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Littérature

Livro de Mágoas

Édition BooksWhale en portugais par Florbela Espanca

Um livro de poesia íntima sobre dor, desejo, solidão, orgulho, amor ferido e voz feminina moderna.

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Introduction du livre

Livro de Mágoas

Livro de Mágoas apresenta uma poesia de intensidade emocional, marcada por solidão, desejo, luto íntimo, orgulho e busca de reconhecimento. Florbela Espanca constrói uma voz feminina que transforma sofrimento em forma poética, com sonetos e imagens de grande musicalidade na literatura portuguesa do século XX inicial.

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Cette édition repose sur un texte du domaine public et a été préparée par BooksWhale pour la lecture numérique.

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Florbela Espanca morreu em 1930 e Livro de Mágoas foi publicado em 1919. Estas datas sustentam a base de domínio público desta edição portuguesa.

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Livro de Mágoas

Livro das Mágoas

A Flor do Sonho

Florbela Espanca

A Flor do Sonho, alvíssima, divina,

Miraculosamente abriu em mim,

Como se uma magnólia de cetim

Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina

E não posso entender como é que, enfim,

Essa tão rara flor abriu assim!...

Milagre... fantasia... ou, talvez, sina...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,

Que tem que sejam tristes os meus olhos

Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,

Voou ao longe a asa da minh’alma

E nunca, nunca mais eu me entendi...

A Maior Tortura

A Maior Tortura

por

Florbela Espanca

Poema publicado em

Livro das Mágoas

A Maior Tortura

Florbela Espanca

A um grande poeta de Portugal!

Na vida, para mim, não há deleite.

Ando a chorar convulsa noite e dia...

E não tenho uma sombra fugidia

Onde poise a cabeça, onde me deite!

E nem flor de lilás tenho que enfeite

A minha atroz, imensa nostalgia!...

A minha pobre Mãe tão branca e fria

Deu-me a beber a Mágoa no seu leite!

Poeta, eu sou um cardo desprezado,

A urze que se pisa sob os pés.

Sou, como tu, um riso desgraçado!

Mas a minha tortura inda é maior:

Não ser poeta assim como tu és

Para gritar num verso a minha Dor!...

A Minha Dor

A Minha Dor

por

Florbela Espanca

Poema publicado em

Livro das Mágoas

A Minha Dor

Florbela Espanca

A você

A minha Dor é um convento ideal

Cheio de claustros, sombras, arcarias,

Aonde a pedra em convulsões sombrias

Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias

Ao gemer, comovidos, o seu mal...

E todos têm sons de funeral

Ao bater horas, no correr dos dias...

A minha Dor é um convento. Há lírios

Dum roxo macerado de martírios,

Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,

Noites e dias rezo e grito e choro,

E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

A Minha Tragédia

A Minha Tragédia

por

Florbela Espanca

Poema publicado em

Livro das Mágoas

A Minha Tragédia

Florbela Espanca

Tenho ódio à luz e raiva à claridade

Do sol, alegre, quente, na subida.

Parece que a minh’alma é perseguida

Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade,

Trazes-me embriagada, entontecida!...

Duns beijos que me deste noutra vida,

Trago em meus lábios roxos, a saudade!...

Eu não gosto do sol, eu tenho medo

Que me leiam nos olhos o segredo

De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,

Como esta estranha e doida borboleta

Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

A Um Livro

A Um Livro

por

Florbela Espanca

Poema publicado em

Livro das Mágoas

A Um Livro

Florbela Espanca

No silêncio de cinzas do meu Ser

Agita-se uma sombra de cipreste,

Sombra roubada ao livro que ando a ler,

A esse livro de mágoas que me deste.

Estranho livro aquele que escreveste,

Artista da saudade e do sofrer!

Estranho livro aquele em que puseste

Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!

Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!

O livro que me deste é meu, e salma

As orações que choro e rio e canto!...

Poeta igual a mim, ai quem me dera

Dizer o que tu dizes!... Quem soubera

Velar a minha Dor desse teu manto!...

Alma Perdida

Alma Perdida

por

Florbela Espanca

Poema publicado em

Livro das Mágoas

Alma Perdida

Florbela Espanca

Toda esta noite o rouxinol chorou,

Gemeu, rezou, gritou perdidamente!

Alma de rouxinol, alma da gente,

Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,

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  1. 01Full text

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