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A Bíblia Sagrada

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A Bíblia Sagrada

A Bíblia Sagrada reúne os textos centrais da tradição cristã em língua portuguesa. Esta edição é destinada à leitura devocional, ao estudo e à consulta, com acesso por leitura online, EPUB e PDF. Antes da publicação final, recomenda-se confirmar que o texto-fonte português específico utilizado é de domínio público no mercado de destino.

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A Bíblia Sagrada

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Gênesis

Gênesis

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Capítulo 1

1. No princípio criou Deus os céus e a terra.

2. E a terra estava sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.

3. E disse Deus: haja luz. E houve luz.

4. E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.

5. E chamou Deus à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o primeiro dia.

6. E disse Deus: haja um firmamento no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.

7. Fez, pois, Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam acima do firmamento. E assim foi.

8. Chamou Deus ao firmamento céus. E foi a tarde e a manhã, o segundo dia.

9. E disse Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo dos céus, e apareça a parte seca. E assim foi.

10. Chamou Deus à parte seca terra, e ao ajuntamento das águas mares. E viu Deus que isso era bom.

11. E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que deem semente, e árvores frutíferas que deem fruto segundo a sua espécie, que tenha em si a sua semente, sobre a terra. E assim foi.

12. E a terra produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie, e árvores que davam fruto, o qual tinha em si a sua semente, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.

13. E foi a tarde e a manhã, o terceiro dia.

14. E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem separação entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos;

15. e sirvam de luminares no firmamento do céu, para iluminar a terra. E assim foi.

16. E Deus fez dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e as estrelas.

17. E Deus os pôs no firmamento dos céus para iluminar a terra,

18. para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom.

19. E foi a tarde e a manhã, o quarto dia.

20. E disse Deus: Produzam as águas cardumes de seres viventes; e voem as aves acima da terra no firmamento dos céus.

21. Criou, pois, Deus as grandes criaturas marinhas, e todos os seres viventes que se moviam, os quais as águas produziram abundantemente, segundo as suas espécies; e toda ave alada, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.

22. Então Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas dos mares; e multipliquem-se as aves sobre a terra.

23. E foi a tarde e a manhã, o quinto dia.

24. E disse Deus: Produza a terra seres viventes segundo a sua espécie: animais domésticos, répteis, e animais selvagens segundo a sua espécie. E assim foi.

25. E Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie, e os animais domésticos segundo a sua espécie, e todos os répteis da terra segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.

26. E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra.

27. Então Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

28. E Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.

29. Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento.

30. E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi.

31. E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o sexto dia.

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Capítulo 2

1. Assim foram acabados os céus e a terra, e todo o seu exército.

2. E no sétimo dia Deus terminou a sua obra que fizera. E descansou no sétimo dia de toda a sua obra que fizera.

3. E Deus abençoou o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera.

4. Estas são as gerações dos céus e da terra, quando foram criados, no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus.

5. E de toda planta do campo, antes que estivesse na terra, e toda herva do campo, antes de haver brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra.

6. Porém, um vapor subia da terra, e regava toda a face da terra.

7. E o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.

8. E o Senhor Deus plantou um jardim, da banda do oriente, no Éden; e pôs ali o homem que tinha formado.

9. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

10. E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços.

11. O nome do primeiro é Pisom: este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro;

12. e o ouro dessa terra é bom: ali há o bdélio, e a pedra de berilo.

13. O nome do segundo rio é Giom: este é o que rodeia toda a terra de Cuxe.

14. O nome do terceiro rio é Tigre: este é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto rio é o Eufrates.

15. E o Senhor Deus tomou o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar.

16. E o Senhor Deus ordenou ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente;

17. mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

18. Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea.

19. E o Senhor Deus formou da terra a todos os animais do campo e a todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e o que quer que o homem chamou a todo ser vivente, esse foi o seu nome.

20. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.

21. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar;

22. e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem.

23. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.

24. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e eles serão uma só carne.

25. E ambos estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam.

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Capítulo 3

1. Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. E ela disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

2. E a mulher disse à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer,

3. mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem tocareis nele, para que não morrais.

4. E a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.

5. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.

6. Então, quando a mulher viu que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu; e o deu a seu marido com ela, e ele comeu.

7. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

8. E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, Adão e sua esposa se esconderam da presença do Senhor Deus por entre as árvores do jardim.

9. E o Senhor Deus chamou a Adão e lhe perguntou: Onde estás?

10. E ele disse: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e me escondi.

11. E ele disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?

12. E o homem respondeu: A mulher que me deste por companheira, ela deu-me da árvore, e eu comi.

13. E o Senhor Deus disse à mulher: Que é isto que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

14. Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita és tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre rastejarás, e comerás pó todos os dias da tua vida.

15. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o descendente dela; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

16. E à mulher disse: Multiplicarei grandemente tua dor e tuas gravidezes; em meio a dores darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

17. E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Dela não comerás; maldita é a terra por tua causa; em dores comerás dela todos os dias da tua vida.

18. Ela produzirá para ti espinhos e abrolhos; e comerás da erva do campo.

19. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; pois tu és pó, e ao pó tornarás.

20. Chamou Adão à sua mulher Eva, porque era a mãe de todos os viventes.

21. E o Senhor Deus fez túnicas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu.

22. Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente.

23. Portanto o Senhor Deus o lançou fora do jardim do Éden para lavrar a terra de que fora tomado.

24. E havendo lançado fora o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada flamejante que se revolvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.

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Capítulo 4

1. Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Adquiri um varão, o Senhor.

2. Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

3. Aconteceu que no fim de uns tempos Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.

4. Abel também trouxe das primícias do seu rebanho, e da gordura deste. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta,

5. mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que Caim irou-se grandemente, e descaiu-lhe o semblante.

6. Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? E por que está descaído o teu semblante?

7. Se procederes bem, porventura não serás aceito? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta. O desejo dele será para contigo; mas cumpre a ti dominá-lo.

8. Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.

9. Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?

10. E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra.

11. Agora, maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue de teu irmão.

12. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.

13. Então disse Caim ao Senhor: A minha punição é maior do que eu posso suportar.

14. Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar me matará.

15. O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, a vingança cairá sobre ele sete vezes mais. E o Senhor pôs um sinal sobre Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.

16. Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.

17. E Caim conheceu a sua mulher, a qual concebeu, e deu à luz a Enoque. E ele edificou uma cidade, e deu à cidade o nome de seu filho, Enoque.

18. A Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael, e Metusael gerou a Lameque.

19. Lameque tomou para si duas mulheres: o nome de uma era Ada, e o nome da outra Zila.

20. E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado.

21. O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.

22. A Zila também nasceu um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naamá.

23. Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar.

24. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes.

25. Tornou Adão a conhecer sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou.

26. A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Então, os homens começaram a invocar o nome do Senhor.

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Capítulo 5

1. Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez.

2. Homem e mulher os criou; e os abençoou, e os chamou pelo nome do homem, no dia em que foram criados.

3. Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.

4. E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos; e gerou filhos e filhas.

5. Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e morreu.

6. Sete viveu cento e cinco anos, e gerou a Enos.

7. Viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos; e gerou filhos e filhas.

8. Todos os dias de Sete foram novecentos e doze anos; e morreu.

9. Enos viveu noventa anos, e gerou a Cainã.

10. Viveu Enos, depois que gerou a Cainã, oitocentos e quinze anos; e gerou filhos e filhas.

11. Todos os dias de Enos foram novecentos e cinco anos; e morreu.

12. Cainã viveu setenta anos, e gerou a Maalalel.

13. Viveu Cainã, depois que gerou a Maalalel, oitocentos e quarenta anos, e gerou filhos e filhas.

14. Todos os dias de Cainã foram novecentos e dez anos; e morreu.

15. Maalalel viveu sessenta e cinco anos, e gerou a Jarede.

16. Viveu Maalalel, depois que gerou a Jarede, oitocentos e trinta anos; e gerou filhos e filhas.

17. Todos os dias de Maalalel foram oitocentos e noventa e cinco anos; e morreu.

18. Jarede viveu cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque.

19. Viveu Jarede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos; e gerou filhos e filhas.

20. Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e morreu.

21. Enoque viveu sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém.

22. Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas.

23. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos;

24. E Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.

25. Matusalém viveu cento e oitenta e sete anos, e gerou a Lameque.

26. Viveu Matusalém, depois que gerou a Lameque, setecentos e oitenta e dois anos; e gerou filhos e filhas.

27. Todos os dias de Matusalém foram novecentos e sessenta e nove anos; e morreu.

28. Lameque viveu cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho,

29. e lhes pôs o nome de Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou.

30. Viveu Lameque, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco anos; e gerou filhos e filhas.

31. Todos os dias de Lameque foram setecentos e setenta e sete anos; e morreu.

32. E era Noé da idade de quinhentos anos; e Noé gerou a Sem, Cam e Jafé.

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Capítulo 6

1. Sucedeu que, quando os homens começaram a se multiplicar sobre a terra, e lhes nasceram filhas,

2. os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.

3. Então disse o Senhor: Meu Espírito não lutará para sempre com o homem, porquanto ele é carne; contudo, os seus dias serão cento e vinte anos.

4. Naqueles dias havia gigantes na terra, e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos, esses foram valentes na antiguidade, homens de renome.

5. E o Senhor viu que a maldade do homem era grande na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.

6. Então o Senhor se arrependeu de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.

7. E disse o Senhor: Destruirei da face da terra o homem que criei, tanto o homem como os animais, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os ter feito.

8. Mas Noé achou graça aos olhos do Senhor.

9. Estas são as gerações de Noé. Noé foi um homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andou com Deus.

10. E Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.

11. A terra também estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência.

12. E Deus olhou para a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.

13. Então disse Deus a Noé: O fim de toda carne é chegado perante mim; porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os destruirei juntamente com a terra.

14. Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora.

15. Desta maneira a farás: o comprimento da arca será de trezentos côvados, a sua largura de cinquenta côvados e a sua altura de trinta côvados.

16. Farás na arca uma janela e lhe darás um côvado de altura; e a porta da arca porás ao lado dela; tu a farás com o andar inferior, o segundo e o terceiro.

17. Porque eis que eu mesmo trago um dilúvio sobre a terra, para destruir, de debaixo do céu, toda carne em que há fôlego de vida; tudo o que há na terra morrerá.

18. Mas contigo estabelecerei o meu pacto; e entrarás na arca, tu e contigo teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos.

19. De tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo; macho e fêmea serão.

20. Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida.

21. Leva contigo de todo alimento que se come, e ajunta-o para ti; e te será para alimento, a ti e a eles.

22. Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.

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Capítulo 7

1. Depois disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, pois a ti tenho visto como justo diante de mim nesta geração.

2. De todos os animais limpos levarás contigo sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea;

3. também das aves do céu sete e sete, macho e fêmea, para se conservar em vida sua descendência sobre a face de toda a terra.

4. Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da face da terra todas as criaturas que fiz.

5. E Noé fez segundo tudo o que o Senhor lhe mandou.

6. Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando veio o dilúvio sobre a terra.

7. Noé entrou na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, por causa das águas do dilúvio.

8. Dos animais limpos e dos que não são limpos, das aves, e de todo réptil sobre a terra,

9. entraram dois a dois para Noé na arca, macho e fêmea, como Deus ordenara a Noé.

10. Passados os sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.

11. No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, aos dezessete dias do mês, romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram.

12. E choveu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.

13. Nesse mesmo dia entraram na arca Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, como também sua mulher e as três mulheres de seus filhos com eles,

14. eles, e todo animal segundo a sua espécie, todo o gado segundo a sua espécie, todo réptil que se arrasta sobre a terra segundo a sua espécie e toda ave segundo a sua espécie, todo pássaro de toda qualidade.

15. E entraram para Noé na arca, dois a dois de toda a carne em que havia fôlego de vida.

16. E os que entraram eram macho e fêmea de toda a carne, como Deus lhe tinha ordenado; e o Senhor o fechou para dentro.

17. Veio o dilúvio sobre a terra durante quarenta dias; e as águas aumentaram e egueram a arca, e ela foi levantada por sobre a terra.

18. Prevaleceram as águas e aumentaram grandemente sobre a terra; e a arca vagava sobre a face das águas.

19. As águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo do céu foram cobertos.

20. Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e as montanhas foram cobertas.

21. Pereceu toda a carne que se movia sobre a terra, tanto ave como gado, animais selvagens, todo réptil que se arrasta sobre a terra, e todo homem.

22. Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia na terra seca, morreu.

23. Assim foram exterminadas todas as criaturas que havia sobre a face da terra, tanto o homem como o gado, o réptil, e as aves dos céus; todos foram exterminados da terra; ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca.

24. E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinquenta dias.

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Capítulo 8

1. E Deus se lembrou de Noé, de todo animal e de todo gado que estava com ele na arca; e Deus fez passar um vento sobre a terra, e as águas começaram a diminuir.

2. As fontes do abismo e as janelas do céu foram fechadas, e a chuva do céu foi detida;

3. as águas se foram retirando continuamente de sobre a terra; e ao fim de cento e cinquenta dias começaram a minguar.

4. No sétimo mês, no dia dezessete do mês, repousou a arca sobre as montanhas do Ararate.

5. E as águas foram minguando até o décimo mês; no décimo mês, no primeiro dia do mês, apareceram os cumes dos montes.

6. E aconteceu que, ao fim de quarenta dias, Noé abriu a janela que havia feito na arca;

7. e soltou um corvo que, saindo, ia e voltava até que as águas se secaram de sobre a terra.

8. Também soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra;

9. mas a pomba não achou onde pousar a planta do pé, e voltou para ele na arca; porque as águas ainda estavam sobre a face de toda a terra; e Noé, estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca.

10. Esperou ainda outros sete dias, e tornou a soltar a pomba fora da arca.

11. À tardinha a pomba voltou para ele, e eis no seu bico uma folha verde de oliveira; assim Noé soube que as águas tinham minguado de sobre a terra.

12. Então esperou ainda outros sete dias, e soltou a pomba; e esta já não mais tornou a ele.

13. No ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, secaram-se as águas de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca e olhou, e eis que a face a terra estava enxuta.

14. No segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.

15. Então falou Deus a Noé, dizendo:

16. Sai da arca, tu, e juntamente contigo tua mulher, teus filhos e as mulheres de teus filhos.

17. Traze para fora contigo a todos os animais que estão contigo, de toda a carne, tanto aves como gado e todo réptil que se arrasta sobre a terra; para que se reproduzam abundantemente na terra, e frutifiquem e se multipliquem sobre a terra.

18. Então saiu Noé, e com ele seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos;

19. todo animal, todo réptil e toda ave, e tudo o que se arrasta sobre a terra, segundo a sua espécie, saiu da arca.

20. E Noé edificou um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar.

21. E o Senhor aspirou o cheiro suave e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua mocidade; nem mais tornarei a ferir todo ser vivente, como o fiz.

22. Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.

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Capítulo 9

1. E Deus abençoou a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra.

2. E haverá medo e pavor de vós sobre todo animal da terra, sobre toda ave do céu, sobre tudo o que se arrasta sobre a terra, e sobre todos os peixes do mar; nas vossas mãos são eles entregues.

3. Tudo quanto se move e vive vos servirá de mantimento; assim como a erva verde, tudo vos tenho dado.

4. A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.

5. Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; de todo animal o requererei; como também do homem, sim, da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem.

6. Quem derramar o sangue de homem, pelo homem será seu sangue derramado; porque Deus fez o homem à sua imagem.

7. Mas quanto a vós, frutificai, e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e multiplicai-vos nela.

8. Disse também Deus a Noé e a seus filhos com ele:

9. Eis que eu estabeleço o meu pacto convosco e com a vossa descendência depois de vós,

10. e com todo ser vivente que está convosco: com as aves, com o gado e com todo animal da terra convosco; com todos os que saíram da arca, com todo animal da terra.

11. Estabeleço o meu pacto convosco; não mais será destruída toda a carne pelas águas do dilúvio; e não mais haverá um dilúvio para destruir a terra.

12. E disse Deus: Este é o sinal do pacto que firmo entre mim e vós e todo ser vivente que está convosco, por gerações perpétuas:

13. Eis que ponho o meu arco nas nuvens, e ele será por sinal de um pacto entre mim e a terra.

14. E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, o arco será visto nas nuvens,

15. e eu me lembrarei do meu pacto, que há entre mim e vós e todo ser vivente de toda a carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda a carne.

16. O arco estará nas nuvens, e olharei para ele a fim de me lembrar do pacto eterno entre Deus e todo ser vivente de toda a carne que está sobre a terra.

17. E disse Deus a Noé ainda: Esse é o sinal do pacto que tenho estabelecido entre mim e toda a carne que está sobre a terra.

18. Ora, os filhos de Noé que saíram da arca foram Sem, Cam e Jafé; e Cam é o pai de Canaã.

19. Estes três foram os filhos de Noé; e destes foi povoada toda a terra.

20. E Noé começou a cultivar a terra e plantou uma vinha.

21. E bebeu do vinho e embriagou-se; e estava nu dentro da sua tenda.

22. E Cam, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e o contou a seus dois irmãos que estavam fora.

23. Então Sem e Jafé pegaram uma capa e puseram-na sobre os seus ombros, e andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai, tendo os rostos virados para trás, de maneira que não viram a nudez de seu pai.

24. E Noé despertou do seu vinho e soube o que seu filho mais moço lhe fizera;

25. e disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos será ele para seus irmãos.

26. E disse: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem; e Canaã lhe seja por servo.

27. Deus aumentará a Jafé, e este habitará nas tendas de Sem; e Canaã lhe será por servo.

28. E Noé viveu, depois do dilúvio, trezentos e cinquenta anos.

29. E foram todos os dias de Noé novecentos e cinquenta anos; e morreu.

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Capítulo 10

1. Estas, pois, são as gerações dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé, aos quais nasceram filhos depois do dilúvio.

2. Os filhos de Jafé: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras.

3. Os filhos de Gomer: Asquenaz, Rifate e Togarma.

4. Os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim.

5. Por estes foram repartidas as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações.

6. Os filhos de Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.

7. Os filhos de Cuxe: Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá; e os filhos de Raamá são Sabá e Dedã.

8. Cuxe também gerou a Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra.

9. Ele era poderoso caçador diante do Senhor; pelo que se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor.

10. O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar.

11. Desta mesma terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir, Calá,

12. e Résem entre Nínive e Calá (esta é a grande cidade).

13. Mizraim gerou a Ludim, Anamim, Leabim, Naftuim,

14. Patrusim, Casluim (donde saíram os filisteus) e Caftorim.

15. Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e Hete,

16. e ao jebuseu, o amorreu, o girgaseu,

17. o heveu, o arqueu, o sineu,

18. o arvadeu, o zemareu e o hamateu. Depois se espalharam as famílias dos cananeus.

19. Foi o termo dos cananeus desde Sidom, em direção a Gerar, até Gaza; e daí em direção a Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa.

20. São esses os filhos de Cam segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações.

21. A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de Jafé, a ele também nasceram filhos.

22. Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.

23. Os filhos de Arão: Uz, Hul, Geter e Más.

24. Arfaxade gerou a Selá; e Selá gerou a Eber.

25. A Eber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porque nos seus dias foi dividida a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã.

26. Joctã gerou a Almodá, Selefe, Hazarmavé, Jerá,

27. Hadorão, Usal, Dicla,

28. Obal, Abimael, Sabá,

29. Ofir, Havilá e Jobabe: todos esses foram filhos de Joctã.

30. E foi a sua habitação desde Messa até Sefar, montanha do oriente.

31. Esses são os filhos de Sem segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, segundo as suas nações.

32. Essas são as famílias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, em suas nações; e por elas foram divididas as nações na terra depois do dilúvio.

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Capítulo 11

1. Ora, toda a terra tinha uma só língua e um só idioma.

2. E aconteceu que, ao jornadearem vindo do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e ali habitaram.

3. Disseram uns aos outros: Vinde, pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa.

4. Disseram mais: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.

5. Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;

6. e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só linguagem; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles têm imaginado fazer.

7. Vinde, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entendam a língua uns dos outros.

8. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.

9. Por isso o nome dela é chamado Babel, porquanto ali o Senhor confundiu a linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra.

10. Estas são as gerações de Sem. Tinha ele cem anos quando gerou a Arfaxade, dois anos depois do dilúvio.

11. E viveu Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos; e gerou filhos e filhas.

12. Arfaxade viveu trinta e cinco anos, e gerou a Selá.

13. Viveu Arfaxade, depois que gerou a Selá, quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas.

14. Selá viveu trinta anos, e gerou a Eber.

15. Viveu Selá, depois que gerou a Eber, quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas.

16. Eber viveu trinta e quatro anos, e gerou a Pelegue.

17. Viveu Eber, depois que gerou a Pelegue, quatrocentos e trinta anos; e gerou filhos e filhas.

18. Pelegue viveu trinta anos, e gerou a Reú.

19. Viveu Pelegue, depois que gerou a Reú, duzentos e nove anos; e gerou filhos e filhas.

20. Reú viveu trinta e dois anos, e gerou a Serugue.

21. Viveu Reú, depois que gerou a Serugue, duzentos e sete anos; e gerou filhos e filhas.

22. Serugue viveu trinta anos, e gerou a Naor.

23. Viveu Serugue, depois que gerou a Naor, duzentos anos; e gerou filhos e filhas.

24. Naor viveu vinte e nove anos, e gerou a Terá.

25. Viveu Naor, depois que gerou a Terá, cento e dezenove anos; e gerou filhos e filhas.

26. Terá viveu setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor e a Harã.

27. Estas são as gerações de Terá: Terá gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló.

28. Harã morreu antes de seu pai Terá, na terra do seu nascimento, em Ur dos Caldeus.

29. Abrão e Naor tomaram mulheres para si: o nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca, filha de Harã, que foi pai de Milca e de Iscá.

30. Mas Sarai era estéril; não tinha filhos.

31. Tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos Caldeus, a fim de ir para a terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali.

32. Foram os dias de Terá duzentos e cinco anos; e Terá morreu em Harã.

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Capítulo 12

1. Ora, o Senhor havia dito a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

2. E eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.

3. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei ao que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

4. Partiu, pois Abrão, como o Senhor lhe ordenara, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

5. Abrão levou consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhes acresceram em Harã; e saíram a fim de irem à terra de Canaã; e à terra de Canaã chegaram.

6. Passou Abrão pela terra até o lugar de Siquém, até o carvalho de Moré. E os cananeus estavam na terra.

7. E o Senhor apareceu a Abrão, e disse: À tua semente darei esta terra. E ele edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.

8. Então passou dali para o monte ao oriente de Betel, e armou a sua tenda, estando Betel ao ocidente, e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor.

9. Depois continuou Abrão o seu caminho, seguindo ainda para o sul.

10. Ora, havia fome naquela terra; e Abrão desceu ao Egito, para peregrinar ali, porquanto era grande a fome na terra.

11. E sucedeu que, quando estava prestes a entrar no Egito, disse ele a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher formosa à vista;

12. e acontecerá que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é mulher dele. E me matarão a mim, mas a ti te guardarão em vida.

13. Peço-te que digas que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e a minha alma viverá por causa de ti.

14. E aconteceu que, entrando Abrão no Egito, viram os egípcios que a mulher era mui formosa.

15. Também os príncipes de Faraó a viram e a elogiaram diante dele; e a mulher foi levada para a casa de Faraó.

16. E ele tratou bem a Abrão por causa dela; e este veio a ter ovelhas, bois e jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.

17. Feriu, porém, o Senhor a Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão.

18. Então chamou Faraó a Abrão, e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher?

19. Por que disseste: É minha irmã? De maneira que poderia tê-la tomado para ser minha mulher. Agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te.

20. E Faraó deu ordens a seus homens a respeito dele, os quais o despediram a ele, e a sua mulher, e a tudo o que tinha.

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Capítulo 13

1. Subiu, pois, Abrão do Egito para o Negebe, levando sua mulher e tudo o que tinha, e Ló o acompanhava.

2. Abrão era muito rico em gado, em prata e em ouro.

3. E foi em suas jornadas do Negebe para Betel, até o lugar onde a sua tenda estivera a princípio, entre Betel e Ai,

4. até o lugar do altar, que antes fizera ali; e Abrão invocou ali o nome do Senhor.

5. E também Ló, que ia com Abrão, tinha rebanhos, gado e tendas.

6. Ora, a terra não podia sustentá-los, para eles habitarem juntos, porque os seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar juntos.

7. Pelo que houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores do gado de Ló. E os cananeus e os perizeus habitavam na terra.

8. Disse, pois, Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos.

9. Porventura não está toda a terra diante de ti? Rogo-te que te apartes de mim. Se tu fores para a esquerda, irei para a direita; e se fores para a direita, irei para a esquerda.

10. Então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda bem regada (antes de o Senhor haver destruído a Sodoma e Gomorra), e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vem para Zoar.

11. E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente; assim se separaram um do outro.

12. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma.

13. Ora, os homens de Sodoma eram ímpios e grandes pecadores contra o Senhor.

14. E disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente;

15. porque toda esta terra que vês, dá-la-ei a ti, e à tua descendência, para sempre.

16. E farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se puder ser contado o pó da terra, então também poderá ser contada a tua descendência.

17. Levanta-te, percorre esta terra no seu comprimento e na sua largura; porque a darei a ti.

18. Então Abrão mudou as suas tendas, e foi habitar junto ao carvalhal de Manre, que está em Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor.

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Capítulo 14

1. Aconteceu nos dias de Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goiim,

2. que estes fizeram guerra com Bera, rei de Sodoma, e com Birsa, rei de Gomorra, Sinabe, rei de Admá, Semeber, rei de Zeboim, e o rei de Belá (esta é Zoar).

3. Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o Mar Salgado).

4. Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.

5. E no décimo quarto ano veio Quedorlaomer, e os reis que estavam com ele, e feriram aos refains em Asterote-Carnaim, aos zuzins em Hão, aos emins em Savé-Quiriataim,

6. e aos horeus no seu monte Seir, até El-Parã, que está junto ao deserto.

7. Depois voltaram e vieram a En-Mispate (que é Cades), e feriram toda a terra dos amalequitas, e também dos amorreus, que habitavam em Hazazom-Tamar.

8. Então saíram os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá (esta é Zoar), e ordenaram batalha contra eles no vale de Sidim,

9. contra Quedorlaomer, rei de Elão, Tidal, rei de Goiim, Anrafel, rei de Sinar, e Arioque, rei de Elasar; quatro reis contra cinco.

10. Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume; e fugiram os reis de Sodoma e de Gomorra, e caíram ali; e os restantes fugiram para o monte.

11. E tomaram todos os bens de Sodoma e de Gomorra, com todo o seu mantimento, e se foram.

12. Tomaram também a Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, e os bens dele, e partiram.

13. Então veio um que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu. Ora, este habitava junto dos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner; estes eram aliados de Abrão.

14. Ouvindo, pois, Abrão que seu irmão estava preso, armou a seus homens treinados, nascidos em sua casa, em número de trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã.

15. Dividiu-se contra eles de noite, ele e os seus servos, e os feriu, perseguindo-os até Hobá, que fica à esquerda de Damasco.

16. Assim tornou a trazer todos os bens, e tornou a trazer também a Ló, seu irmão, e os bens dele, e também as mulheres e o povo.

17. Depois que Abrão voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma, no vale de Savé (que é o vale do rei).

18. Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e ele era o sacerdote do Deus Altíssimo;

19. e o abençoou, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, possuidor dos céus e da terra!

20. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.

21. Então o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me as pessoas; e toma os bens para ti.

22. Abrão, porém, respondeu ao rei de Sodoma: Levanto minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o possuidor dos céus e da terra,

23. de que não tomarei nem um fio, nem uma correia de sapato, e não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão;

24. mas somente o que os rapazes comeram, e a parte que toca aos homens que foram comigo, Aner, Escol e Manre; que estes tomem a sua parte.

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Capítulo 15

1. Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a Abrão numa visão, dizendo: Não temas, Abrão; eu sou o teu escudo e o teu grandíssimo galardão.

2. Então disse Abrão: Ó Senhor Deus, que me darás, visto que não tenho filhos, e o herdeiro de minha casa é o damasceno Eliézer?

3. Disse mais Abrão: Eis que não me tens dado descendência; assim, um nascido em minha casa será o meu herdeiro.

4. E eis que lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que sair das tuas entranhas será o teu herdeiro.

5. Então o levou para fora, e disse: Olha agora para o céu, e conta as estrelas, se é que as podes contar; e disse-lhe: Assim será a tua descendência.

6. E Abrão creu no Senhor, e isso foi contado como justiça para ele.

7. E lhe disse: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra em herança.

8. Ao que lhe perguntou Abrão: Ó Senhor Deus, como saberei que hei de herdá-la?

9. Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho.

10. E ele lhe trouxe todos estes, partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu.

11. E quando as aves de rapina desciam sobre os cadáveres, Abrão as enxotava.

12. Ora, ao pôr do sol, caiu um profundo sono sobre Abrão; e eis que lhe sobreveio um pavor de grandes trevas.

13. Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em terra alheia, e os servirá, e será afligida por quatrocentos anos;

14. e eu também julgarei a nação a qual eles têm de servir; e depois sairão com muitos bens.

15. Tu, porém, irás em paz para teus pais; serás sepultado em boa velhice.

16. Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniquidade dos amorreus ainda não está cheia.

17. E sucedeu que, quando o sol já estava posto, e era escuro, eis um fogo fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre aquelas metades.

18. Naquele mesmo dia o Senhor fez um pacto com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates;

19. e o queneu, o quenizeu, o cadmoneu,

20. o heteu, o perizeu, os refains,

21. o amorreu, o cananeu, o girgaseu e o jebuseu.

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Capítulo 16

1. Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos. Tinha ela uma serva egípcia, que se chamava Agar.

2. E Sarai disse a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de ter filhos; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos por meio dela. E Abrão atendeu à voz de Sarai.

3. Assim Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar, sua serva, a egípcia, depois de Abrão ter habitado dez anos na terra de Canaã, e a deu por mulher a Abrão seu marido.

4. E ele conheceu a Agar, e ela concebeu; e quando ela viu que havia concebido, sua senhora foi desprezada aos seus olhos.

5. Então disse Sarai a Abrão: Seja sobre ti a afronta que me é feita; pus a minha serva em teu seio; vendo ela que agora concebeu, sou desprezada aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti.

6. Ao que disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está nas tuas mãos; faze-lhe como bem te parecer. E quando Sarai tratou-a duramente, ela fugiu de sua face.

7. E o anjo do Senhor a encontrou junto a uma fonte de água no deserto, a fonte que está no caminho de Sur.

8. E ele disse: Agar, serva de Sarai, donde vieste, e para onde vais? Respondeu ela: Eu fujo da presença de Sarai, minha senhora.

9. Disse-lhe o anjo do Senhor: Volta para tua senhora, e humilha-te debaixo das suas mãos.

10. Disse-lhe mais o anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, de modo que não será contada, de tão numerosa que será.

11. Disse-lhe ainda o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, a quem chamarás Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição.

12. Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13. E ela chamou o nome do Senhor, que falou com ela, Tu, ó Deus, me vês; pois disse ela: Não tenho eu também olhado neste lugar para aquele que me vê?

14. Pelo que se chamou aquele poço Beer-Laai-Rói; ele está entre Cades e Berede.

15. E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão deu a seu filho o nome de Ismael, que tivera de Agar.

16. Ora, Abrão tinha oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu Ismael.

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Capítulo 17

1. Quando Abrão tinha noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença, e sê perfeito.

2. E farei o meu pacto entre mim e ti, e te multiplicarei sobremaneira.

3. Ao que Abrão se prostrou com o rosto em terra, e Deus falou-lhe, dizendo:

4. Quanto a mim, eis que o meu pacto é contigo, e serás pai de muitas nações;

5. não mais serás chamado Abrão, mas o teu nome será Abraão; pois por pai de muitas nações te tenho colocado;

6. far-te-ei frutificar sobremaneira, e de ti farei nações, e reis sairão de ti.

7. Estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de ti em suas gerações, como pacto eterno, para te ser por Deus a ti e à tua descendência depois de ti.

8. Dar-te-ei a ti e à tua descendência depois de ti a terra em que és peregrino, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua; e serei o seu Deus.

9. Disse mais Deus a Abraão: Portanto, guardarás o meu pacto, tu e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações.

10. Este é o meu pacto, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: todo macho entre vós será circuncidado.

11. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será um sinal do pacto entre mim e vós.

12. À idade de oito dias, todo varão dentre vós será circuncidado, por todas as vossas gerações, tanto o nascido em casa como o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua linhagem.

13. Deve ser circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e o meu pacto estará na vossa carne como pacto eterno.

14. Mas o incircunciso, cuja carne do prepúcio não for circuncidada, essa alma será extirpada do seu povo; violou o meu pacto.

15. Disse Deus a Abraão: Quanto a Sarai, tua, mulher, não lhe chamarás mais Sarai, porém o seu nome será Sara.

16. E eu a abençoarei, e também dela te darei um filho; sim, a abençoarei, e ela será mãe de nações; reis de povos sairão dela.

17. Então Abraão se prostrou com o rosto em terra, e riu, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara, que tem noventa anos?

18. Depois disse Abraão a Deus: Tomara que viva Ismael diante de ti!

19. E Deus lhe respondeu: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe chamarás Isaque; com ele estabelecerei o meu pacto como pacto eterno, e com a sua descendência depois dele.

20. E quanto a Ismael, eu te ouvi; eis que o tenho abençoado, e o farei frutificar, e o multiplicarei sobremaneira; e gerará doze príncipes, e farei dele uma grande nação.

21. O meu pacto, porém, estabelecerei com Isaque, que Sara te dará à luz neste tempo determinado, no ano que vem.

22. E ele terminou de falar com ele, e Deus subiu diante de Abraão.

23. E Abraão tomou a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo varão entre os da casa de Abraão, e lhes circuncidou a carne do prepúcio naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara.

24. Abraão tinha noventa e nove anos quando lhe foi circuncidada a carne do prepúcio;

25. e Ismael, seu filho, tinha treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne do prepúcio.

26. Naquele mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.

27. E todos os homens da sua casa, tanto os nascidos em casa, como os comprados por dinheiro do estrangeiro, foram circuncidados com ele.

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Capítulo 18

1. Depois apareceu o Senhor a Abraão junto aos carvalhos de Manre, estando ele sentado à porta da tenda, no maior calor do dia.

2. Levantando Abraão os olhos, olhou e eis três homens de pé em frente dele. Quando os viu, correu da porta da tenda ao seu encontro, e prostrou-se em terra,

3. e disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo.

4. Traga-se um pouco de água, lavai os pés e repousai debaixo da árvore;

5. e trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, e depois passareis adiante; pois por isso chegastes até o vosso servo. Responderam-lhe: Faze assim como disseste.

6. Abraão, pois, apressou-se em ir ter com Sara na tenda, e disse-lhe: Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze bolos.

7. Em seguida correu ao gado, apanhou um bezerro tenro e bom e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo.

8. Então tomou coalhada, e leite, e o bezerro que mandara preparar, e pôs tudo diante deles, ficando em pé ao lado deles debaixo da árvore; e eles comeram.

9. Perguntaram-lhe eles: Onde está Sara, tua mulher? Ele respondeu: Está ali na tenda.

10. E ele lhe disse: Certamente voltarei a ti segundo o tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara estava escutando à porta da tenda, que estava atrás dele.

11. Ora, Abraão e Sara já eram velhos e avançados em idade; e a Sara havia cessado o costume das mulheres.

12. Sara então riu-se consigo, dizendo: Depois de haver envelhecido, terei ainda prazer, sendo também o meu senhor já velho?

13. Perguntou o Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: Será verdade que darei à luz um filho, sendo velha?

14. Por acaso, há alguma coisa difícil demais para o Senhor? Ao tempo determinado, voltarei para ti, segundo o tempo de vida, e Sara terá um filho.

15. Então Sara negou, dizendo: Não me ri; pois teve medo. Ao que ele respondeu: Não é assim; é certo que riste.

16. E levantaram-se aqueles homens dali e olharam para a banda de Sodoma; e Abraão ia com eles, para os encaminhar.

17. E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço,

18. visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra?

19. Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem justiça e juízo; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a respeito dele.

20. Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito,

21. descerei agora, e verei se eles têm praticado em tudo segundo o clamor que a mim tem chegado; e se não, sabê-lo-ei.

22. Então os homens, virando os seus rostos dali, foram-se em direção a Sodoma; mas Abraão ficou ainda diante do Senhor.

23. E chegando-se Abraão, disse: Destruirás também o justo com o ímpio?

24. Se porventura houver cinquenta justos na cidade; destruirás, e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que ali estão?

25. Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; e que o justo seja como o ímpio; longe de ti. Não fará justiça o juiz de toda a terra?

26. Então disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, então pouparei o lugar todo por causa deles.

27. Tornou-lhe Abraão, dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza.

28. Se porventura faltarem cinco para os cinquenta justos, destruirás toda a cidade por causa de cinco? Respondeu ele: Se eu achar ali quarenta e cinco, não a destruirei.

29. Continuou Abraão ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E ele disse: Não o farei, por causa dos quarenta.

30. Disse Abraão: Ora, não se ire o Senhor, e eu falarei. Se porventura se acharem ali trinta? E ele disse: Não o farei, se achar ali trinta.

31. Tornou Abraão: Eis que outra vez me a atrevi a falar ao Senhor. Se porventura se acharem ali vinte? E ele disse: Não a destruirei, por causa dos vinte.

32. Disse ainda Abraão: Ora, não se ire o Senhor, e falarei só mais esta vez. Se porventura se acharem ali dez? E ele disse: Não a destruirei, por causa dos dez.

33. E foi-se o Senhor, logo que acabou de falar com Abraão; e Abraão voltou para o seu lugar.

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Capítulo 19

1. À tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Ló estava sentado à porta de Sodoma e, vendo-os, levantou-se para os receber; prostrou-se com o rosto em terra,

2. e disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os pés; de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. Responderam eles: Não; antes na praça passaremos a noite.

3. Entretanto, Ló insistiu muito com eles, pelo que foram com ele e entraram em sua casa; e ele lhes deu um banquete, assando-lhes pães ázimos, e eles comeram.

4. Mas antes que se deitassem, cercaram a casa os homens da cidade, isto é, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados;

5. e, chamando a Ló, perguntaram-lhe: Onde estão os homens que entraram esta noite em tua casa? Traze-os cá fora a nós, para que os conheçamos.

6. Então Ló saiu-lhes à porta, fechando-a atrás de si,

7. e disse: Meus irmãos, rogo-vos que não procedais tão perversamente;

8. eis aqui, tenho duas filhas que ainda não conheceram varão; eu vo-las trarei para fora, e lhes fareis como bem vos parecer: somente nada façais a estes homens, porquanto entraram debaixo da sombra do meu telhado.

9. Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Esse indivíduo, como estrangeiro veio aqui habitar, e quer se arvorar em juiz! Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, isto é, sobre Ló, e aproximavam-se para arrombar a porta.

10. Aqueles homens, porém, estendendo as mãos, fizeram Ló entrar para dentro da casa, e fecharam a porta;

11. e feriram de cegueira os que estavam do lado de fora, tanto pequenos como grandes, de maneira que cansaram de procurar a porta.

12. Então disseram os homens a Ló: Tens mais alguém aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens na cidade, tira-os para fora deste lugar;

13. porque nós vamos destruir este lugar, porquanto o seu clamor se tem avolumado diante do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo.

14. Tendo saído Ló, falou com seus genros, que haviam de casar com suas filhas, e disse-lhes: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Mas ele pareceu aos seus genros como quem estava zombando.

15. E ao amanhecer os anjos apertavam com Ló, dizendo: levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças no castigo da cidade.

16. Ele, porém, se demorava; pelo que os homens pegaram-lhe pela mão a ele, à sua mulher, e às suas filhas, sendo-lhe misericordioso o Senhor. Assim o tiraram e o puseram fora da cidade.

17. Quando os tinham tirado para fora, disse um deles: Escapa-te, salva tua vida; não olhes para trás de ti, nem te detenhas em toda esta planície; escapa-te lá para o monte, para que não pereças.

18. Respondeu-lhe Ló: Ah, assim não, meu Senhor!

19. Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e tens engrandecido a tua misericórdia que a mim me fizeste, salvando-me a vida; mas eu não posso escapar-me para o monte; não seja caso me apanhe antes este mal, e eu morra.

20. Eis ali perto aquela cidade, para a qual eu posso fugir, e é pequena. Permite que eu me escape para lá (porventura não é pequena?), e viverá a minha alma.

21. Disse-lhe: Quanto a isso também te hei atendido, para não subverter a cidade de que acabas de falar.

22. Apressa-te, escapa-te para lá; porque nada poderei fazer enquanto não tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade Zoar.

23. Tinha saído o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar.

24. Então o Senhor, da sua parte, fez chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra.

25. E subverteu aquelas cidades e toda a planície, e todos os moradores das cidades, e o que nascia da terra.

26. Mas a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida em uma estátua de sal.

27. E Abraão levantou-se de madrugada, e foi ao lugar onde estivera em pé diante do Senhor;

28. e, contemplando Sodoma e Gomorra e toda a terra da planície, viu que subia da terra fumaça como a de uma fornalha.

29. Ora, aconteceu que, destruindo Deus as cidades da planície, lembrou-se de Abraão, e tirou Ló do meio da destruição, ao subverter aquelas cidades em que Ló habitara.

30. E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele; porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas.

31. Então a primogênita disse à menor: Nosso pai é já velho, e não há varão na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;

32. vem, demos a nosso pai vinho a beber, e deitemo-nos com ele, para que conservemos a descendência de nosso pai.

33. Deram, pois, a seu pai vinho a beber naquela noite; e, entrando a primogênita, deitou-se com seu pai; e não percebeu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.

34. No dia seguinte disse a primogênita à menor: Eis que eu ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe vinho a beber também esta noite; e então, entrando tu, deita-te com ele, para que conservemos a descendência de nosso pai.

35. Tornaram, pois, a dar a seu pai vinho a beber também naquela noite; e, levantando-se a menor, deitou-se com ele; e não percebeu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.

36. Assim as duas filhas de Ló conceberam de seu pai.

37. A primogênita deu a luz a um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje.

38. A menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.

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Capítulo 20

1. Partiu Abraão dali para a terra do Negebe, e habitou entre Cades e Sur; e peregrinou em Gerar.

2. E havendo Abraão dito de Sara, sua mulher: É minha irmã; enviou Abimeleque, rei de Gerar, e tomou a Sara.

3. Deus, porém, veio a Abimeleque, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Eis que estás para morrer por causa da mulher que tomaste; porque ela tem marido.

4. Ora, Abimeleque ainda não se havia chegado a ela: perguntou, pois: Senhor matarás porventura também uma nação justa?

5. Não me disse ele mesmo: É minha irmã? E ela mesma me disse: Ele é meu irmão; na sinceridade do meu coração e na inocência das minhas mãos fiz isto.

6. Ao que Deus lhe respondeu em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isto; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la;

7. agora, pois, restitui a mulher a seu marido, porque ele é profeta, e intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.

8. Levantou-se Abimeleque de manhã cedo e, chamando a todos os seus servos, falou-lhes aos ouvidos todas estas palavras; e os homens temeram muito.

9. Então chamou Abimeleque a Abraão e lhe perguntou: Que é que nos fizeste? E em que pequei contra ti, para trazeres sobre mim o sobre o meu reino tamanho pecado? Tu me fizeste o que não se deve fazer.

10. Perguntou mais Abimeleque a Abraão: Com que intenção fizeste isto?

11. Respondeu Abraão: Porque pensei: Certamente não há temor de Deus neste lugar; matar-me-ão por causa da minha mulher.

12. Além disso ela é realmente minha irmã, filha de meu pai, ainda que não de minha mãe; e veio a ser minha mulher.

13. Quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu lhe disse a ela: Esta é a graça que me farás: em todo lugar aonde formos, dize de mim: Ele é meu irmão.

14. Então tomou Abimeleque ovelhas e bois, e servos e servas, e os deu a Abraão; e lhe restituiu Sara, sua mulher;

15. e disse-lhe Abimeleque: Eis que a minha terra está diante de ti; habita onde bem te parecer.

16. E a Sara disse: Eis que tenho dado a teu irmão mil moedas de prata; isso te seja por véu dos olhos a todos os que estão contigo; e perante todos estás reabilitada.

17. Orou Abraão a Deus, e Deus sarou Abimeleque, e a sua mulher e as suas servas; de maneira que tiveram filhos;

18. porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão.

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Capítulo 21

1. O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia prometido.

2. Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara;

3. e, Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque.

4. E Abraão circuncidou a seu filho Isaque, quando tinha oito dias, conforme Deus lhe ordenara.

5. Ora, Abraão tinha cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.

6. Pelo que disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir, se rirá comigo.

7. E acrescentou: Quem diria a Abraão que Sara havia de amamentar filhos? No entanto lhe dei um filho na sua velhice.

8. Cresceu o menino, e foi desmamado; e Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado.

9. Ora, Sara viu brincando o filho de Agar a egípcia, que esta dera à luz a Abraão.

10. Pelo que disse a Abraão: Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não será herdeiro com meu filho, com Isaque.

11. Pareceu isto bem duro aos olhos de Abraão, por causa de seu filho.

12. Deus, porém, disse a Abraão: Não pareça isso duro aos teus olhos por causa do moço e por causa da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência.

13. Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto ele é da tua linhagem.

14. Então se levantou Abraão de manhã cedo e, tomando pão e um odre de água, os deu a Agar, pondo-os sobre o ombro dela; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela partiu e foi andando errante pelo deserto de Beer-Seba.

15. E consumida a água do odre, Agar deitou o menino debaixo de um dos arbustos,

16. e foi assentar-se em frente dele, a boa distância, como a de um tiro de arco; porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. Assim sentada em frente dele, levantou a sua voz e chorou.

17. Mas Deus ouviu a voz do menino; e o anjo de Deus, bradando a Agar desde o céu, disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está.

18. Ergue-te, levanta o menino e toma-o pela mão, porque dele farei uma grande nação.

19. E abriu-lhe Deus os olhos, e ela viu um poço; e foi encher de água o odre e deu de beber ao menino.

20. Deus estava com o menino, que cresceu e, morando no deserto, tornou-se flecheiro.

21. Ele habitou no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe uma mulher da terra do Egito.

22. Naquele mesmo tempo Abimeleque, com Ficol, o chefe do seu exército, falou a Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes;

23. agora pois, jura-me aqui por Deus que não te haverás falsamente comigo, nem com meu filho, nem com o filho do meu filho; mas segundo a beneficência que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste.

24. Respondeu Abraão: Eu jurarei.

25. Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque, por causa de um poço de água, que os servos de Abimeleque haviam tomado à força.

26. Respondeu-lhe Abimeleque: Não sei quem fez isso; nem tu mo fizeste saber, nem tampouco ouvi eu falar nisso, senão hoje.

27. Tomou, pois, Abraão ovelhas e bois, e os deu a Abimeleque; assim fizeram entre, si um pacto.

28. Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho.

29. E perguntou Abimeleque a Abraão: Que significam estas sete cordeiras que puseste à parte?

30. Respondeu Abraão: Estas sete cordeiras receberás da minha mão para que me sirvam de testemunho de que eu cavei este poço.

31. Pelo que chamou aquele lugar Beer-Seba, porque ali os dois juraram.

32. Assim fizeram uma pacto em Beer-Seba. Depois se levantaram Abimeleque e Ficol, o chefe do seu exército, e tornaram para a terra dos filisteus.

33. Abraão plantou uma tamargueira em Beer-Seba, e invocou ali o nome do Senhor, o Deus eterno.

34. E peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias.

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Capítulo 22

1. Sucedeu, depois destas coisas, que Deus provou a Abraão, dizendo-lhe: Abraão! E este respondeu: Eis-me aqui.

2. Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar.

3. Levantou-se, pois, Abraão de manhã cedo, albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e, tendo cortado lenha para o holocausto, partiu para ir ao lugar que Deus lhe dissera.

4. Ao terceiro dia levantou Abraão os olhos, e viu o lugar de longe.

5. E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós.

6. Tomou, pois, Abraão a lenha do holocausto e a pôs sobre Isaque, seu filho; tomou também na mão o fogo e o cutelo, e foram caminhando juntos.

7. Então disse Isaque a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?

8. Respondeu Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. E os dois iam caminhando juntos.

9. Havendo eles chegado ao lugar que Deus lhe dissera, edificou Abraão ali o altar e pôs a lenha em ordem; o amarrou, a Isaque, seu filho, e o deitou sobre o altar em cima da lenha.

10. E, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar a seu filho.

11. Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde o céu, e disse: Abraão, Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui.

12. Então disse o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu filho, o teu único filho.

13. Nisso levantou Abraão os olhos e olhou, e eis atrás de si um carneiro embaraçado pelos chifres no mato; e foi Abraão, tomou o carneiro e o ofereceu em holocausto em lugar de seu filho.

14. Pelo que chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; donde se diz até o dia de hoje: No monte do Senhor se proverá.

15. Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde o céu,

16. e disse: Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porquanto fizeste isto, e não me negaste teu filho, o teu único filho,

17. que deveras te abençoarei, e grandemente multiplicarei a tua descendência, como as estrelas do céu e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos;

18. e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz.

19. Então voltou Abraão aos seus moços e, levantando-se, foram juntos a Beer-Seba; e Abraão habitou em Beer-Seba.

20. Depois destas coisas anunciaram a Abraão, dizendo: Eis que também Milca tem dado à luz filhos a Naor, teu irmão:

21. Uz o seu primogênito, e Buz seu irmão, e Quemuel, pai de Arão,

22. e Quesede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel.

23. E Betuel gerou a Rebeca. Esses oito deu à luz Milca a Naor, irmão de Abraão.

24. E a sua concubina, que se chamava Reumá, também deu à luz a Teba, Gaão, Taás e Maacá.

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Capítulo 23

1. Ora, os anos da vida de Sara foram cento e vinte e sete.

2. E morreu Sara em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã; e veio Abraão lamentá-la e chorar por ela:

3. Depois se levantou Abraão de diante do seu morto, e falou aos filhos de Hete, dizendo:

4. Estrangeiro e peregrino sou eu entre vós; dai-me o direito de um lugar de sepultura entre vós, para que eu sepulte o meu morto, removendo-o de diante da minha face.

5. Responderam-lhe os filhos de Hete:

6. Ouve-nos, senhor; príncipe de Deus és tu entre nós; enterra o teu morto na mais escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para enterrares o teu morto.

7. Então se levantou Abraão e, inclinando-se diante do povo da terra, diante dos filhos de Hete,

8. falou-lhes, dizendo: Se é de vossa vontade que eu sepulte o meu morto de diante de minha face, ouvi-me e intercedei por mim junto a Efrom, filho de Zoar,

9. para que ele me dê a cova de Macpela, que possui no fim do seu campo; que ma dê pelo devido preço em posse de sepulcro no meio de vós.

10. Ora, Efrom estava sentado no meio dos filhos de Hete; e respondeu Efrom, o heteu, a Abraão, aos ouvidos dos filhos de Hete, isto é, de todos os que entravam pela porta da sua cidade, dizendo:

11. Não, meu senhor; ouve-me. O campo te dou, também te dou a cova que nele está; na presença dos filhos do meu povo ta dou; sepulta o teu morto.

12. Então Abraão se inclinou diante do povo da terra,

13. e falou a Efrom, aos ouvidos do povo da terra, dizendo: Se te agrada, peço-te que me ouças. Darei o preço do campo; toma-o de mim, e sepultarei ali o meu morto.

14. Respondeu Efrom a Abraão:

15. Meu senhor, ouve-me. Um terreno do valor de quatrocentos siclos de prata! Que é isto entre mim e ti? Sepulta, pois, o teu morto.

16. E Abraão ouviu a Efrom, e pesou-lhe a prata de que este tinha falado aos ouvidos dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores.

17. Assim o campo de Efrom, que estava em Macpela, em frente de Manre, o campo e a cova que nele estava, e todo o arvoredo que havia nele, por todos os seus limites ao redor, se confirmaram

18. a Abraão em possessão na presença dos filhos de Hete, isto é, de todos os que entravam pela porta da sua cidade.

19. Depois sepultou Abraão a Sara sua mulher na cova do campo de Macpela, em frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã.

20. Assim o campo e a cova que nele estava foram confirmados a Abraão pelos filhos de Hete em possessão de sepultura.

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Capítulo 24

1. Ora, Abraão era já velho e de idade avançada; e em tudo o Senhor o havia abençoado.

2. E disse Abraão ao seu servo, o mais antigo da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe a tua mão debaixo da minha coxa,

3. para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não tomarás para meu filho mulher dentre as filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito;

4. mas que irás à minha terra e à minha parentela, e dali tomarás mulher para meu filho Isaque.

5. Perguntou-lhe o servo: Se porventura a mulher não quiser seguir-me a esta terra, farei, então, tornar teu filho à terra donde saíste?

6. Respondeu-lhe Abraão: Guarda-te de fazeres tornar para lá meu filho.

7. O Senhor, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: À tua o semente darei esta terra; ele enviará o seu anjo diante de si, para que tomes de lá mulher para meu filho.

8. Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento; somente não farás meu filho tornar para lá.

9. Então pôs o servo a sua mão debaixo da coxa de Abraão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negócio.

10. Tomou, pois, o servo dez dos camelos do seu senhor, porquanto todos os bens de seu senhor estavam em sua mão; e, partindo, foi para a Mesopotâmia, à cidade de Naor.

11. Fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto ao poço de água, pela tarde, à hora em que as mulheres saíam a tirar água.

12. E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, dá-me hoje, peço-te, bom êxito, e usa de benevolência para com o meu senhor Abraão.

13. Eis que eu estou em pé junto à fonte, e as filhas dos homens desta cidade vêm saindo para tirar água;

14. faze, pois, que a donzela a quem eu disser: Abaixa o teu cântaro, peço-te, para que eu beba; e ela responder: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; seja aquela que designaste para o teu servo Isaque. Assim conhecerei que usaste de benevolência para com o meu senhor.

15. Antes que ele acabasse de falar, eis que Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, saía com o seu cântaro sobre o ombro.

16. A donzela era muito formosa à vista, virgem, a quem varão não havia conhecido; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu.

17. Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Deixa-me beber, peço-te, um pouco de água do teu cântaro.

18. Respondeu ela: Bebe, meu senhor. Então com presteza abaixou o seu cântaro sobre a mão e deu-lhe de beber.

19. E quando acabou de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus camelos, até que acabem de beber.

20. Também com presteza despejou o seu cântaro no bebedouro e, correndo outra vez ao poço, tirou água para todos os camelos dele.

21. E o homem a contemplava atentamente, em silêncio, para saber se o Senhor havia tornado próspera a sua jornada, ou não.

22. Depois que os camelos acabaram de beber, tomou o homem um brinco de ouro, de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as mãos dela, do peso de dez siclos de ouro;

23. e perguntou: De quem és filha? Dize-mo, peço-te. Há lugar em casa de teu pai para nós pousarmos?

24. Ela lhe respondeu: Eu sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a Naor.

25. Disse-lhe mais: Temos palha e forragem bastante, e lugar para pousar.

26. Então inclinou-se o homem e adorou ao Senhor;

27. e disse: Bendito seja o Senhor Deus de meu senhor Abraão, que não retirou do meu senhor a sua benevolência e a sua verdade; quanto a mim, o Senhor me guiou no caminho à casa dos irmãos de meu senhor.

28. A donzela correu, e relatou estas coisas aos da casa de sua mãe.

29. Ora, Rebeca tinha um irmão, cujo nome era Labão, o qual saiu correndo ao encontro daquele homem até a fonte;

30. porquanto tinha visto o brinco, e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã, e ouvido as palavras de sua irmã Rebeca, que dizia: Assim me falou aquele homem; e foi ter com o homem, que estava em pé junto aos camelos ao lado da fonte.

31. E disse: Entra, bendito do Senhor; por que estás aqui fora? Pois eu já preparei a casa, e lugar para os camelos.

32. Então veio o homem à casa, e desarreou os camelos; deram palha e forragem para os camelos e água para lavar os pés dele e dos homens que estavam com ele.

33. Depois puseram comida diante dele. Ele, porém, disse: Não comerei, até que tenha exposto a minha incumbência. Respondeu-lhe Labão: Fala.

34. Então disse: Eu sou o servo de Abraão.

35. O Senhor tem abençoado muito ao meu senhor, o qual se tem engrandecido; deu-lhe rebanhos e gado, prata e ouro, escravos e escravas, camelos e jumentos.

36. E Sara, a mulher do meu senhor, mesmo depois, de velha deu um filho a meu senhor; e o pai lhe deu todos os seus bens.

37. Ora, o meu senhor me fez jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeus, em cuja terra habito;

38. irás, porém, à casa de meu pai, e à minha parentela, e tomarás mulher para meu filho.

39. Então respondi ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher.

40. Ao que ele me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o seu anjo contigo, e prosperará o teu caminho; e da minha parentela e da casa de meu pai tomarás mulher para meu filho;

41. então serás livre do meu juramento, quando chegares à minha parentela; e se não ta derem, livre serás do meu juramento.

42. E hoje cheguei à fonte, e disse: Senhor, Deus de meu senhor Abraão, se é que agora prosperas o meu caminho, o qual venho seguindo,

43. eis que estou junto à fonte; faze, pois, que a donzela que sair para tirar água, a quem eu disser: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água do teu cântaro,

44. e ela me responder: Bebe tu, e também tirarei água para os teus camelos; seja a mulher que o Senhor designou para o filho de meu senhor.

45. Ora, antes que eu acabasse de falar no meu coração, eis que Rebeca saía com o seu cântaro sobre o ombro, desceu à fonte e tirou água; e eu lhe disse: Dá-me de beber, peço-te.

46. E ela, com presteza, abaixou o seu cântaro do ombro, e disse: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; assim bebi, e ela deu também de beber aos camelos.

47. Então lhe perguntei: De quem és filha? E ela disse: Filha de Betuel, filho de Naor, que Milca lhe deu. Então eu lhe pus o brinco no nariz e as pulseiras sobre as mãos;

48. e, inclinando-me, adorei e bendisse ao Senhor, Deus do meu senhor Abraão, que me havia conduzido pelo caminho direito para tomar para seu filho a filha do irmão do meu senhor.

49. Agora, pois, se vós haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, declarai-mo; e se não, também mo declarai, para que eu vá ou para a direita ou para a esquerda.

50. Então responderam Labão e Betuel: Do Senhor procede este negócio; nós não podemos falar-te mal ou bem.

51. Eis que Rebeca está diante de ti, toma-a e vai-te; seja ela a mulher do filho de teu senhor, como tem dito o Senhor.

52. Quando o servo de Abraão ouviu as palavras deles, prostrou-se em terra diante do Senhor:

53. e tirou o servo jóias de prata, e jóias de ouro, e vestidos, e deu-os a Rebeca; também deu coisas preciosas a seu irmão e a sua mãe.

54. Então comeram e beberam, ele e os homens que com ele estavam, e passaram a noite. Quando se levantaram de manhã, disse o servo: Deixai-me ir a meu senhor.

55. Disseram o irmão e a mãe da donzela: Fique ela conosco alguns dias, pelo menos dez dias; e depois irá.

56. Ele, porém, lhes respondeu: Não me detenhas, visto que o Senhor me tem prosperado o caminho; deixai-me partir, para que eu volte a meu senhor.

57. Disseram-lhe: chamaremos a donzela, e perguntaremos a ela mesma.

58. Chamaram, pois, a Rebeca, e lhe perguntaram: Irás tu com este homem; Respondeu ela: Irei.

59. Então despediram a Rebeca, sua irmã, e à sua ama e ao servo de Abraão e a seus homens;

60. e abençoaram a Rebeca, e disseram-lhe: Irmã nossa, sê tu a mãe de milhares de miríades, e possua a tua descendência a porta de seus aborrecedores!

61. Assim Rebeca se levantou com as suas moças e, montando nos camelos, seguiram o homem; e o servo, tomando a Rebeca, partiu.

62. Ora, Isaque tinha vindo do caminho de Beer-Laai-Rói; pois habitava na terra do Negebe.

63. Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos.

64. Rebeca também levantou os olhos e, vendo a Isaque, saltou do camelo

65. e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? Respondeu o servo: É meu senhor. Então ela tomou o véu e se cobriu.

66. Depois o servo contou a Isaque tudo o que fizera.

67. Isaque, pois, trouxe Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe; tomou-a e ela lhe foi por mulher; e ele a amou. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe.

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Capítulo 25

1. Ora, Abraão tomou outra mulher, que se chamava Quetura.

2. Ela lhe deu à luz a Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá.

3. Jocsã gerou a Sabá e Dedã. Os filhos de Dedã foram Assurim, Letusim e Leumim.

4. Os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Hanoque, Abidá e Eldá; todos estes foram filhos de Quetura.

5. Abraão, porém, deu tudo quanto possuía a Isaque;

6. no entanto aos filhos das concubinas que Abraão tinha, deu ele dádivas; e, ainda em vida, os separou de seu filho Isaque, enviando-os ao Oriente, para a terra oriental.

7. Estes, pois, são os dias dos anos da vida de Abraão, que ele viveu: cento e setenta e, cinco anos.

8. E Abraão expirou, morrendo em boa velhice, velho e cheio de dias; e foi congregado ao seu povo.

9. Então Isaque e Ismael, seus filhos, o sepultaram na cova de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, que estava em frente de Manre,

10. o campo que Abraão comprara aos filhos de Hete. Ali foi sepultado Abraão, e Sara, sua mulher.

11. Depois da morte de Abraão, Deus abençoou a Isaque, seu filho; e habitava Isaque junto a Beer-Laai-Rói.

12. Estas são as gerações de Ismael, filho de Abraão, que Agar, a egípcia, serva de Sara, lhe deu;

13. e estes são os nomes dos filhos de Ismael pela sua ordem, segundo as suas gerações: o primogênito de Ismael era Nebaiote, depois Quedar, Abdeel, Mibsão,

14. Misma, Dumá, Massá,

15. Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá.

16. Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes pelas suas vilas e pelos seus acampamentos: doze príncipes segundo as suas tribos.

17. E estes são os anos da vida de Ismael, cento e trinta e sete anos; e ele expirou e, morrendo, foi congregado ao seu povo.

18. Eles então habitaram desde Havilá até Sur, que está em frente do Egito, como quem vai em direção da Assíria; assim Ismael se estabeleceu diante da face de todos os seus irmãos.

19. E estas são as gerações de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou a Isaque;

20. e Isaque tinha quarenta anos quando tomou por mulher a Rebeca, filha de Betuel, arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, arameu.

21. Ora, Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto ela era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.

22. E os filhos lutavam no ventre dela; então ela disse: Por que estou eu assim? E foi consultar ao Senhor.

23. Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas estranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o mais velho servirá ao mais moço.

24. Cumpridos que foram os dias para ela dar à luz, eis que havia gêmeos no seu ventre.

25. Saiu o primeiro, ruivo, todo ele como um vestido de pelo; e chamaram-lhe Esaú.

26. Depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; pelo que foi chamado Jacó. E Isaque tinha sessenta anos quando Rebeca os deu à luz.

27. Cresceram os meninos; e Esaú tornou-se perito caçador, homem do campo; mas Jacó, homem sossegado, que habitava em tendas.

28. Isaque amava a Esaú, porque comia da sua caça; mas Rebeca amava a Jacó.

29. Jacó havia feito um guisado, quando Esaú chegou do campo, muito cansado;

30. e disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou muito cansado. Por isso se chamou Edom.

31. Respondeu Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura.

32. Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo, para que me servirá o direito de primogenitura?

33. Ao que disse Jacó: Jura-me primeiro. Jurou-lhe, pois; e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó.

34. Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e, levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura.

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Capítulo 26

1. Sobreveio à terra uma fome, além da primeira, que ocorreu nos dias de Abraão. Por isso foi Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar.

2. E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser;

3. peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti, e aos que descenderem de ti, darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que fiz a Abraão teu pai;

4. e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu, e lhe darei todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as nações da terra;

5. porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.

6. Assim habitou Isaque em Gerar.

7. Então os homens do lugar perguntaram-lhe acerca de sua mulher, e ele respondeu: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura, dizia ele, não me matassem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era ela formosa à vista.

8. Ora, depois que ele se demorara ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca, sua mulher.

9. Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: E minha irmã? Respondeu-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por sua causa.

10. Replicou Abimeleque: Que é isso que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com tua mulher, e tu terias trazido culpa sobre nós.

11. E Abimeleque ordenou a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste homem ou em sua mulher, certamente morrerá.

12. Isaque semeou naquela terra, e no mesmo ano colheu o cêntuplo; e o Senhor o abençoou.

13. E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo até que se tornou mui poderoso;

14. e tinha possessões de rebanhos e de gado, e muita gente de serviço; de modo que os filisteus o invejavam.

15. Ora, todos os poços, que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de seu pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra.

16. E Abimeleque disse a Isaque: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.

17. Então Isaque partiu dali e, acampando no vale de Gerar, lá habitou.

18. E Isaque tornou a cavar os poços que se haviam cavado nos dias de Abraão seu pai, pois os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão; e deu-lhes os nomes que seu pai lhes dera.

19. Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale, e acharam ali um poço de águas vivas.

20. E os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. E ele chamou ao poço Eseque, porque contenderam com ele.

21. Então cavaram outro poço, pelo qual também contenderam; por isso chamou-lhe Sitna.

22. E partiu dali, e cavou ainda outro poço; por este não contenderam; pelo que chamou-lhe Reobote, dizendo: Pois agora o Senhor nos deu largueza, e havemos de crescer na terra.

23. Depois subiu dali a Beer-Seba.

24. E apareceu-lhe o Senhor na mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai; não temas, porque eu sou contigo, e te abençoarei e multiplicarei a tua descendência por amor do meu servo Abraão.

25. Isaque, pois, edificou ali um altar e invocou o nome do Senhor; então armou ali a sua tenda, e os seus servos cavaram um poço.

26. Então Abimeleque veio a ele de Gerar, com Auzate, seu amigo, e Ficol, o chefe do seu exército.

27. E perguntou-lhes Isaque: Por que viestes ter comigo, visto que me odiais, e me repelistes de vós?

28. Responderam eles: Temos visto claramente que o Senhor é contigo, pelo que dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos um pacto contigo,

29. que não nos farás mal, assim como nós não te havemos tocado, e te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Senhor.

30. Então Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam.

31. E levantaram-se de manhã cedo e juraram de parte a parte; depois Isaque os despediu, e eles se despediram dele em paz.

32. Nesse mesmo dia vieram os servos de Isaque e deram-lhe notícias acerca do poço que haviam cavado, dizendo-lhe: Temos achado água.

33. E ele chamou o poço Seba; por isso é o nome da cidade Beer-Seba até o dia de hoje.

34. Ora, quando Esaú tinha quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, o heteu e a Basemate, filha de Elom, o heteu.

35. E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito.

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Capítulo 27

1. Quando Isaque já estava velho, e se lhe enfraqueciam os olhos, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho! Ele lhe respondeu: Eis-me aqui!

2. Disse-lhe o pai: Eis que agora estou velho, e não sei o dia da minha morte;

3. toma, pois, as tuas armas, a tua aljava e o teu arco; e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça;

4. e faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma; a fim de que a minha alma te abençoe, antes que morra.

5. Ora, Rebeca estava escutando quando Isaque falou a Esaú, seu filho. Saiu, pois, Esaú ao campo para apanhar caça e trazê-la.

6. Disse então Rebeca a Jacó, seu filho: Eis que ouvi teu pai falar com Esaú, teu irmão, dizendo:

7. Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante do Senhor, antes da minha morte.

8. Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te ordeno:

9. Vai ao rebanho, e traze-me de lá das cabras dois bons cabritos; e eu farei um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta;

10. e levá-lo-ás a teu pai, para que o coma, a fim de te abençoar antes da sua morte.

11. Respondeu, porém, Jacó a Rebeca, sua mãe: Eis que Esaú, meu irmão, é peludo, e eu sou liso.

12. Porventura meu pai me apalpará e serei a seus olhos como enganador; assim trarei sobre mim uma maldição, e não uma bênção.

13. Respondeu-lhe sua mãe: Meu filho, sobre mim caia essa maldição; somente obedece à minha voz, e vai trazer-mos.

14. Então ele foi, tomou-os e os trouxe a sua mãe, que fez um guisado saboroso como seu pai gostava.

15. Depois Rebeca tomou as melhores vestes de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho mais moço;

16. com as peles dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço;

17. e pôs o guisado saboroso e o pão que tinha preparado, na mão de Jacó, seu filho.

18. E veio Jacó a seu pai, e chamou: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui; quem és tu, meu filho?

19. Respondeu Jacó a seu pai: Eu sou Esaú, teu primogênito; tenho feito como me disseste; levanta-te, pois, senta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe.

20. Perguntou Isaque a seu filho: Como é que tão depressa a achaste, filho meu? Respondeu ele: Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro.

21. Então disse Isaque a Jacó: Chega-te, pois, para que eu te apalpe e veja se és meu filho Esaú mesmo, ou não.

22. Chegou-se Jacó a Isaque, seu pai, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú.

23. E não o reconheceu, porquanto as suas mãos estavam peludas, como as de Esaú seu irmão; e abençoou-o.

24. No entanto perguntou: Tu és mesmo meu filho Esaú? E ele declarou: Eu o sou.

25. Disse-lhe então seu pai: Traze-mo, e comerei da caça de meu filho, para que a minha alma te abençoe: E Jacó lho trouxe, e ele comeu; trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu.

26. Disse-lhe mais Isaque, seu pai: Aproxima-te agora, e beija-me, meu filho.

27. E ele se aproximou e o beijou; e seu pai, sentindo-lhe o cheiro das vestes o abençoou, e disse: Eis que o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo que o Senhor abençoou.

28. Que Deus te dê do orvalho do céu, e dos lugares férteis da terra, e abundância de trigo e de mosto;

29. sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; sejam malditos os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem.

30. Tão logo Isaque acabara de abençoar a Jacó, e este saíra da presença de seu pai, chegou da caça Esaú, seu irmão;

31. e fez também ele um guisado saboroso e, trazendo-o a seu pai, disse-lhe: Levantate, meu pai, e come da caça de teu filho, para que a tua alma me abençoe.

32. Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Respondeu ele: Eu sou teu filho, o teu primogênito, Esaú.

33. Então estremeceu Isaque de um estremecimento muito grande e disse: Quem, pois, é aquele que apanhou caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o, e ele será bendito.

34. Esaú, ao ouvir as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai!

35. Respondeu Isaque: Veio teu irmão e com sutileza tomou a tua bênção.

36. Disse Esaú: Não se chama ele com razão Jacó, visto que já por duas vezes me enganou? Tirou-me o direito de primogenitura, e eis que agora me tirou a bênção. E perguntou: Não reservaste uma bênção para mim?

37. Respondeu Isaque a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido. Que, pois, poderei eu fazer por ti, meu filho?

38. Disse Esaú a seu pai: Porventura tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a voz, e chorou.

39. Respondeu-lhe Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, longe do orvalho do alto céu;

40. pela tua espada viverás, e a teu irmão, serviras; mas quando te tornares impaciente, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço.

41. Esaú, pois, odiava a Jacó por causa da bênção com que seu pai o tinha abençoado, e disse consigo: Vêm chegando os dias de luto por meu pai; então hei de matar Jacó, meu irmão.

42. Ora, foram denunciadas a Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; pelo que ela mandou chamar Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse: Eis que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, propondo matar-te.

43. Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz; levanta-te, refugia-te na casa de Labão, meu irmão, em Harã,

44. e demora-te com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão;

45. até que se desvie de ti a ira de teu irmão, e ele se esqueça do que lhe fizeste; então mandarei trazer-te de lá; por que seria eu desfilhada de vós ambos num só dia?

46. E disse Rebeca a Isaque: Enfadada estou da minha vida, por causa das filhas de Hete; se Jacó tomar mulher dentre as filhas de Hete, tais como estas, dentre as filhas desta terra, para que viverei?

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Capítulo 28

1. Isaque, pois, chamou Jacó, e o abençoou, e ordenou-lhe, dizendo: Não tomes mulher dentre as filhas de Canaã.

2. Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá uma mulher dentre as filhas de Labão, irmão de tua mãe.

3. Deus Todo-Poderoso te abençoe, te faça frutificar e te multiplique, para que venhas a ser uma multidão de povos; seu

4. e te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que herdes a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a Abraão.

5. Assim despediu Isaque a Jacó, o qual foi a Padã-Arã, a Labão, filho de Betuel, arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.

6. Ora, viu Esaú que Isaque abençoara a Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para tomar de lá mulher para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher dentre as filhas de Canaã,

7. e que Jacó, obedecendo a seu pai e a sua mãe, fora a Padã-Arã;

8. vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque seu pai,

9. foi-se Esaú a Ismael e, além das mulheres que já tinha, tomou por mulher a Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote.

10. Partiu, pois, Jacó de Beer-Seba e se foi em direção a Harã;

11. e chegou a um lugar onde passou a noite, porque o sol já se havia posto; e, tomando uma das pedras do lugar e pondo-a debaixo da cabeça, deitou-se ali para dormir.

12. Então sonhou: estava posta sobre a terra uma escada, cujo topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;

13. por cima dela estava o Senhor, que disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra em que estás deitado, eu a darei a ti e à tua descendência;

14. e a tua descendência será como o pó da terra; dilatar-te-ás para o ocidente, para o oriente, para o norte e para o sul; por meio de ti e da tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.

15. Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; pois não te deixarei até que haja cumprido aquilo de que te tenho falado.

16. Ao acordar Jacó do seu sono, disse: Realmente o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.

17. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.

18. Jacó levantou-se de manhã cedo, tomou a pedra que pusera debaixo da cabeça, e a pôs como coluna; e derramou-lhe azeite em cima.

19. E chamou aquele lugar Betel; porém o nome da cidade antes era Luz.

20. Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir,

21. de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se o Senhor for o meu Deus,

22. então esta pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo.

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Capítulo 29

1. Então pôs-se Jacó a caminho e chegou à terra dos filhos do Oriente.

2. E olhando, viu ali um poço no campo, e três rebanhos de ovelhas deitadas junto dele; pois desse poço se dava de beber aos rebanhos; e havia uma grande pedra sobre a boca do poço.

3. Ajuntavam-se ali todos os rebanhos; os pastores removiam a pedra da boca do poço, davam de beber às ovelhas e tornavam a pôr a pedra no seu lugar sobre a boca do poço.

4. Perguntou-lhes Jacó: Meus irmãos, donde sois? Responderam eles: Somos de Harã.

5. Perguntou-lhes mais: Conheceis a Labão, filho de Naor; Responderam: Conhecemos.

6. Perguntou-lhes ainda: vai ele bem? Responderam: Vai bem; e eis ali Raquel, sua filha, que vem chegando com as ovelhas.

7. Disse ele: Eis que ainda vai alto o dia; não é hora de se ajuntar o gado; dai de beber às ovelhas, e ide apascentá-las.

8. Responderam: Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e seja removida a pedra da boca do poço; assim é que damos de beber às ovelhas.

9. Enquanto Jacó ainda lhes falava, chegou Raquel com as ovelhas de seu pai; porquanto era ela quem as apascentava.

10. Quando Jacó viu a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe, chegou-se, revolveu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão, irmão de sua mãe.

11. Então Jacó beijou a Raquel e, levantando a voz, chorou.

12. E Jacó anunciou a Raquel que ele era irmão de seu pai, e que era filho de Rebeca. Raquel, pois foi correndo para anunciá-lo a, seu pai.

13. Quando Labão ouviu essas novas de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, abraçou-o, beijou-o e o levou à sua casa. E Jacó relatou a Labão todas essas, coisas.

14. Disse-lhe Labão: Verdadeiramente tu és meu osso e minha carne. E Jacó ficou com ele um mês inteiro.

15. Depois perguntou Labão a Jacó: Por seres meu irmão hás de servir-me de graça? Declara-me, qual será o teu salário?

16. Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Léia, e o da mais moça Raquel.

17. Léia tinha os olhos enfermos, enquanto que Raquel era formosa de porte e de semblante.

18. Jacó, porquanto amava a Raquel, disse: Sete anos te servirei para ter a Raquel, tua filha mais moça.

19. Respondeu Labão: Melhor é que eu a dê a ti do que a outro; fica comigo.

20. Assim serviu Jacó sete anos por causa de Raquel; e estes lhe pareciam como poucos dias, pelo muito que a amava.

21. Então Jacó disse a Labão: Dá-me minha mulher, porque o tempo já está cumprido; para que eu a tome por mulher.

22. Reuniu, pois, Labão todos os homens do lugar, e fez um banquete.

23. À tarde tomou a Léia, sua filha e a trouxe a Jacó, que esteve com ela.

24. E Labão deu sua serva Zilpa por serva a Léia, sua filha.

25. Quando amanheceu, eis que era Léia; pelo que perguntou Jacó a Labão: Que é isto que me fizeste? Porventura não te servi em troca de Raquel? Por que, então, me enganaste?

26. Respondeu Labão: Não se faz assim em nossa terra; não se dá a menor antes da primogênita.

27. Cumpre a semana desta; então te daremos também a outra, pelo trabalho de outros sete anos que ainda me servirás.

28. Assim fez Jacó, e cumpriu a semana de Léia; depois Labão lhe deu por mulher sua filha Raquel.

29. E Labão deu sua serva Bila por serva a Raquel, sua filha.

30. Então Jacó esteve também com Raquel; e amou a Raquel muito mais do que a Léia; e serviu com Labão ainda outros sete anos.

31. Viu, pois, o Senhor que Léia era desprezada e tornou-lhe fecunda a madre; Raquel, porém, era estéril.

32. E Léia concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben; pois disse: Porque o Senhor atendeu à minha aflição; agora me amará meu marido.

33. Concebeu outra vez, e deu à luz um filho; e disse: Porquanto o Senhor ouviu que eu era desprezada, deu-me também este. E lhe chamou Simeão.

34. Concebeu ainda outra vez e deu à luz um filho e disse: Agora esta vez se unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe tenho dado. Portanto lhe chamou Levi.

35. De novo concebeu e deu à luz um filho; e disse: Esta vez louvarei ao Senhor. Por isso lhe chamou Judá. E cessou de ter filhos.

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Capítulo 30

1. Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão eu morro.

2. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel; e disse: Porventura estou eu no lugar de Deus que te impediu o fruto do ventre?

3. Respondeu ela: Eis aqui minha serva Bila; recebe-a por mulher, para que ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu deste modo tenha filhos por ela.

4. Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a conheceu.

5. Bila concebeu e deu à luz um filho a Jacó.

6. Então disse Raquel: Julgou-me Deus; ouviu a minha voz e me deu um filho; pelo que lhe chamou Dã.

7. E Bila, serva de Raquel, concebeu outra vez e deu à luz um segundo filho a Jacó.

8. Então disse Raquel: Com grandes lutas tenho lutado com minha irmã, e tenho vencido; e chamou-lhe Naftali.

9. Também Léia, vendo que cessara de ter filhos, tomou a Zilpa, sua serva, e a deu a Jacó por mulher.

10. E Zilpa, serva de Léia, deu à luz um filho a Jacó.

11. Então disse Léia: Afortunada! E chamou-lhe Gade.

12. Depois Zilpa, serva de Léia, deu à luz um segundo filho a Jacó.

13. Então disse Léia: Feliz sou eu! Porque as filhas me chamarão feliz; e chamou-lhe Aser.

14. Ora, saiu Rúben nos dias da ceifa do trigo e achou mandrágoras no campo, e as trouxe a Léia, sua mãe. Então disse Raquel a Léia: Dá-me, peço, das mandrágoras de teu filho.

15. Ao que lhe respondeu Léia: É já pouco que me hajas tirado meu marido? Queres tirar também as mandrágoras de meu filho? Prosseguiu Raquel: Por isso ele se deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.

16. Quando, pois, Jacó veio à tarde do campo, saiu-lhe Léia ao encontro e disse: Hás de estar comigo, porque certamente te aluguei pelas mandrágoras de meu filho. E com ela deitou-se Jacó aquela noite.

17. E ouviu Deus a Léia, e ela concebeu e deu a Jacó um quinto filho.

18. Então disse Léia: Deus me tem dado o meu galardão, porquanto dei minha serva a meu marido. E chamou ao filho Issacar.

19. Concebendo Léia outra vez, deu a Jacó um sexto filho;

20. e disse: Deus me deu um excelente dote; agora morará comigo meu marido, porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom.

21. Depois disto, deu à luz uma filha, e chamou-lhe Diná.

22. Também lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a tornou fecunda.

23. De modo que ela concebeu e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus o opróbrio.

24. E chamou-lhe José, dizendo: Acrescente-me o Senhor ainda outro filho.

25. Depois que Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Despede-me a fim de que eu vá para meu lugar e para minha terra.

26. Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e deixame ir; pois tu sabes o serviço que te prestei.

27. Labão lhe respondeu: Se tenho achado graça aos teus olhos, fica comigo; pois tenho percebido que o Senhor me abençoou por amor de ti.

28. E disse mais: Determina-me o teu salário, que to darei.

29. Ao que lhe respondeu Jacó: Tu sabes como te hei servido, e como tem passado o teu gado comigo.

30. Porque o pouco que tinhas antes da minha vinda tem se multiplicado abundantemente; e o Senhor te tem abençoado por onde quer que eu fui. Agora, pois, quando hei de trabalhar também por minha casa?

31. Insistiu Labão: Que te darei? Então respondeu Jacó: Não me darás nada; tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho se me fizeres isto:

32. Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele todos os salpicados e malhados, e todos os escuros entre as ovelhas, e os malhados e salpicados entre as cabras; e isto será o meu salário.

33. De modo que responderá por mim a minha justiça no dia de amanhã, quando vieres ver o meu salário assim exposto diante de ti: tudo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e escuro entre as ovelhas, esse, se for achado comigo, será tido por furtado.

34. Concordou Labão, dizendo: Seja conforme a tua palavra.

35. E separou naquele mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas as cabras salpicadas e malhadas, tudo em que havia algum branco, e todos os escuros entre os cordeiros e os deu nas mãos de seus filhos;

36. e pôs três dias de caminho entre si e Jacó; e Jacó apascentava o restante dos rebanhos de Labão.

37. Então tomou Jacó varas verdes de estoraque, de amendoeira e de plátano e, descascando nelas riscas brancas, descobriu o branco que nelas havia;

38. e as varas que descascara pôs em frente dos rebanhos, nos cochos, isto é, nos bebedouros, onde os rebanhos bebiam; e conceberam quando vinham beber.

39. Os rebanhos concebiam diante das varas, e as ovelhas davam crias listradas, salpicadas e malhadas.

40. Então separou Jacó os cordeiros, e fez os rebanhos olhar para os listrados e para todos os escuros no rebanho de Labão; e pôs seu rebanho à parte, e não pôs com o rebanho de Labão.

41. E todas as vezes que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas nos bebedouros, diante dos olhos do rebanho, para que concebessem diante das varas;

42. mas quando era fraco o rebanho, ele não as punha. Assim as fracas eram de Labão, e as fortes de Jacó.

43. E o homem se enriqueceu sobremaneira, e teve grandes rebanhos, servas e servos, camelos e jumentos.

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Capítulo 31

1. Jacó, entretanto, ouviu as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacó tem levado tudo o que era de nosso pai, e do que era de nosso pai adquiriu ele todas estas, riquezas.

2. Viu também Jacó o rosto de Labão, e eis que não era para com ele como dantes.

3. Disse o Senhor, então, a Jacó: Volta para a terra de teus pais e para a tua parentela; e eu serei contigo.

4. Pelo que Jacó mandou chamar a Raquel e a Léia ao campo, onde estava o seu rebanho,

5. e lhes disse: vejo que o rosto de vosso pai para comigo não é como anteriormente; porém o Deus de meu pai tem estado comigo.

6. Ora, vós mesmas sabeis que com todas as minhas forças tenho servido a vosso pai.

7. Mas vosso pai me tem enganado, e dez vezes mudou o meu salário; Deus, porém, não lhe permitiu que me fizesse mal.

8. Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todo o rebanho dava salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu salário, então todo o rebanho dava listrados.

9. De modo que Deus tem tirado o gado de vosso pai, e mo tem dado a mim.

10. Pois sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, levantei os olhos e num sonho vi que os bodes que cobriam o rebanho eram listrados, salpicados e malhados.

11. Disse-me o anjo de Deus no sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui.

12. Prosseguiu o anjo: Levanta os teus olhos e vê que todos os bodes que cobrem o rebanho são listrados, salpicados e malhados; porque tenho visto tudo o que Labão te vem fazendo.

13. Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te, pois, sai-te desta terra e volta para a terra da tua parentela.

14. Então lhe responderam Raquel e Léia: Temos nós ainda parte ou herança na casa de nosso pai?

15. Não somos tidas por ele como estrangeiras? Pois nos vendeu, e consumiu todo o nosso preço.

16. Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos; portanto, faze tudo o que Deus te mandou.

17. Levantou-se, pois, Jacó e fez montar seus filhos e suas mulheres sobre os camelos;

18. e levou todo o seu gado, e toda a sua fazenda, que havia adquirido, o gado que possuía, que havia adquirido em Padã-Arã, a fim de ir ter com Isaque, seu pai, à terra de Canaã.

19. Ora, tendo Labão ido tosquiar as suas ovelhas, Raquel furtou os ídolos que pertenciam a seu pai.

20. Jacó iludiu a Labão, o arameu, não lhe fazendo saber que fugia;

21. e fugiu com tudo o que era seu; e, levantando-se, passou o Rio, e foi em direção à montanha de Gileade.

22. Ao terceiro dia foi Labão avisado de que Jacó havia fugido.

23. Então, tomando consigo seus irmãos, seguiu atrás de Jacó jornada de sete dias; e alcançou-o na montanha de Gileade.

24. Mas Deus apareceu de noite em sonho a Labão, o arameu, e disse-lhe: Guardate, que não fales a Jacó nem bem nem mal.

25. Alcançou, pois, Labão a Jacó. Ora, Jacó tinha armado a sua tenda na montanha; armou também Labão com os seus irmãos a sua tenda na montanha de Gileade.

26. Então disse Labão a Jacó: Que fizeste, que me iludiste e levaste minhas filhas como cativas da espada?

27. Por que fuizeste ocultamente, e me iludiste e não mo fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria e com cânticos, ao som de tambores e de harpas;

28. Por que não me permitiste beijar meus filhos e minhas filhas? Ora, assim procedeste nesciamente.

29. Está no poder da minha mão fazer-vos o mal, mas o Deus de vosso pai falou-me ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales a Jacó nem bem nem mal.

30. Mas ainda que quiseste ir embora, porquanto tinhas saudades da casa de teu pai, por que furtaste os meus deuses?

31. Respondeu-lhe Jacó: Porque tive medo; pois dizia comigo que tu me arrebatarias as tuas filhas.

32. Com quem achares os teus deuses, porém, esse não viverá; diante de nossos irmãos descobre o que é teu do que está comigo, e leva-o contigo. Pois Jacó não sabia que Raquel os tinha furtado.

33. Entrou, pois, Labão na tenda de Jacó, na tenda de Léia e na tenda das duas servas, e não os achou; e, saindo da tenda de Léia, entrou na tenda de Raquel.

34. Ora, Raquel havia tomado os ídolos e os havia metido na albarda do camelo, e se assentara em cima deles. Labão apalpou toda a tenda, mas não os achou.

35. E ela disse a seu pai: Não se acenda a ira nos olhos de meu senhor, por eu não me poder levantar na tua presença, pois estou com o incômodo das mulheres. Assim ele procurou, mas não achou os ídolos.

36. Então irou-se Jacó e contendeu com Labão, dizendo: Qual é a minha transgressão? Qual é o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido?

37. Depois de teres apalpado todos os meus móveis, que achaste de todos os móveis da tua casa. Põe-no aqui diante de meus irmãos e de teus irmãos, para que eles julguem entre nós ambos.

38. Estes vinte anos estive eu contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho.

39. Não te trouxe eu o despedaçado; eu sofri o dano; da minha mão requerias tanto o furtado de dia como o furtado de noite.

40. Assim andava eu; de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o sono me fugia dos olhos.

41. Estive vinte anos em tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas, e seis anos por teu rebanho; dez vezes mudaste o meu salário.

42. Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque não fora por mim, certamente hoje me mandarias embora vazio. Mas Deus tem visto a minha aflição e o trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite.

43. Respondeu-lhe Labão: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos, e este rebanho é meu rebanho, e tudo o que vês é meu; e que farei hoje a estas minhas filhas, ou aos filhos que elas tiveram?

44. Agora pois vem, e façamos um pacto, eu e tu; e sirva ele de testemunha entre mim e ti.

45. Então tomou Jacó uma pedra, e a erigiu como coluna.

46. E disse a seus irmãos: Ajuntai pedras. Tomaram, pois, pedras e fizeram um montão, e ali junto ao montão comeram.

47. Labão lhe chamou Jegar-Saaduta, e Jacó chamou-lhe Galeede.

48. Disse, pois, Labão: Este montão é hoje testemunha entre mim e ti. Por isso foi chamado Galeede;

49. e também Mizpá, porquanto disse: Vigie o Senhor entre mim e ti, quando estivermos apartados um do outro.

50. Se afligires as minhas filhas, e se tomares outras mulheres além das minhas filhas, embora ninguém esteja conosco, lembra-te de que Deus é testemunha entre mim e ti.

51. Disse ainda Labão a Jacó: Eis aqui este montão, e eis aqui a coluna que levantei entre mim e ti.

52. Seja este montão testemunha, e seja esta coluna testemunha de que, para mal, nem passarei eu deste montão a ti, nem passarás tu deste montão e desta coluna a mim.

53. O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós. E jurou Jacó pelo Temor de seu pai Isaque.

54. Então Jacó ofereceu um sacrifício na montanha, e convidou seus irmãos para comerem pão; e, tendo comido, passaram a noite na montanha.

55. Levantou-se Labão de manhã cedo, beijou seus filhos e suas filhas e os abençoou; e, partindo, voltou para o seu lugar.

Chapitre d'aperçu

Capítulo 32

1. Jacó também seguiu o seu caminho; e encontraram-no os anjos de Deus.

2. Quando Jacó os viu, disse: Este é o exército de Deus. E chamou àquele lugar Maanaim.

3. Então enviou Jacó mensageiros diante de si a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, o território de Edom,

4. tendo-lhes ordenado: Deste modo falareis a meu senhor Esaú: Assim diz Jacó, teu servo: Como peregrino morei com Labão, e com ele fiquei até agora;

5. e tenho bois e jumentos, rebanhos, servos e servas; e mando comunicar isso a meu senhor, para achar graça aos teus olhos.

6. Depois os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: Fomos ter com teu irmão Esaú; e, em verdade, vem ele para encontrar-te, e quatrocentos homens com ele.

7. Jacó teve muito medo e ficou aflito; dividiu em dois bandos o povo que estava com ele, bem como os rebanhos, os bois e os camelos;

8. pois dizia: Se Esaú vier a um bando e o ferir, o outro bando escapará.

9. Disse mais Jacó: o Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: Volta para a tua terra, e para a tua parentela, e eu te farei bem!

10. Não sou digno da menor de todas as tuas beneficências e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo; porque com o meu cajado passei este Jordão, e agora volto em dois bandos.

11. Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú, porque eu o temo; acaso não venha ele matar-me, e a mãe com os filhos.

12. Pois tu mesmo disseste: Certamente te farei bem, e farei a tua descendência como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar.

13. Passou ali aquela noite; e do que tinha tomou um presente para seu irmão Esaú:

14. duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,

15. trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentinhos.

16. Então os entregou nas mãos dos seus servos, cada manada em separado; e disse a seus servos: Passai adiante de mim e ponde espaço entre manada e manada.

17. E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar e te perguntar: De quem és, e para onde vais, e de quem são estes diante de ti?

18. Então responderás: São de teu servo Jacó, presente que envia a meu senhor, a Esaú, e eis que ele vem também atrás dé nos.

19. Ordenou igualmente ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atrás das manadas, dizendo: Desta maneira falareis a Esaú quando o achardes.

20. E direis também: Eis que o teu servo Jacó vem atrás de nós. Porque dizia: Aplacá-lo-ei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua face; porventura ele me aceitará.

21. Foi, pois, o presente adiante dele; ele, porém, passou aquela noite no arraial.

22. Naquela mesma noite levantou-se e, tomando suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos, passou o vau de Jaboque.

23. Tomou-os, e fê-los passar o ribeiro, e fez passar tudo o que tinha.

24. Jacó, porém, ficou só; e lutava com ele um homem até o romper do dia.

25. Quando este viu que não prevalecia contra ele, tocou-lhe a juntura da coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele.

26. Disse o homem: Deixa-me ir, porque já vem rompendo o dia. Jacó, porém, respondeu: Não te deixarei ir, se me não abençoares.

27. Perguntou-lhe, pois: Qual é o teu nome? E ele respondeu: Jacó.

28. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com Deus e com os homens e tens prevalecido.

29. Perguntou-lhe Jacó: Dize-me, peço-te, o teu nome. Respondeu o homem: Por que perguntas pelo meu nome? E ali o abençoou.

30. Pelo que Jacó chamou ao lugar Peniel, dizendo: Porque tenho visto Deus face a face, e a minha vida foi preservada.

31. E nascia o sol, quando ele passou de Peniel; e coxeava de uma perna.

32. Por isso os filhos de Israel não comem até o dia de hoje o nervo do quadril, que está sobre a juntura da coxa, porquanto o homem tocou a juntura da coxa de Jacó no nervo do quadril.

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Capítulo 33

1. Levantou Jacó os olhos, e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele. Então repartiu os filhos entre Léia, e Raquel, e as duas servas.

2. Pôs as servas e seus filhos na frente, Léia e seus filhos atrás destes, e Raquel e José por últimos.

3. Mas ele mesmo passou adiante deles, e inclinou-se em terra sete vezes, até chegar perto de seu irmão.

4. Então Esaú correu-lhe ao encontro, abraçou-o, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou; e eles choraram.

5. E levantando Esaú os olhos, viu as mulheres e os meninos, e perguntou: Quem são estes contigo? Respondeu-lhe Jacó: Os filhos que Deus bondosamente tem dado a teu servo.

6. Então chegaram-se as servas, elas e seus filhos, e inclinaram-se.

7. Chegaram-se também Léia e seus filhos, e inclinaram-se; depois chegaram-se José e Raquel e se inclinaram.

8. Perguntou Esaú: Que queres dizer com todo este bando que tenho encontrado? Respondeu Jacó: Para achar graça aos olhos de meu senhor.

9. Mas Esaú disse: Tenho bastante, meu irmão; seja teu o que tens.

10. Replicou-lhe Jacó: Não, mas se agora tenho achado graça aos teus olhos, aceita o presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tu te agradaste de mim.

Table des matières

Dans cette édition

  1. 01Full text
  2. 02Gênesis
  3. 03Capítulo 1
  4. 04Capítulo 2
  5. 05Capítulo 3
  6. 06Capítulo 4
  7. 07Capítulo 5
  8. 08Capítulo 6
  9. 09Capítulo 7
  10. 10Capítulo 8
  11. 11Capítulo 9
  12. 12Capítulo 10
  13. 13Capítulo 11
  14. 14Capítulo 12
  15. 15Capítulo 13
  16. 16Capítulo 14
  17. 17Capítulo 15
  18. 18Capítulo 16
  19. 19Capítulo 17
  20. 20Capítulo 18
  21. 21Capítulo 19
  22. 22Capítulo 20
  23. 23Capítulo 21
  24. 24Capítulo 22
  25. 25Capítulo 23
  26. 26Capítulo 24
  27. 27Capítulo 25
  28. 28Capítulo 26
  29. 29Capítulo 27
  30. 30Capítulo 28
  31. 31Capítulo 29
  32. 32Capítulo 30
  33. 33Capítulo 31
  34. 34Capítulo 32
  35. 35Capítulo 33
  36. 36Capítulo 34
  37. 37Capítulo 35
  38. 38Capítulo 36
  39. 39Capítulo 37
  40. 40Capítulo 38
  41. 41Capítulo 39
  42. 42Capítulo 40
  43. 43Capítulo 41
  44. 44Capítulo 42
  45. 45Capítulo 43
  46. 46Capítulo 44
  47. 47Capítulo 45
  48. 48Capítulo 46
  49. 49Capítulo 47
  50. 50Capítulo 48
  51. 51Capítulo 49
  52. 52Capítulo 50
  53. 53Êxodo
  54. 54Capítulo 1
  55. 55Capítulo 2
  56. 56Capítulo 3
  57. 57Capítulo 4
  58. 58Capítulo 5
  59. 59Capítulo 6
  60. 60Capítulo 7
  61. 61Capítulo 8
  62. 62Capítulo 9
  63. 63Capítulo 10
  64. 64Capítulo 11
  65. 65Capítulo 12
  66. 66Capítulo 13
  67. 67Capítulo 14
  68. 68Capítulo 15
  69. 69Capítulo 16
  70. 70Capítulo 17
  71. 71Capítulo 18
  72. 72Capítulo 19
  73. 73Capítulo 20
  74. 74Capítulo 21
  75. 75Capítulo 22
  76. 76Capítulo 23
  77. 77Capítulo 24
  78. 78Capítulo 25
  79. 79Capítulo 26
  80. 80Capítulo 27
  81. 81Capítulo 28
  82. 82Capítulo 29
  83. 83Capítulo 30
  84. 84Capítulo 31
  85. 85Capítulo 32
  86. 86Capítulo 33
  87. 87Capítulo 34
  88. 88Capítulo 35
  89. 89Capítulo 36
  90. 90Capítulo 37
  91. 91Capítulo 38
  92. 92Capítulo 39
  93. 93Capítulo 40
  94. 94Levítico
  95. 95Capítulo 1
  96. 96Capítulo 2
  97. 97Capítulo 3
  98. 98Capítulo 4
  99. 99Capítulo 5
  100. 100Capítulo 6
  101. 101Capítulo 7
  102. 102Capítulo 8
  103. 103Capítulo 9
  104. 104Capítulo 10
  105. 105Capítulo 11
  106. 106Capítulo 12
  107. 107Capítulo 13
  108. 108Capítulo 14
  109. 109Capítulo 15
  110. 110Capítulo 16
  111. 111Capítulo 17
  112. 112Capítulo 18
  113. 113Capítulo 19
  114. 114Capítulo 20
  115. 115Capítulo 21
  116. 116Capítulo 22
  117. 117Capítulo 23
  118. 118Capítulo 24
  119. 119Capítulo 25
  120. 120Capítulo 26
  121. 121Capítulo 27
  122. 122Números
  123. 123Capítulo 1
  124. 124Capítulo 2
  125. 125Capítulo 3
  126. 126Capítulo 4
  127. 127Capítulo 5
  128. 128Capítulo 6
  129. 129Capítulo 7
  130. 130Capítulo 8
  131. 131Capítulo 9
  132. 132Capítulo 10
  133. 133Capítulo 11
  134. 134Capítulo 12
  135. 135Capítulo 13
  136. 136Capítulo 14
  137. 137Capítulo 15
  138. 138Capítulo 16
  139. 139Capítulo 17
  140. 140Capítulo 18
  141. 141Capítulo 19
  142. 142Capítulo 20
  143. 143Capítulo 21
  144. 144Capítulo 22
  145. 145Capítulo 23
  146. 146Capítulo 24
  147. 147Capítulo 25
  148. 148Capítulo 26
  149. 149Capítulo 27
  150. 150Capítulo 28
  151. 151Capítulo 29
  152. 152Capítulo 30
  153. 153Capítulo 31
  154. 154Capítulo 32
  155. 155Capítulo 33
  156. 156Capítulo 34
  157. 157Capítulo 35
  158. 158Capítulo 36
  159. 159Deuteronômio
  160. 160Capítulo 1
  161. 161Capítulo 2
  162. 162Capítulo 3
  163. 163Capítulo 4
  164. 164Capítulo 5
  165. 165Capítulo 6
  166. 166Capítulo 7
  167. 167Capítulo 8
  168. 168Capítulo 9
  169. 169Capítulo 10
  170. 170Capítulo 11
  171. 171Capítulo 12
  172. 172Capítulo 13
  173. 173Capítulo 14
  174. 174Capítulo 15
  175. 175Capítulo 16
  176. 176Capítulo 17
  177. 177Capítulo 18
  178. 178Capítulo 19
  179. 179Capítulo 20
  180. 180Capítulo 21
  181. 181Capítulo 22
  182. 182Capítulo 23
  183. 183Capítulo 24
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  699. 699Capítulo 5
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  702. 702Capítulo 8
  703. 703Isaías
  704. 704Capítulo 1
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  814. 814Capítulo 44
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  818. 818Capítulo 48
  819. 819Capítulo 49
  820. 820Capítulo 50
  821. 821Capítulo 51
  822. 822Capítulo 52
  823. 823Lamentações
  824. 824Capítulo 1
  825. 825Capítulo 2
  826. 826Capítulo 3
  827. 827Capítulo 4
  828. 828Capítulo 5
  829. 829Ezequiel
  830. 830Capítulo 1
  831. 831Capítulo 2
  832. 832Capítulo 3
  833. 833Capítulo 4
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  838. 838Capítulo 9
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  918. 918Capítulo 8
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  920. 920Obadias
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  927. 927Miqueias
  928. 928Capítulo 1
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  931. 931Capítulo 4
  932. 932Capítulo 5
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  934. 934Capítulo 7
  935. 935Naum
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  939. 939Habacuque
  940. 940Capítulo 1
  941. 941Capítulo 2
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  947. 947Ageu
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  1201. 1201Capítulo 9
  1202. 1202Capítulo 10
  1203. 1203Capítulo 11
  1204. 1204Capítulo 12
  1205. 1205Capítulo 13
  1206. 1206Tiago
  1207. 1207Capítulo 1
  1208. 1208Capítulo 2
  1209. 1209Capítulo 3
  1210. 1210Capítulo 4
  1211. 1211Capítulo 5
  1212. 12121 Pedro
  1213. 1213Capítulo 1
  1214. 1214Capítulo 2
  1215. 1215Capítulo 3
  1216. 1216Capítulo 4
  1217. 1217Capítulo 5
  1218. 12182 Pedro
  1219. 1219Capítulo 1
  1220. 1220Capítulo 2
  1221. 1221Capítulo 3
  1222. 12221 João
  1223. 1223Capítulo 1
  1224. 1224Capítulo 2
  1225. 1225Capítulo 3
  1226. 1226Capítulo 4
  1227. 1227Capítulo 5
  1228. 12282 João
  1229. 1229Capítulo 1
  1230. 12303 João
  1231. 1231Capítulo 1
  1232. 1232Judas
  1233. 1233Capítulo 1
  1234. 1234Apocalipse
  1235. 1235Capítulo 1
  1236. 1236Capítulo 2
  1237. 1237Capítulo 3
  1238. 1238Capítulo 4
  1239. 1239Capítulo 5
  1240. 1240Capítulo 6
  1241. 1241Capítulo 7
  1242. 1242Capítulo 8
  1243. 1243Capítulo 9
  1244. 1244Capítulo 10
  1245. 1245Capítulo 11
  1246. 1246Capítulo 12
  1247. 1247Capítulo 13
  1248. 1248Capítulo 14
  1249. 1249Capítulo 15
  1250. 1250Capítulo 16
  1251. 1251Capítulo 17
  1252. 1252Capítulo 18
  1253. 1253Capítulo 19
  1254. 1254Capítulo 20
  1255. 1255Capítulo 21
  1256. 1256Capítulo 22

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