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Literatura

A Confederação dos Tamoyos

Edición BooksWhale en portugués de Domingos José Gonçalves de Magalhães

Um poema épico sobre a resistência tamoia reúne personagens indígenas, conflitos coloniais e descrições da natureza brasileira em dez cantos.

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Introducción del libro

A Confederação dos Tamoyos

Gonçalves de Magalhães narra em versos os conflitos entre povos indígenas e colonizadores no Brasil do século XVI. Aimbire e outros chefes tamoios conduzem a ação, entre combates, alianças, perdas e relações com os missionários. Os dez cantos associam narrativa histórica, imaginação épica e descrições da natureza, revelando uma interpretação romântica da formação brasileira e do lugar dos indígenas na história nacional.

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Esta edición se basa en un texto de dominio público y fue preparada por BooksWhale para lectura digital.

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Domingos José Gonçalves de Magalhães faleceu em 1882; a obra foi publicada pela primeira vez em 1856. Esta edição apresenta o texto original português em domínio público.

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A Confederação dos Tamoyos

Capítulo de vista previaDedicatóriaVista previa

Á

SUA MAGESTADE IMPERIAL

O SENHOR D. PEDRO II

IMPERADOR CONSTITUCIONAL E DEFENSOR

PERPETUO DO BRASIL.

SENHOR

Não é um simples motivo de particular gratidão por especiaes favores devidos a Vossa Magestade Imperial, e sim um sentimento mais patriotico de profunda admiração, e elevado reconhecimento pela prosperidade do nosso paiz, devida á sabedoria, justiça e amor ás instituições livres, que tão altamente brilham no Throno na Augusta Pessoa de Vossa Magestade Imperial; é este nobre sentimento que me inspira a ideia de offerecer e dedicar a Vossa Majestade Imperial este meu trabalho litterario, como um tributo espontaneo de um subdito fiel ao melhor dos Monarchas.

Vossa Magestade Imperial deseja ser amado pelas suas virtudes publicas e privadas, que tanto edificam; e o Brasil todo o ama e o admira.

Si os bens materiaes, que crescem todos os dias entre nós, assás apregoam a solicitude de Vossa Magestade em promovel-os, muito mais apregoam a sabedoria do seu governo, os bens moraes e politicos de que gozamos, e pelos quaes velhas nações da Europa ainda hoje derramam rios de sangue.

A instrucção publica propaganda e protegida, a completa liberdade da imprensa, a independencia da tribuna, a tolerancia dos cultos, os publicos empregos franqueados a todas as capacidades e talentos, o desentravamento do commercio; todos estes grandes bens, e os que delles necessariamente se derivam, ahi estão para apresentar o Brasil como uma nação constituida segundo a dignidade da natureza humana, e conforme os dictames da esclarecida razão e da boa politica, e dar ao mesmo tempo de Vossa Magestade Imperial ao mundo a ideia de um Principe perfeito, todo empenhado em promover o bem do seu povo.

Taes sendo os justos motivos da minha gratidão, ninguem poderá taxar-me de lisonjeiro.

Digne-Se Vossa Magestade Imperial acceitar a minha offerta, e acolher Benigno os meus ardentes votos pela vida e prosperidade de Vossa Magestade Imperial.

Beija as sagradas mãos de Vossa Magestade Imperial o

De Vossa Magestade Imperial

Subdito fiel e reverente

Domingos José Gonçalves de Magalhães.

Capítulo de vista previaCanto I — ARGUMENTO.Vista previa

Invocação ao sol e aos Genios dos bosques do Brasil.— Primazia desta parte d’America.— O Amazonas e o Paraná.— Nada é comparavel ás bellezas desta natureza virgem.— Seus indigenas.— Perseguição contra elles.— Aimbire, o mais audaz dos chefes Tamoyos, confedera todas aquellas tribus contra os Portuguezes.— Para esse fim vai elle procurar Pindobuçú, e o acha dando sepultura a um filho.— Lança Aimbire uma pedra sobre essa sepultura, que encerra talvez o cadaver de um amigo; e recordando-se do tempo da sua infancia, saúda a terra em que nasceo, e a que volta depois de longa ausencia.— Pindobuçú o reconhece, e lhe diz que o morto é Comorim seu filho.— Lamenta Aimbire a perda do companheiro da sua infancia.— Conta-lhe Pindobuçú como fôra o filho mortalmente ferido defendendo sua irmã Iguassú, atacada por alguns Portuguezes, dos quaes tres ou quatro foram mortos na lucta.— Jura Aimbire vingar a morte do amigo; e aproveita a occasião para ligar aquella tribu contra os Portuguezes.

Oh sol, astro propicio que abrilhantas

Do creado universo altos prodigios;

Que aos bosques dás verdor, doçura aos fructos,

E os petalos das flores vario esmaltas!

Oh sol, vital principio, que na terra

O tenro germe da semente aqueces,

E o fecundas co’os teus benignos raios:

Luzeiro perennal, nume adorado

Dos innocentes filhos da Natura,

Que mal seu Creador, seu Deos conhecem!

Oh sol, hoje m’inflamma a mente ousada,

Que azas desprende p’ra mais altos vôos.

Vós, solitarios Genios dos desertos

Do meu patrio Brasil, nunca invocados

Té-qui por nenhum vale, a cujas vozes

Doçura deram do Carioca as aguas;

Genios, que outr’ora com choroso accento

Suspiros repetistes lamentosos

De tantas malfadadas tribus de Indios,

Que viram do Europêo n’ávida espada

O sangue gotejar dos caros filhos,

Das esposas, dos pais, e dos parentes;

Doces inspirações prestai-me, oh Genios!

Dos Tamoyos o intrepido ardimento,

Tão fatal á colonia portugueza,

Do olvido sorvedor hoje exhumemos:

Na mente bafejai-me imagens que ornem

Dos filhos dos sertões a sorte adversa.

Das Americas plagas venturosas,

Que ás mais plagas do mundo nada invejam,

Ufana-se o Brasil como a primeira.

Formosa é sempre ahi a Natureza,

Eterna a primavera, o outono eterno.

Em leitos diamantinos pura lympha

Rega seus campos em caudaes correntes.

Innumeras, pujantes catadupas,

Voz dando á solidão, em crystaes curvos

De rochedos alpestres precipitam-se;

E de horrendo estridor pejando os ermos,

De valle em valle, entre asperas fraguras,

Onde atroam tambem gritos das feras,

Das serpes os sibillos, e os trinados

Dos passaros, e a voz dos roucos ventos,

Viva orchestra parece a Natureza,

Que a grandeza de Deos, sublime, exalta.

Balisa natural ao Norte avulta

O das aguas gigante caudaloso,

Que pela terra alarga-se vastissimo;

Do Oceano rival, ou rei dos rios,

Si é que o nome de rei o não abate;

Pois mais que o rei supera em pompa e brilho

No solio á multidão em torno curva,

Supera o Amazonas na grandeza

A quantos rios ha grandes no mundo!

O Kiang, o Nilo, o Volga, o Mississípe,

Inda que as aguas suas reunissem,

Com elle competir não poderiam.

Ao lado seu direito, e ao esquerdo lado

Mil feudatarios rios vem pagar-lhe

Tributo perennal de suas aguas.

Resupino gigante se afigura,

Qual outro Briarêo, mas verdadeiro,

Que estende os braços p’ra abarcar a terra!

Pujante assim no Atlantico se entranha,

Ante sí repellindo o argenteo salso,

Como si elle na terra não coubera,

Ou como de inundal-a receioso

Si mais longo e mais lento a discorresse!

O Amazonas co’o Oceano furioso

Lucta renhida trava interminavel

Para roubar-lhe o leito; e ronca e espuma,

Qual no lago, enlaçada a cauda a um tronco,

Feroz sucuriúba horrida ronca

Quando sente mover-se á flôr das aguas

Lontra ligeira, ou anta descuidada,

E inchando as fauces, a cabeça eleva,

Índice

Dentro de esta edición

  1. 01Full text
  2. 02Dedicatória
  3. 03Canto I — ARGUMENTO.
  4. 04Canto II — ARGUMENTO.
  5. 05Canto III — ARGUMENTO.
  6. 06Canto IV — ARGUMENTO.
  7. 07Canto V — ARGUMENTO.
  8. 08Canto VI — ARGUMENTO.
  9. 09Canto VII — ARGUMENTO.
  10. 10Canto VIII — ARGUMENTO.
  11. 11Canto IX — ARGUMENTO.
  12. 12Canto X — ARGUMENTO.

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