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Letteratura
Mensagem
Edizione BooksWhale in portoghese di Fernando Pessoa
Um livro poético sobre mito, história, destino e imaginação espiritual.
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Introduzione al libro
Mensagem
Mensagem é a única obra em português publicada em livro por Fernando Pessoa durante sua vida. O volume transforma figuras históricas, mitos e símbolos portugueses em uma meditação poética sobre identidade, destino, império, perda e esperança. Esta edição BooksWhale apresenta o texto original português para leitura online, EPUB e PDF, sujeito à confirmação final do texto-fonte utilizado.
Edizione BooksWhale
Come è stata preparata
Questa edizione si basa su un testo di pubblico dominio ed è stata preparata da BooksWhale per la lettura digitale.
Base di pubblico dominio
Perché può essere condivisa
Fernando Pessoa morreu em 1935. Em jurisdições de vida do autor mais 70 anos, suas obras entraram em domínio público a partir de 2006. A publicação final deve confirmar que o texto-fonte português usado é de domínio público no mercado-alvo.
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Mensagem
Fernando Pessoa
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Benedictus Dominus Deus noster qui dedit nobis signum
O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.
A Europa jaz, posta nos cotovellos: De Oriente a Occidente jaz, fitando, E toldam-lhe romanticos cabellos Olhos gregos, lembrando. O cotovello esquerdo é recuado; O direito é em angulo disposto. Aquelle diz Italia onde é pousado; Este diz Inglaterra onde, afastado, A mão sustenta, em que se appoia o rosto. Fita, com olhar sphyngico e fatal. O Occidente, futuro do passado. O rosto com que fita é Portugal.
Vendem os Deuses o que dão. A gloria compra-se a desgraça. Ai dos felizes, porque são Só o que passa! Baste a quem basta o que lhe basta! O bastante de lhe bastar! A vida é breve, a alma é vasta: Ter é tardar. Foi com desgraça e com vileza Que Deus ao Christo definiu : Assim o oppoz à Natureza E Filho o ungiu
O mytho é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus É um mytho brilhante e mudo O corpo morto de Deus, Vivo e desnudo. Este, que aqui aportou, Foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo E nos creou. Assim a lenda se escorre A entrar na realidade, E a fecundal-a decorre. Em baixo, a vida, metade De nada, morre.
Se a alma que sente e faz conhece Só porque lembra o que esqueceu, Vivemos, raça, porque houvesse Memoria em nós do instincto teu. Nação porque reincarnaste, Povo porque resuscitou Ou tu, ou o de que eras a haste — Assim se Portugal formou. Teu ser é como aquella fria Luz que precede a madrugada, E é já o ir a haver o dia Na antemanhã, confuso nada.
Indice
In questa edizione
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