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Littérature

O Hissope

Édition BooksWhale en portugais par António Dinis da Cruz e Silva

Um poema herói-cómico português que satiriza cerimónia religiosa, vaidade, retórica e cultura literária setecentista.

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Introduction du livre

O Hissope

O Hissope transforma uma disputa eclesiástica em poema herói-cómico de grande energia satírica. António Dinis da Cruz e Silva combina crítica, paródia épica, humor e observação social, oferecendo um clássico português para leitores de poesia, sátira e literatura do século XVIII.

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Cette édition repose sur un texte du domaine public et a été préparée par BooksWhale pour la lecture numérique.

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António Dinis da Cruz e Silva morreu em 1799, e O Hissope foi publicado pela primeira vez em 1802. Estas datas sustentam a base de domínio público desta edição original em português.

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O Hissope

António Dinis da Cruz e Silva

poema herói-cômico

Chapitre d'aperçuCanto IAperçu

Eu canto o BISPO, e a espantosa guerra,

Que o HYSSOPE excitou na Igreja d’Elvas.

Musa, Tu, que nas margens aprazíveis,

Que o Sena borda

de árvores viçosas,

Do famoso Boileau

a fértil mente

Inflamaste benigna, Tu me inflama;

Tu me lembra o motivo; Tu, as causas,

Por que a tanto furor, a tanta raiva

Chegaram o Prelado, e o seu Cabido.

Nos vastos Intermúndios

de Epicuro

O grão país se estende das Quimeras,

Que habita imenso Povo, diferente

Nos costumes, no gesto, e na linguagem.

Aqui nasceu a Moda ,

e d’aqui manda

Aos vaidosos mortais as várias formas

De seges, de vestidos, de toucados,

De Jogos, de Banquetes, de Palavras;

Único emprego de cabeças ocas.

Trezentas belas, caprichosas Filhas,

Presumidas a cercam, e se ocupam

Em buscar novas artes de adornar-se.

Aqui seu berço teve a espinhosa

Escolástica vã Filosofia ,

Que os Claustros inundou; e que abraçaram

Até a morte os pérfidos Solipsos .

Daqui saíram, a infestar os campos

Da bela Poesia, os Anagramas ,

Labirintos , Acrósticos , Segures ,

E mil espécies de medonhos Monstros,

A cuja vista as Musas espantadas,

Largando os instrumentos, se esconderam

Longo tempo nas grutas do Parnaso.

Aqui (coisa piedosa!) alçou a fronte

A insípida Burleta ,

que tirana

Do Teatro desterra indignamente

Melpómene , e Tália , e que recebe

Grandes palmadas da Nação castrada.

Do denso Povo,

que o país povoa,

Um com pródiga mão ricos tesouros,

A troco d’uma Concha, ou Borboleta,

Ou d’uma estranha Flor, que represente

As vivas cores do listrado Íris ,

Despendem satisfeitos: Outros passam,

Sem cessar, revolvendo noite e dia

Do antigo Lácio

antigos manuscritos,

Do roaz tempo meio-consumidos,

Para depois tecer grossos volumes

Do – H – sobre a pronúncia; ou si se deve

A Conjunção unir ao Verbo, ou Nome,

Que marcham antes d’ela no discurso.

Alguns (mísera gente!) inutilmente

Compõem grandes Ilíadas, e tecem

Aos vaidosos Magnatas mil Sonetos,

Mil Pindáricas Odes, e Epigramas,

A que apenas de olhar eles se dignam.

Estes, cujas cabeças desgraçadas

Não bastam a curar três Anticiras ,

Abraçados se crêem d’um santo fogo,

E ter comércio com os altos Deuses:

Senhores da áurea fama e seus tesouros,

Se inculcam aos Heróis, e em seus delírios,

Se julgam mais felizes, e opulentos

Que o grande Imperador da Trapizonda ;

Em quanto, na pobreza submergidos,

Cobertos de baldões, e de impropérios

Dos Ricos ignorantes, e dos Grandes,

Com mofa e com desprezo, são olhados.

Deste pois

populoso, vasto Império

Em paz empunha o cetro poderoso

O Gênio tutelar das Bagatelas.

N’um majestoso

Alcáçar, que se eleva,

Com estranha estrutura, até as nuvens,

Assiste o grande Nume; e d’ali rege

A Lunática gente, a seu arbítrio.

De transparente talco fabricado

É o largo edifício, que sustentam

Cem delgadas colunas de miçangas.

Nos quatros lados, em igual distância,

Quatro torres de lata se levantam,

Do Capricho obra, em tudo, muito prima,

Onde a matéria cede muito à Arte.

Aqui pois a

Conselho chama o Gênio

Do seu Império os principais Dinastas.

N’um vistoso

salão, todo coberto

De papel prateado, e lantejoulas,

Se ajunta a grande Corte; e ali, por ordem,

Assentando-se vai: aos pés do trono

De alambres e velórios embutidos,

A Lisonja se vê,

e a Excelência ;

Segue-se a Senhoria ,

e abaixo dela,

O Dom surrado,

as grandes Cortesias ,

O Wisth , o Trinta e um , os Comprimentos ;

E logo o Vampirismo ,

os Sortilégios ,

Os Silfos , Salamandras , Ninfas , Gnomos

E os outros Gênios da sutil Cabala .

De mil vãs Cerimônias

rodeada,

Os assentos reparte a Precedência .

Composto o

grão rumor, e sossegado,

Chapitre d'aperçuParte a cumpri-lo; pois de tuas artes,Aperçu

E de ti só confio a grande empresa.”

Acaba; e mais

veloz que a leve seta

Table des matières

Dans cette édition

  1. 01Full text
  2. 02Canto I
  3. 03Parte a cumpri-lo; pois de tuas artes,
  4. 04Parte do Itureo
  5. 05Canto II
  6. 06Canto III
  7. 07Capítulos inteiros terminantes,
  8. 08Canto IV
  9. 09A
  10. 10Canto V
  11. 11O
  12. 12Segunda vez de pejo morreriam.
  13. 13primeira,
  14. 14A
  15. 15parte.
  16. 16Canto VI
  17. 17Quinta,
  18. 18Canto VII
  19. 19canto,
  20. 20O
  21. 21A
  22. 22O
  23. 23O
  24. 24A
  25. 25E
  26. 26Canto VIII

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