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Littérature

Til

Édition BooksWhale en portugais par José de Alencar

No interior paulista, amor, segredo e violência cercam uma heroína luminosa.

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Introduction du livre

Til

Til é um romance regional de José de Alencar ambientado em fazendas paulistas, onde Berta se move entre conflitos familiares, paixões escondidas e tensões sociais. A obra combina idealização romântica, observação rural e drama de identidade.

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Cette édition repose sur un texte du domaine public et a été préparée par BooksWhale pour la lecture numérique.

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Texto original em português publicado em 1872. José de Alencar morreu em 1877; os prazos de proteção autoral estão expirados.

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Til

José de Alencar

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Volume I

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Eram dous, ele e ela, ambos na flor da beleza e da mocidade.

O viço da saúde rebentava-lhes no encarnado das faces, mais aveludadas que a açucena escarlate recém-aberta ali com os orvalhos da noite. No fresco sorriso dos lábios, como nos olhos límpidos e brilhantes, brotava-lhes a seiva d'alma.

Ela, pequena, esbelta, ligeira, buliçosa, saltitava sobre a relva, gárrula e cintilante do prazer de pular e correr; saciando-se na delícia inefável de se difundir pela criação, e sentir-se flor no regaço daquela natureza luxuriante.

Ele, alto, ágil, de talhe robusto e bem conformado, calcando o chão sob o grosseiro soco da bota com a bizarria de um príncipe que pisa as ricas alfombras, seguia de perto a gentil companheira, que folgava pelo campo, a volutear e fazendo-lhe mil negaças, como a borboleta que zomba dos esforços inúteis da criança para a colher.

Caminhavam por uma rechã, bordada de ilhas de mato, que emergiam aqui e ali do verde gramado. Pela ramagem frondente das árvores e renovos que abrolhavam, percebia-se a proximidade de um grande manancial; e entre as crepitações da brisa nas folhas, como um tom opaco desse arpejo da solidão, ouvia-se o múrmure soturno do Piracicaba, que leva ao Tietê o tributo caudal de suas águas.

Sete horas da manhã haviam de ser. A luz de um sol esplêndido fluía no éter, que a trovoada da véspera tinha acendrado. O céu arreava-se do azul diáfano onde a fantasia se embebe com a voluptuosidade casta da criança a conchegar-se dentro, tão dentro do grêmio materno.

Bem longe do céu, porém, e bem presos à terra andavam os olhos dos nossos dous amiguinhos, que nem haviam reparado sequer na limpidez da atmosfera. Ainda estavam na sazão feliz, em que se respira o céu, como o ar da vida, e o aroma do campo, quase sem o sentir.

Às flores, que a noite desabrochara; aos frutos silvestres que enfeitavam a copa das árvores; aos passarinhos que trinavam embalando-se nas franças dos coqueiros; ao que era da terra e bem da terra, iam os impulsos desses jovens corações, quando não se volviam um para o outro, a reverem-se entre si.

O céu, essa imensa tela azul, que foi cúpula de um berço, o da luz, e será mais tarde véu de um leito, o da vida; a alma só o procura, só o contempla, quando a dor a prostra. Mas para aquela que sorri e folga, o firmamento é uma terra por descobrir, e debuxa-se vagamente na imaginação, como a montanha azul desse vale de lágrimas.

Alguma vez deixava o rapaz de seguir com o passo a menina, para acompanhá-la com a vista. De braços cruzados sobre a coronha da clavina de caça, fitava os grandes olhos pardos com tal possança d'alma, que mais parecia absorver e entranhar em si o gracioso vulto, do que enlevar-se em sua contemplação.

Acaso, em uma dessas ocasiões, voltou-se de chofre a menina para ver onde lhe ficara o companheiro e deu com ele a fitá-la daquele modo estranho.

— Que me está olhando aí? Nunca me viu? exclamou com surpresa, mas travada sempre da petulância que animava-lhe todos os movimentos.

— Não era para você! respondeu rápido o moço, abaixando a cabeça de modo a ocultar o rubor que lhe afogueava o rosto.

Para confirmar o disfarce, armou a clavina e fez pontaria a um cardeal que se embalava no tope de uma palmeira.

— Miguel!...

Esta súbita exclamação rompeu dos lábios da menina, trêmula de susto, a cobrir com as mãos pequeninas as conchinhas das orelhas para não ouvir o ribombo do tiro.

Table des matières

Dans cette édition

  1. 01Full text
  2. 02Volume I
  3. 03I
  4. 04II
  5. 05III
  6. 06IV
  7. 07V
  8. 08VI
  9. 09VII
  10. 10VIII
  11. 11IX
  12. 12X
  13. 13XI
  14. 14XII
  15. 15XIII
  16. 16XIV
  17. 17XV
  18. 18XVI
  19. 19XVII
  20. 20XVIII
  21. 21XIX
  22. 22XX
  23. 23XXI
  24. 24XXII
  25. 25XXIII
  26. 26XXIV
  27. 27Volume II
  28. 28I
  29. 29II
  30. 30III
  31. 31IV
  32. 32V
  33. 33VI
  34. 34VII
  35. 35VIII
  36. 36IX
  37. 37X
  38. 38XI
  39. 39XII
  40. 40XIII
  41. 41XIV
  42. 42XV
  43. 43XVI
  44. 44XVII
  45. 45XVIII
  46. 46XIX
  47. 47XX
  48. 48Notas
  49. 49XXI
  50. 50XXII
  51. 51XXIII
  52. 52XXIV
  53. 53Volume III
  54. 54I
  55. 55II
  56. 56III
  57. 57IV
  58. 58V
  59. 59VI
  60. 60VII
  61. 61VIII
  62. 62IX
  63. 63X
  64. 64XI
  65. 65XII
  66. 66XIII
  67. 67XIV
  68. 68XV
  69. 69Volume IV
  70. 70I
  71. 71II
  72. 72III
  73. 73IV
  74. 74V
  75. 75Notas
  76. 76VI
  77. 77VII
  78. 78VIII
  79. 79IX
  80. 80X
  81. 81XI
  82. 82XII
  83. 83XIII
  84. 84XIV
  85. 85XV
  86. 86XVI

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