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Literatura
Tentação
Edición BooksWhale en portugués de Adolfo Caminha
Caminha acompanha um casal provinciano na sociedade carioca, onde convivência, desejo e prestígio põem à prova vínculos pessoais e expectativas.
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Introducción del libro
Tentação
Adolfo Caminha acompanha Evaristo e Adelaide, um casal que deixa a vida provinciana e passa a conviver com os ambientes sociais do Rio de Janeiro. Novas relações e hábitos expõem os personagens a desejos, comparações e conflitos de interesse. O romance observa as tensões entre casamento, aparência e posição social, com a atenção ao comportamento e às circunstâncias que caracteriza a prosa naturalista do autor.
Edición BooksWhale
Cómo se preparó esta edición
Esta edición se basa en un texto de dominio público y fue preparada por BooksWhale para lectura digital.
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Por qué puede compartirse
Adolfo Caminha faleceu em 1897; a obra foi publicada pela primeira vez em 1896. Esta edição apresenta o texto original português em domínio público.
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Tentação
Capítulo de vista previaDedicatóriaVista previa
A Raul Pompeia, o mais original e correto escritor brasileiro de seu tempo.
Capítulo de vista previaCapítulo IVista previa
— Ora, sempre vamos ao Rio de Janeiro, ao grande e espetaculoso Rio de Janeiro! — exclamou Evaristo, pousando o chapéu, com ar de triunfo. — É como lá diz o outro: — quem espera... Eu nunca me enganei com o Luís... nunca!
Saíam-lhe em jorro as palavras, num tom quente de vitória, de aclamação, de regozijo.
Adelaide não o compreendeu logo, e, sem o compreender, exultava diante da intempestiva alegria do marido, com os olhos nele, ansiosa.
— Que é, homem de Deus, que foi... Que mistério!
— Nada, filha, nada; estamos aqui, estamos no Rio de Janeiro — ouviste? — no grandioso Rio de Janeiro!
Ela sorriu com um muxoxo:
— Brincadeira!
— Brincadeira? Telegrama do Luís Furtado. Um emprego no Banco Industrial...
— Que é do telegrama? — perguntou Adelaide, arredando o cabelo dos olhos e com o mesmo sorriso de incredulidade.
— Cá está, no bolsinho; recebi quando menos esperava.
E, desdobrando o papel:
— 'Emprego Banco Industrial garantido. Venha. — Luís."
Foram entrando ambos para a sala de jantar — Evaristo um pouco apressado.
— Tu não imaginas — ia ele dizendo, sem se voltar para a mulher -, tu não imaginas como estou alegre! No Rio de Janeiro a coisa é outra! Um homem adquire relações, ganha fama e, quando pensa, tem sua economiazinha... Quem vai ao Rio, ipso facto, vai à Europa. Ora, digam lá para que me tem servido a carta de bacharel? Para nada, para coisíssima alguma! Bacharel em província é objeto de luxo e eu estou farto de misérias!
Adelaide, meio triste, perguntou-lhe se queria jantar.
— Por que não? Imediatamente. Hoje é?...
— Terça.
— Domingo há vapor e eu tenho muito que fazer. Hoje mesmo, acabando daqui, vou telegrafar ao Luís. Manda botar a sopa.
— Jesus, que sofreguidão, Evaristo! Ao menos tira o paletó.
— Qual paletó! ~ daqui para o Telégrafo e amanhã, se Deus quiser, os jornais dão noticia da minha ida ao Rio. Um emprego no Banco Industrial do Rio de Janeiro é papa-fina. Já ouviste falar no Banco Industrial?
— Não.
— Pois é um excelente emprego — um empregão!
Adelaide pediu o jantar à porta da cozinha e veio sentar-se à mesa.
Eram pobres, de uma pobreza honesta e limpa. Moravam nos arredores da cidade, num lugar chamado Coqueiros, onde a vida era quieta e ninguém os ia incomodar nas horas de descanso. Assim que desciam as primeiras sombras da noite, caía todo o bairro numa extraordinária mudez, num silêncio de aldeia feliz, cortado, apenas, em noites de lua, pelo choro melancólico dalgum violão boêmio que passava dizendo histórias de amor... A própria estação do trem era um pouquinho longe da casa em que moravam.
Evaristo, porém, tinha suas ambições e não podia contentar-se com aquela vida de jesuíta. O Rio de Janeiro atraía-o para as grandes lutas, para cometimentos estrondosos, que o celebrizassem dalguma forma. Rapazes, seus conhecidos (o Luís Furtado era um deles) viviam muito bem na Corte — formados, gozando de nomeada na advocacia, no magistério; outros, que nem sabiam o bê-a-bá do direito, elogiados na literatura, na imprensa, em tudo! Luís Furtado, por exemplo, Luís Furtado, ele o conhecia desde criança, desde os bancos colegiais, quando ambos cursavam o Liceu; eram amigos, amiguinhos como dois irmãos. Pois bem, Luís Furtado não tinha nenhum preparatório, fora péssimo estudante de latim, na aula do Padre Lustosa, de francês, e mesmo da língua de Camões; no entanto, estava muitíssimo bem colocado no Rio — podia-se dizer que era dono de jornal, influência literária e quase capitalista! E ele, Evaristo? Formado, bacharel em direito, autor de muitos escritos, no entanto era aquilo: duzentos mil-réis — uma vergonha — casa em Coqueiros, e, quanto a futuro, temos conversado!
— E ou não é verdade o que eu digo? — perguntava ele à mulher.
Índice
Dentro de esta edición
- 01Full text
- 02Dedicatória
- 03Capítulo I
- 04Capítulo II
- 05Capítulo III
- 06Capítulo IV
- 07Capítulo V
- 08Capítulo VI
- 09Capítulo VII
- 10Capítulo VIII
- 11Capítulo IX
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