhas reverberantes de promessa :
« Desencaminhou-se uma cadellinha galga na noite de hontem, 30. Acode ao nome de Miss Dollar. Quem a achou e quizer levar á Rua de Matacavalos nº…, receberá duzentos mil réis de recompensa. Miss Dollar tem uma colleira ao pescoço fechada por um cadeado em que se lêem as seguintes palavras: « De tout mon cœur. »
Chapitre d'aperçuCapítulo IAperçu
Capítulo I
Table des matières
Dans cette édition
- 01Full text
- 02Miss Dollar
- 03Capítulo I
- 04Capítulo II
- 05Capítulo III
- 06Capítulo IV
- 07Capítulo V
- 08Capítulo VI
- 09Capítulo I
- 10Capítulo II
- 11Capítulo III
- 12Capítulo IV
- 13Capítulo V
- 14Capítulo VI
- 15Capítulo VII
- 16Capítulo VIII
- 17Capítulo IX
- 18Capítulo X
- 19Capítulo XI
- 20Capítulo I
- 21Capítulo II
- 22Capítulo III
- 23Capítulo IV
- 24Capítulo V
- 25Capítulo VI
- 26Capítulo VII
- 27Capítulo I
- 28Capítulo II
- 29Capítulo III
- 30Capítulo IV
- 31Capítulo V
- 32Capítulo VI
- 33Capítulo VII
- 34Capítulo I
- 35Capítulo II
- 36Capítulo III
- 37Capítulo IV
- 38Capítulo I
- 39Capítulo II
- 40Capítulo III
- 41Capítulo IV
- 42Capítulo V
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